369-2020-08

12 FROM THE TOP » HOLGER MARQUARDT, MERCEDES-BENZ CARS & VANS Agosto 2020 | AutoData De qualquer forma o segmento premium caiumenos do que omercado geral. Este cliente não foi economicamente afetado pela pandemia? Podemos dividir o premium em dois sub-segmentos: o de entrada, como no nosso caso comClasseA, GLA, Classe C etc., e os mais caros. Para este segundo grupo vimos que o cliente manteve a compra, sentiu-se seguro para com- prar, enquanto no nível mais abaixo há preocupação de como será o amanhã. Notamos ainda um aumento na venda dos seminovos, na faixa de R$ 120 mil. É importante observar que no Brasil o comportamento do consumidor é dife- rente. Na Alemanha, por exemplo, quem compra umClasse C depois quer trocá- -lo por um Classe E, quer subir de cate- goria. Aqui o cliente prefere se manter na mesma faixa, o objetivo é comprar um Classe C novo. Quando inaugurou a fábrica de Iracemá- polis, em2016, aMercedes-Benz alegou que as condições do País não eram su - cientemente competitivas para permitir exportar nemmesmo para a Argentina. Esse quadro continua? Sim, continua, e agora foi agravado pelo efeito do câmbio. O custo é um impedi- tivo: é difícil exportar daqui. Ao término do Inovar-Auto as fabrican- tes premium que construíram fábricas caramcomumcrédito do IPI a receber, fato reconhecido pelo Ministério da Eo- nomia, mas o tema voltou à estaca zero quando o atual governo assumiu. Como explicar isso à matriz? Temos esperança de que um dia rece- beremos esse dinheiro. Este é só um exemplo de como precisamos resolver as coisas por aqui: con ança e credi - bilidade são muito importantes, o País precisa disso. Temos todas as condições para crescer bastante, mas falta isso. Recebemos muitos questionamentos da Alemanha a respeito do que está “O nosso problema é o dólar. O câmbio nos obrigou a elevar os preços, aumentamos 23% e mesmo assim ainda é menos do que a variação cambial desde janeiro.” gentina: como o volume de vendas é menor há concessionárias que vendem caminhões, vans e automóveis em uma mesma loja. Como tem se comportado o mercado premiumno Brasil durante a pandemia? O mercado como um todo caiu quase 40% no primeiro semestre, enquanto no segmento premium a redução cou abaixo de 30%. Globalmente a Merce- des-Benz ganhou participação neste período. Na China vendemos agora mais do que antes da pandemia. Isso mostra que em outros países os índices pré- -covid-19 já estão voltando. No caso especí co dos automóveis M-B em junho e julho as vendas no Brasil fo- rammaiores do que nos mesmos meses de 2019. Como se explica? Os emplacamentos caram represados por conta do fechamento dos Detran nos meses anteriores e, assim, por enquanto, esses números ainda não são referência. O nosso problema é o dólar. O câmbio nos obrigou a elevar os preços, aumentamos 23% e mesmo assim ainda é menos do que a variação cambial: começamos o ano em R$ 4 e agora está R$ 5,30, dá mais de 30%. Ainda temos estoque na fábrica e na rede, então devemos sentir o efeito dos preços no segundo semestre, quando entenderemos de fato como será o mercado este ano.

RkJQdWJsaXNoZXIy NjI0NzM=