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26 Julho 2022 | AutoData SEGURANÇA » TECNOLOGIA EVOLUÇÃO VAI CONTINUAR? Com a forma de vender adotada por boa parte das montadoras, de focar na produção de veículos mais caros e rentá- veis, é natural imaginar que os automóveis passarão a contar commais tecnologias e ficarão ainda mais seguros. Michel Braghetto, da Bosch, não só concorda com esse raciocínio como diz que isso já ocorre: “Essa planificação tem contribuído para oferecer soluções como ESP [controle de estabilidade], AEB [frena - gem automática de emergência] e LDW [alerta de permanência em faixa] mesmo antes que sejam sistemas demandados pela legislação. Observamos uma forte aceleração na oferta de ADAS [sigla em inglês para sistemas avançados de assis- tência ao motorista], que passaram a ser um diferencial competitivo das marcas”. Ele cita, por exemplo, que a frenagem automática de emergência já está dispo- nível de série ou como opcional em 41% das versões de veículos vendidos no Brasil, enquanto 34% têm a opção de alerta de permanência em faixa. Para Marcus Vinícius Aguiar, da AEA, a tendência é que os carros fiquem mais seguros. Mas ele faz uma ressalva: “O custo é um grande obstáculo, pois no Brasil tra- balhamos com produção anual de aproxi - madamente 2milhões de veículos por ano, volumemuito baixo para amortizar o custo de novas tecnologias. Por causa disso, na maioria das vezes, valemais a pena impor- tar a peça do que produzir aqui. E como se não bastasse ainda estamos enfrentando o problema da falta de componentes”. MONTADORAS ATRASAM A questão financeira também faz Ale - jandro Furas, do Latin NCAP, ser reticente quanto à segurança dos carros nacionais: “Eu espero que os veículos sejammais se- guros, mas se as montadoras não adota- remos equipamentos como itens de série não adiantamuito. Se estamos falando em democratizar a segurança dos carros no Brasil não podemos aceitar que somen- te as versões mais caras tragam todos os equipamentos de segurança”. De acordo com o secretário geral do Latin NCAPexiste um lobbymuito forte das fabricantes de automóveis no Brasil para dificultar, ou tornar mais lento, o processo de adoção obrigatória de novos itens de segurança, pois o desejo das empresas é flexibilizar as normas. “Se a Anfavea é tão proativa no quesito segurança quanto diz ser não existemotivo para o Brasil não estar mais próximo pelo menos do que é adotado na Índia em ter- mos de segurança automotiva. OBrasil tem planejamento para adotar obrigatoriamente airbags laterais e de proteção para o pe- destre, mas só em 2030, enquanto a Índia adotará tudo isso nos próximos dois anos.” Não se pode esquecer que a entrada em vigor da obrigatoriedade de controle de estabilidade e de luzes de condução diurna como itens de série em todos os carros novos nacionais foi postergada para 2024, atendendo ao pedido ao governo das montadoras, via Anfavea, que se justifica - ram alegando as dificuldades provocadas pela pandemia. A inclusão de testes de impacto lateral para homologação de novos veículos também foi adiada em dois anos. Alejandro Furas observou ainda que existemmuitos carros produzidos no País e que são exportados para o México que estão sendo substituídos, lá, por modelos feitos na Índia: “Isso diz muita coisa. Não vou discutir questões de custos ou im- postos, mas em termos de produto acho preocupante que a indústria brasileira fique tão para trás”. Reprodução/Internet
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