11 AutoData | Fevereiro 2026 Considerando este histórico de recordes qual é o limite do crescimento das vendas de usados? Trata-se apenas de um momento, por causa do alto preço dos veículos novos, das taxas de juros altas e da maior oferta dos frotistas? Ou o consumidor brasileiro criou uma cultura de consumir seminovos que muitas vezes são mais equipados do que os novos e têm preço menor? Acredito que todos esses fatores passarão a contribuir de forma contínua nos próximos anos com o crescimento do mercado de veículos usados. Sobre o limite ele é definido, de fato, pela nossa frota circulante. Precisamos entender que o mercado de usados é estritamente complementar ao de novos: o carro zero- -quilômetro vendido hoje é o estoque de usado de amanhã. Se a venda de novos cai teremos dificuldades futuras de reposição. Temos um exemplo claro disso com os veículos fabricados em 2020 e 2021, cuja produção foi drasticamente reduzida pela pandemia e falta de componentes: hoje essa frota de usados é menor e mais difícil de encontrar. Portanto, a manutenção do ciclo de vendas do carro novo é essencial para que o mercado de seminovos continue tendo fôlego para crescer. E quanto à rentabilidade do negócio? As margens são adequadas para a sustentabilidade de quem negocia usados no Brasil? Atualmente as margens são extremamente apertadas. A razão volta ao ponto da oferta e demanda: como temos dificuldade em repor o estoque de bons veículos as revendas acabam pagando mais caro para garantir o produto, o que “ O mercado de usados é estritamente complementar ao de novos: o carro zero-quilômetro vendido hoje é o estoque de usado de amanhã. Se a venda de novos cai teremos dificuldades futuras de reposição.” consumidor com relação ao carro usado. A profissionalização do setor e o uso de novas ferramentas de precificação trouxeram a segurança que faltava. Hoje o comprador muitas vezes chega à revenda com mais informações sobre o produto e o preço do que o próprio vendedor, tamanha a facilidade de pesquisa. Outro ponto é o envelhecimento da frota nacional, que hoje tem média de dez a onze anos de uso. Quando o proprietário de um carro antigo decide trocar ele geralmente opta por um modelo apenas alguns anos mais novo, e isso vai alimentando uma cadeia de trocas, em que uma venda puxa outra. Finalmente, em 2025, superamos o gargalo da oferta de veículos usados que havia. Com a normalização da produção pós-pandemia as montadoras voltaram a oferecer descontos para grandes frotistas e locadoras. Isso permitiu que as locadoras despejassem aproximadamente 600 mil veículos seminovos no mercado em 2025, o que gerou um efeito em cascata, permitindo que carros de diversas faixas de idade voltassem ao circuito de vendas.
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