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29 AutoData | Fevereiro 2026 tados passam a ser fabricados aqui novos modelos importados ocupam seu espaço nas concessionárias. ELETRIFICAÇÃO ESTRATÉGICA O debate sobre as exportações, no entanto, não pode ser separado da questão da eletrificação. O Brasil compete com a China nos mercados onde o portfólio de combustão ainda tem relevância – especialmente na Argentina, que mantém clientela fiel ao motor a combustão. Mas, nos mercados que estão migrando para veículos eletrificados, a indústria brasileira perde espaço de forma sistemática. Pimenta alerta para o risco de as exportações brasileiras de veículos ficarem restritas a mercados e segmentos com menos conteúdo tecnológico: “Isso pode levar a uma perda de espaço em nicho urbano”. Ele ressalta que os híbridos são um novo padrão de competitividade em parte do mercado no Brasil, oferecendo mais tecnologia e menor consumo de combustível, o que é um fator importante de consumo: “Quanto mais essas novas tecnologias forem incorporadas mais rapidamente no processo de produção nacional mais tendem a ganhar, propondo um novo modelo de consumo e ampliando a base no Brasil e também nos países da América Latina”. Para Roa existe uma fragilidade: “O Brasil perde mercados de novos portfólios, principalmente eletrificados, para a China, que está crescendo significativamente na exportação de veículos elétricos e híbridos e aproveitando seu menor custo industrial e foco na eletrificação. Para retornar aos patamares de exportação de 2017 o Brasil precisa recompor e ampliar seu portfólio de projetos com eletrificação, tornando-se protagonista na tecnologia híbrida flex”. O híbrido flex – tecnologia que combina o motor elétrico com outro bicombustível gasolina-etanol dá ao Brasil vantagem comparativa global por já ter consolidada a produção e uso do biocombustível – é apontado como a grande aposta do setor para diferenciar o produto nacional. Mas a conquista de novos mercados com este portfólio exige coordenação da indústria com o governo, o que, como lembra o executivo da KPMG, “não é trivial”. PRODUTOR QUE NÃO EXPORTA O dado que mais incomoda não está nas tabelas de comércio exterior mas no que elas revelam por omissão. O Brasil é o oitavo maior produtor de veículos do mundo, mas exporta apenas 20% do que produz. Nos cinco maiores produtores globais a proporção é muito superior. Pimenta identifica questões estruturais que limitam as exportações: “O Brasil hoje tem concentração regional muito forte em termos de exportação, restritas às economias da região da América Latina, aos fluxos, às instabilidades, a questões estruturais de cada economia”. Segundo ele avalia não existe diluição do risco da atividade exportadora do setor automotivo. Ele questiona e responde: “Como diluir isso? Abrindo novos mercados”. Pimenta defende a abertura gradual de novos mercados para ter acesso a eles de forma contínua. Ele afirma que só se aumenta a exportação com dois movimentos: elevando a base exportadora com novos clientes e novos mercados. Mas há obstáculos para cumprir esta tarefa e o maior deles é custo Brasil, que limita as possibilidades de exportação diante de um mercado global extremamente competitivo: “Energia, logística, escala, toda a questão de cadeias regionais Divulgação/Stellantis

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