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56 Fevereiro 2026 | AutoData BIOTRANSIÇÃO ENERGÉTICA » A ROTA DOS BIOCOMBUSTÍVEIS nos veículos bioelétricos, os híbridos flex, produção de hidrogênio verde ou de baixo carbono e novas fontes energéticas de biomassa; • adotar políticas públicas que garantam previsibilidade e segurança jurídica para desenvolvimento e adoção de tecnologias; e • exportar biocombustíveis e internacionalizar seu uso como solução adequada e eficiente para descarbonizar os transportes, com a comprovação de que sua produção não provoca desmatamento nem compete com culturas agrícolas para alimentação. “Se não for dada atenção adequada a esta agenda o Brasil ficará para trás quando chegarmos em 2040”, teme Luzzi. Ao mesmo tempo ele destaca que há boas chances de sucesso nesta rota: “Existem vário desafios estruturantes mas nenhum que o País não tenha condições de endereçar”. BRASIL É EXEMPLO “A liderança climática do Brasil não é apenas baseada em visões de longo prazo, mas em cinquenta anos de resultados concretos”, afirma Luzzi. “Aprendemos que a descarbonização eficaz é aquela que também gera emprego e fortalece a economia. A rota brasileira une o sucesso do etanol, o potencial do biodiesel e do biometano, e o avanço da bioeletrificação. É um caminho testado e disponível para acelerar a transição energética global de forma justa, imediata e pragmática.” Baseados neste exemplo, durante a COP30, a Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas, realizada em Belém, PA, em novembro de 2025, a Unica, entidade que reúne produtores de açúcar e etanol, a Anfavea, associação dos fabricantes de veículos instalados no Brasil, e o Instituto MBCBrasil assinaram conjuntamente a Carta de Belém. O documento propõe um esforço internacional coordenado para quadruplicar a produção de biocombustíveis no mundo. A proposta parte do diagnóstico de que a humanidade está atrasada na descarbonização e não conseguirá alcançar a meta de limitar o aquecimento global em 1,5°C sem a combinação da eletrificação com combustíveis sustentáveis e novas tecnologias, um caminho que já é percorrido no Brasil. No texto as entidades replicam o cálculo que os esforços de transição energética deverão custar a estratosférica soma de US$ 30 trilhões até 2030. A proposta é que parte relativamente pequena deste enorme valor, algo como US$ 1,3 trilhão, seja direcionada ao desenvolvimento de combustíveis sustentáveis, sugerindo que a transição deve começar pelo que está pronto, é seguro e escalável. Uma vez livre de preconceitos, falsos dilemas e complexos de inferioridade a biotransição energética traz muitas oportunidades e uma nova possibilidade para o Brasil melhorar o mundo. Freepik

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