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12 FROM THE TOP » JOSÉ ÉVERTON FERNANDES, FENAUTO Fevereiro 2026 | AutoData fatalmente reduz a margem de lucro. O grande segredo para a sobrevivência e sustentabilidade hoje não está na margem alta por unidade, mas sim na excelência da gestão e, principalmente, no giro rápido do estoque. Qual é a expectativa de desempenho para o mercado de seminovos e usados neste 2026? Ainda é um pouco cedo para cravarmos projeções definitivas para 2026, pois o ano reserva variáveis importantes. Eventos como Copa do Mundo e o período de campanhas eleitorais geralmente tendem a impactar as vendas de forma negativa ou, no mínimo, trazer distração ao mercado. Por outro lado variáveis econômicas podem soprar a favor, como a provável redução na taxa de juros Selic. Além disto o preço do carro novo deve permanecer elevado e distante da realidade de muitos consumidores, o que manterá a necessidade de mobilidade das pessoas voltada para o carro usado. Há uma probabilidade forte de crescimento expressivo, mas agiremos com cautela nas nossas projeções. O mercado de seminovos, aqueles carros com até três anos de uso, foi o que mais cresceu em 2025, com expansão de 40% sobre 2024. Este segmento está capturando parte do mercado de veículos zero-quilômetro? Eu não diria que ele está tirando espaço mas, sim, atendendo à demanda que o mercado de novos não consegue suprir devido aos preços. Reitero: somos mercados complementares. O consumidor que gostaria de um zero-quilômetro mas encontra barreiras no preço, na tributação ou no custo elevado dos novos itens de segurança exigidos por lei acaba migrando naturalmente para o seminovo. Sobre as dificuldades de quem compra um veículo usado o que pesa mais: o cadastro negativado pela inadimplência que impede o financiamento ou são as taxas de juros que inibem o comprador? A taxa de juros é, sem dúvida, o fator mais determinante para inibir a compra. A inadimplência, muitas vezes, é consequência de um crédito que se tornou excessivamente caro para o bolso do cidadão. Para o consumidor bem-intencionado, que é a grande maioria, o custo do dinheiro pesa muito mais na decisão de compra do que qualquer outro fator. Os veículos mais velhos, com mais de nove anos de idade, ainda representam 60% das negociações no mercado de usados? Estes modelos ainda são um bom negócio para o revendedor, dada a degradação do produto e a falta de laudos para comprovar sua integridade? “ Em 2026, eventos como Copa do Mundo e o período de campanhas eleitorais tendem a impactar negativamente as vendas de veículos. Mas variáveis econômicas podem soprar a favor, como a provável redução dos juros.”

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