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7 AutoData | Julho 2022 Acervo pessoal CEZAR DE AGUIAR MORREU NA AUSTRÁLIA O diário O Estado de S. Paulo, na sua edição da terça-feira, 5 de julho, comunicou a morte do físico Augusto Cezar Saldiva de Aguiar. Ele morreu de causas não declaradas em 30 de junho e foi velado na Funeral Home de Perth, Capital da Austrália Ocidental. No Brasil destacou-se pelo seu trabalho na Scania e na vida associativa, como grande incentivador e fundador da AEA, Associação Brasileira de Engenharia Automotiva, que presidiu. Ao se aposentar dedicou-se a atividades sempre relacionadas às suas áreas de interesse, particularmente a inteligência artificial, por meio da Tecknowledge International. CEZAR DE AGUIAR MORREU NA AUSTRÁLIA 2 Conheci-o na década dos 80, quando trabalhava na revista Quatro Rodas, apresentado pelo seu chefe de reportagem, Luiz Bartolomais Júnior: ele era dos poucos especialistas em mobilidade – vejam: ele já utilizava a palavra mobilidade quarenta anos atrás! – que ficavam muito à vontade para falar do álcool carburante e do óleo diesel, seu interesse mais direto, e de células de combustível. E dos óleos vegetais usados como combustível. E de não sei o que lambda. Divertia-se quando o qualificavam como engenheiro. Mas, acredito, o que mais nos aproximou foi ser primo de amigo meu, já gente muito grande, o agrônomo por Piracicaba e geneticista Warwick Estevam Kerr, aquele que trouxe para o Brasil o primeiro enxame de abelhas africanas, aquelas mesmas que deram a volta ao mundo depois de fugirem de seus quadros em Rio Claro, SP, em próprios da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, da qual era professor. Quando estive recolhido a um presídio da ditadura, Kerr, em correspondência, lembrava a experiência dos campos de concentração da Segunda Guerra e me aconselhava a juntar especialistas para darem aulas uns aos outros. Grande Warwick!!!, que enxergava longe e só não foi Prêmio Nobel porque a ditadura civil-militar trabalhou fortemente contra. CEZAR DE AGUIAR MORREU NA AUSTRÁLIA 3 Aguiar foi dos primeiros colaboradores da newsletter AutoData, daqueles retratados a bico de pena, sempre escrevendo sobre mobilidade e energia, sobre a interferência eletromagnética na avenida Paulista, sobre o bug do milênio em 1999... Com a AutoData Editora em pleno processo de crescimento convidei-o a coordenar a publicação AutoData Tech, edição mensal dedicada à mobilidade e às ciências. Foi um sucesso editorial e um fracasso comercial: começamos em outubro de 1995 e chegamos à quarta, e última, edição no janeiro seguinte. Era empolgante lidar com a Tech pela qualidade de conhecimento que fomentava. Música era outra área de seus interesses: pianista exímio foi produtor de discos com o selo CDA, de Contemporary Digital Arts, obras-primas do jazz e da música clássica. Dedicou-se, igualmente, à culinária por meio de uma escola que ensinava a processar e a produzir alimentos... por meio de conhecimentos da física e da química.

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