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6 LENTES Agosto 2020 | AutoData Com a colaboração de Marcos Rozen Por Vicente Alessi, lho Sugestões, críticas, comentários, ofensas e assemelhados para esta coluna podem ser dirigidos para o e-mail vi@autodata.com.br PÃO E ÁGUA Realmente já não era grande coisa a leitura que faziam, do futuro do seu relacionamento com o atual Ministério da Economia, executivos de alto coturno do setor de veículos, aí entendido gente das empresas fabricantes de veículos e de autopeças e das redes de concessionários. E esta percepção azedou ainda mais com a notícia da saída, da equipe ministerial, do economista Caio Megale, “liberal, sim, mas, ao menos, com uma virtude especial, talvez adquirida no tempo em que foi, digamos, bancário: ele ouvia o setor privado, buscava entender as características do negócio indústria, prestava atenção às nossas di culdades e solicitações e tentava encaminhá-las”. Esta descrição, muito provavelmente feita à sombra da gravura, não foi su ciente para reter Megale no governo, e ele saiu dizendo que seu ciclo “como funcionário público, de quatro anos, se esgotava ali”, 31 de julho. Curioso: pode até ter sido por falta de melhor opção, mas à custa das virtudes listadas acima ele era considerado o melhor, e mais crível, interlocutor da indústria de veículos no governo, posição que defendia desde o governo anterior, como secretário do Desenvolvimento da Indústria, Comércio, Serviços e Inovação. No atual governo tornou-se diretor de programas da Secretaria Especial de Fazenda. PÃO E ÁGUA 2 Há quem se lembre de seu antigo chefe, Carlos da Costa, secretário especial de Produtividade, Emprego e Competitividade, que professava modelo diferente no trato com a indústria. O pessoal da indústria não se deu bem com Da Costa – maldosamente alguém o quali ca como “um conhecido apedeuta”. A incompatibilidade, então, deu conta do recado e a Megale foi destinada a posição que acaba de abandonar. Mas... qual o problema, a nal? Simples: a turma de Megale não é, exatamente, essa turma que está no poder, apesar do credo liberal. Ele simplesmente não detinha poderes de decisão e, quem sabe, a nal cansou-se do meio ambiente pro ssional no qual vivia, muita gente passando boiada, que ninguém deve ser obrigado a suportar, não é mesmo? Talvez sem muita queda por rapapés inócuos Megale deixou o ministério e disse que cuidará da vida, outra vez, no setor privado. PÃO E ÁGUA 3 Mas nós sabemos que o embaraço vai um pouco além disso. Na verdade Caio Megale foi a terceira baixa recente no bunker do Ministério da Economia, precedido por Mansueto Almeida, secretário do Tesouro, e por Rubens Novaes, que pediu para deixar a presidência do... Banco do Brasil. Dizem, até, que Novaes virá a ser assessor especial do ministro Paulo Guedes, como “contato com setores da economia no Rio de Janeiro e em São Paulo”. Aparente e provavelmente Guedes queria, mesmo, era se livrar de Megale, quem saberá? Mas, como diz uma fonte da indústria, “interlocução, no Ministério da Economia, é puro fake. Existia, mas deixou de existir faz um tempão. Qual será, então, a tarefa de Novaes?”.

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