53 AutoData | Fevereiro 2026 çou com mistura ao diesel fóssil de 2% em 2008, o B2, subiu a B5 no ano seguinte, B10 em 2019 e chegou ao B15 no ano passado, com meta de aumentar para B20 até 2030 e B25 depois disso – a média de mistura nos dez maiores países consumidores está estacionada em apenas 2%. Também já rodam pelo País caminhões abastecidos com B100 e o biometano surge como alternativa promissora para a frota de veículos pesados. PREÇO X VALOR Uma das principais motivações contra o aumento do uso de biocombustíveis é o fato de que, até agora, eles são mais caros em comparação aos combustíveis fósseis e as misturas elevam todos os preços nas bombas de abastecimento. Professor e pesquisador chefe do Laboratório de Genômica e Bioenergia da Unicamp Gonçalo Pereira pondera que “provavelmente os biocombustíveis nunca vão competir em custos com os derivados de petróleo, nunca serão mais baratos, mas é necessário entender a diferença de preço e valor”. O professor acredita que, em vez da propagada tese de que só compensa abastecer com etanol quando o preço estiver abaixo de 70% do cobrado pelo litro da gasolina, o País deveria promover ao público os valores do biocombustível: redução de 75% nas emissões de CO2 e de poluentes nocivos à saúde, geração de empregos na cadeia produtiva quarenta vezes superior ao do setor de petróleo, recuperação de solos degradados e fortalecimento da indústria e tecnologia nacionais. Alguns estudos comprovam as melhorias socioeconômicas, desde os anos 2000, trazidas para as áreas de produção de biocombustíveis no Brasil, com aumento não só da renda mas, também, dos níveis de escolaridade e alfabetização. Municípios que abrigam usinas de bioetanol registraram crescimento do PIB. Uma nova usina aumentou o PIB per capita de uma região em pouco mais de US$ 1 mil no primeiro ano e outros US$ 1 mil em dez anos. A produção de biodiesel compra a produção de 75 mil pequenos plantadores de soja e já criou 1,1 milhão de empregos na agroindústria. “Não estamos jogando o jogo certo”, reforça Pereira. “Precisamos, urgentemente, promover uma campanha para conscientizar as pessoas, principalmente os jovens e as crianças, com informações precisas e bem apresentadas sobre os benefícios incontestáveis dos biocombustíveis.” GIGANTE DESPERCEBIDO Mesmo estando à frente do resto do mundo na produção e uso de bioenergia o País ainda tem muito a avançar para assegurar os benefícios desta rota de descarbonização. As palavras, na forma de alerta, são de Gláucia Mendes Souza, professora titular e pesquisadora do Instituto de Química da USP, além de líder da Força Tarefa para Descarbonização do Transporte da IEA, a Agência Internacional de Energia, e coordenadora do Programa de Pesquisa em Bioenergia Bioen, da Fapesp: “Apesar de todo o potencial envolvido as iniciativas atuais não são suficientes para garantir a produção necessária de biocombustíveis nem o incentivo ao seu uso no futuro”. A professora cita algumas projeções da IEA que comprovam a necessidade de acelerar a biotransição dos transportes. Segundo calculou a agência em 2023, para alcançar a neutralidade de carbono o uso de biocombustíveis no mundo precisa crescer 2,5 vezes de hoje até 2030, para evitar a emissão de quase 800 milhões Fotomontagem Freepik
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