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10 FROM THE TOP » HERLANDER ZOLA, VICE-PRESIDENTE DA FIAT AMÉRICA DO SUL Julho 2022 | AutoData Entrevista a Leandro Alves e Pedro Kutney O técnico da virada H erlander Zola disse que “es- tava feliz na Audi” quando aceitou a proposta de dirigir as operações comerciais da Fiat naAmérica do Sul. Ele chegou nomeio de 2017, no pior momento da empresa no País, atraído pela autonomia que teria para influen - ciar no desenvolvimento de novos produtos, nos seus preços e conte- údos, para definir “uma nova lógica de negócios”, algo que nunca teve nos empregos anteriores no setor, com passagens por Volkswagen, BMWe Audi. Zola confessa: “Era muito desa- fiador e em alguns momentos tive dúvidas se tudo aquilo ia de fato acontecer. Mas cinco anos depois vejo que tomei a decisão acertada”. Cinco anos e 9 pontos porcentuais de participação demercado sepa- ram aquele começo do momento atual da Fiat nomercado brasileiro, onde recuperou a liderança e do- mina quase umquarto das vendas. Como técnico dessa virada na entrevista a seguir Zola con- ta como foi feito o planejamento para transformar a Fiat, reduzir sua dependência de carros populares, repaginar sua imagem, reformar as concessionárias e voltar aos resul- tados positivos: “Alguns anos atrás eu não ficaria tão feliz em falar so - bre a Fiat como agora”. Por dezessete anos o senhor ocupou cargos de direção no marketing de três marcas alemãs, Volkswagen, BMW e Audi. Por que, em 2017, decidiu deixar uma fabricante premium para dirigir uma marca popular como a Fiat? Nas marcas de luxo, nas quais trabalhei por cinco anos somando BMW e Audi, o trabalho é adaptar produtos que já existem lá fora para as necessidades internas: a flexibilidade é mínima e os volumes aqui são baixos. A situação é inversa nas marcas de massa, como Volkswagen e Fiat, que têm capacidade de desenvolver produtos localmente: é possível construir do zero um veícu- lo moldado à necessidade do cliente. Isso aumenta demais a autonomia de um gestor de marca. Essa foi minha principal motivação para mudar para a Fiat, que naquele instante vivia um dos piores momentos em sua trajetória no País. O que cativou foi o nível de autonomia para interferir e influenciar nos resultados, pois havia um papel em branco para definir uma nova lógica de negócio, com liberdade para interferir no desenvolvimento de novos produtos, preços e conteúdos. Tive várias dúvidas se isso iria acontecer de verdade mas hoje, cinco anos depois, vejo que tomei uma decisão acertada. O senhor avalia que essa maior autono- mia é uma característica da Fiat? Sem dúvida. O nível de liberdade e autonomia que temos na Fiat na re- gião é algo de que outras montadoras não dispõem. Mas acho que isso está atrelado aos resultados que estamos conseguindo. Quando o senhor chegou à FCA para di- rigir a Fiat a empresa apresentava o seu pior desempenho emvinte anos. Tinha perdido a liderança do mercado brasi- leiro em 2016 e em 2018 a participação caiu para o piso de 13,2%, no terceiro lugar do ranking nacional. Qual era seu pensamento sobre esse momento tão negativo na época? Meu primeiro dia na Fiat coincidiu com o lançamento do Argo. Nunca partici- pei da apresentação de um produto
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