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6 LENTES Março 2021 | AutoData Por Vicente Alessi, filho Sugestões, críticas, comentários, ofensas e assemelhados para esta coluna podem ser dirigidos para o e-mail vi@autodata.com.br Reprodução/YouTube IN MEMORIAM DE PAULO FRANCINI Foi uma ventura, para mim, ter privado de algumas intimidades de Paulo Francini, um pensador industrial, que a covid levou embora em 11 de fevereiro. Tinha 79 anos. Foi o mais pop dos empresários de sua geração. Há uma obra a ser escrita a partir dele, um dos idealizadores do Manifesto dos Oito, documento pelo qual a burguesia brasileira deu adeus e jogou sua definitiva cal sobre a ditadura dos generais, aquela que começou em 1964, e de alguns de seus companheiros. Ele era, para os jornalistas de economia ligados nas coisas da época, um dos muitos democratas de plantão – daqueles que criticavam a alta do preço da abobrinha e completava lembrando que só eleições livres e diretas resolveriam esse problema. Foi diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos da Fiesp, quando a entidade ainda se dava ao respeito, e um dos fundadores do IEDI, o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial. IN MEMORIAM DE PAULO FRANCINI 2 Para Júlio Gomes de Almeida, diretor executivo do Iedi, Paulo foi “defensor da consolidação de uma política industrial dinâmica e atrelada às transformações do mundo. Defendia temas até hoje atuais, como a inovação, a redução do custo Brasil e a formação de um mercado de crédito de longo prazo para as indústrias”. O último parágrafo do Manifesto dos Oito, de sua lavra, dá inveja a empresários de hoje: “Mas defendemos a democracia, sobretudo, por ser um sistema superior de vida, o mais apropriado para o desenvolvimento das potencialidades humanas. E é dentro desse espírito, com o desejo de contribuir, que submetemos nossas ideias ao debate do conjunto da sociedade brasileira, e em especial de nossos colegas empresários e dos homens públicos”. Assinaram Antônio Ermírio de Moraes, Cláudio Bardella, Jorge Gerdau, José Mindlin, Laerte Setúbal Filho, Paulo Vellinho, Paulo Villares e Severo Gomes, eleitos Líderes Empresariais do Balanço Anual da Gazeta Mercantil. Infortunadamente Paulo Francini não foi um desses eleitos.

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