27 AutoData | Fevereiro 2026 das importações de veículos com 120,3 mil unidades, saltou para 37,6% em 2025 com 187,3 mil unidades – alta de 55,7%. Nunca antes um único país sem acordo comercial, não pertencente ao Mercosul ou México, havia chegado tão perto de liderar as importações brasileiras. A Argentina, que historicamente ocupava o posto com folga, recuou de 224,7 mil unidades em 2024 para 200,3 mil em 2025, mantendo a liderança, mas com margem cada vez menor. O crescimento chinês é alimentado principalmente por veículos eletrificados que pagam imposto de importação reduzido – híbridos, elétricos puros e híbridos plug-in –, segmento no qual a indústria local ainda engatinha. Pimenta destaca que a entrada da China não é apenas uma questão de preço: “As marcas chinesas começam a ter um pacote de alto conteúdo: conectividade, alta tecnologia, design. Isso de alguma forma pode ter provocado um deslocamento até na referência do consumidor. Você tem um pacote de entrada, eu diria, indo até mais para o marketing, mais aspiracional, que eleva o nível da competitividade”. O diretor da BMJ pondera que o carro nacional não vai “simplesmente desaparecer”, mas que a questão central é a relevância que ele ganha ou perde no mix e nas margens se a indústria local não conseguir também oferecer modelos eletrificados competitivos. IMPACTO NAS IMPORTAÇÕES Igor Calvet, presidente da Anfavea, projeta uma mudança de cenário para 2026: “Nossa expectativa é que o fluxo de entrada de modelos eletrificados importados se reduza ao longo de 2026, com o início da produção nacional de veículos híbridos e elétricos em diversas fábricas instaladas no País, o fim dos incentivos à importação de kits SKD e CKD e a recomposição da alíquota do imposto de importação [para 35%], prevista para julho”. Para Roa, porém, a simples substituição das importações chinesas por produção local não é assim tão direta: “O mercado brasileiro de veículos leves tem espaço tanto para a produção local quanto para a importação, não havendo uma substituição direta que reduza significativamente as importações”. Segundo estima o especialista da KPMG os volumes de importações devem ser mantidos em 2026, pois mesmo que alguns modelos sejam montados localmente outras marcas chinesas, ou as próprias BYD e GWM, que já têm linhas de montagem em operação, trarão novos modelos importados para complementar o portfólio no mercado brasileiro. Pimenta concorda: “Poderão importar produtos de nichos, premium, de menor volume. Então é um plano muito mais de portfólio”. Ele menciona ainda a nacionalização de partes da produção e o aumento do ritmo produtivo, que leva tempo. “Haverá uma mudança de matriz sim, em que o ambiente nacional, com a produção local, tende a incorporar novas tecnologias para oferecer para o consumidor mais exigente, mas a importação tende a seguir. De alguma forma há perspectiva de incremento parcial, apoiada e ancorada em nichos específicos.” OBRIGAÇÃO DE EXPORTAR O início das operações das fábricas da BYD em Camaçari, BA, e da GWM em Iracemápolis, SP, representa um capítulo novo na história do setor automotivo no Brasil. A montagem local deve gerar efeito de confiança no consumidor brasileiro, que Divulgação/Hyundai
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