383-2021-11

61 As vendas de veículos elétricos nomundo demonstram que a tendência de crescimen­ to é irreversível. Dados da ABVE (Associação Brasileira de Veículos Elétricos) apontam que em 2010 a frota global de veículos elétricos era em torno de 17 mil unidades. Nove anos depois, em 2019, a frota ultrapassou 7,2 mi­ lhões de unidades. A entidade projeta que, neste ano, 30 mil veículos elétricos serão emplacados só no Brasil, registrando crescimento de 52% sobre o volume emplacado no ano passado (19.745 unidades). De acordo com Cabral, “em estudo feito pela PNME – Plataforma Nacional de Mobilidade Elétrica, no cenário mais agres­ sivo de projeções de vendas, estima-se que 35% da frota de veículos de passeio no Brasil será composta por híbridos ou elétricos até 2030”. “Essas grandes mudanças envolvendo ele­ tromobilidade estão ocorrendo de maneira muito rápida também aqui no Brasil e já estão impactando toda cadeia automotiva nacional. Será preciso se reinventar para não perdermos oportunidades que se abrem”, analisa Cabral. De acordo com o executivo da Becomex, veí­ culosmais tecnológicosdemandarãomaiorquan­ tidade de componentes importados tanto para suprir o mercado interno como, também, o ex­ terno. “Todo itemimportadosemsimilar noPaís conta com benefícios tributários e, igualmente, se for manufaturado para fins de exportação”. O grande problema, segundo estudo feito pela Becomex, é que apenas 43% desses benefícios são utilizados pela cadeia automotiva. “Por conta da complexidade de regimes especiais como Drawback, Recof e Ex-ta­ rifário, muitas empresas deixam de utilizá- los e isso, por fim, eleva o ‘Custo Brasil’ en­ carecendo o produto no mercado interno e comprometendo substancialmente a com­ petitividade da indústria nacional no mer­ cado global”, alerta Cabral. A tendência de crescimento da demanda por veículos elétricos (híbridos e 100% elé­ tricos) no mercado nacional nos próximos anos certamente vai levar à nacionalização de muitos componentes por parte dos sis­ temistas e fabricantes de autopeças e, como já está acontecendo, montadoras igualmente passarão a produzir aqui seus modelos ele­ trificados. Outros itens mais tecnológicos, co­ mo semicondutores, por exemplo, seguirão sendo importados. “Fazendo-se uma leitura mais acurada des­ sas tendências de curto, médio e longo prazo, entendemos o quanto é importante aplicar o mais urgente possível estratégia tributária co­ laborativa, eficiente e abrangente, envolvendo toda cadeia automotiva nacional, de modo a tornar a indústria mais competitiva tanto no mercado interno quanto, também, no exter­ no”, finaliza Cabral. Denys Cabral, Head de Inovação Automotiva da Becomex Por AutoData Empresarial

RkJQdWJsaXNoZXIy NjI0NzM=