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30 Fevereiro 2026 | AutoData INDÚSTRIA » COMÉRCIO EXTERIOR já construídas que facilitam a exportação. Tudo isso afeta muito o preço final e a decisão de onde você vai alocar a produção”. AUSÊNCIA DE MARCA NACIONAL Para Roa a raiz desse problema é estrutural: “O Brasil foca muito no mercado interno enquanto os cinco maiores produtores exportam globalmente em grande volume. A inexistência de uma marca automotiva nacional forte, ou de uma multinacional brasileira que produza em outros locais para ter um portfólio global, impede o Brasil de competir efetivamente no cenário internacional”. Esta situação faz com que o Brasil permaneça refém em termos de tecnologia e competitividade, dificultando a conquista de novos mercados. A ausência de uma marca nacional é, neste contexto, mais do que uma questão de orgulho industrial – é uma limitação competitiva concreta, diz Roa: “Sem uma empresa que tome decisões de portfólio e mercado a partir de interesses brasileiros a indústria instalada no País continuará exportando o que as matrizes europeias, estadunidenses e, cada vez mais, asiáticas decidirem fabricar aqui”. O saldo de 2025 é, portanto, ambivalente. As exportações cresceram com força em volume, mas por razões conjunturais que podem ser efêmeras – a recuperação argentina – e não estruturais. Ao mesmo tempo as importações se diversificaram, com a China ocupando espaço crescente que dificilmente será retomado. Nesse contexto 2026 promete mais do mesmo: estabilidade nas exportações, para os mesmos mercados de sempre, ajuste gradual nas importações com a chegada da produção local eletrificada e o desafio de longo prazo de transformar o Brasil de um grande produtor para consumo interno em um exportador relevante. A queda do dólar, caso se consolide, pode ser um vento contrário adicional às exportações, ao mesmo tempo em que juros elevados continuam pressionando o mercado interno. O cenário macroeconômico, portanto, tampouco favorece saltos ao Exterior da indústria. O que 2025 mostrou com clareza é que o Brasil sabe produzir – o desafio continua sendo conquistar o mundo com o que produz. Divulgação/VW

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