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60 Fevereiro 2026 | AutoData DEMANDA ABAIXO DO POTENCIAL Apesar de sua aparente grande e consolidada penetração como combustível amplamente produzido e utilizado em solo brasileiro, no resto do mundo o etanol tem utilização marginal e ainda há muito espaço para avançar dentro do Brasil. As áreas de cana e milho destinadas à produção de etanol atualmente ocupam menos de 1% do território nacional, pouco mais de 8 milhões de hectares, segundo dados da Embrapa. A instituição também calcula que existe hoje área 3,5 vezes maior do que esta, de 28 milhões de hectares – uma Itália – de pastagens degradadas com potencial de recuperação para abrigar novas culturas produtivas. Ou seja: é possível multiplicar algumas vezes a produção de etanol de cana e milho no País sem derrubar uma única árvore. Isto sem contar novas fontes promissoras, como o agave (leia reportagem nesta edição), que pode ser plantado nos 108 milhões de hectares que formam o Semiárido Brasileiro, na Região Nordeste, no lugar onde poucas culturas agrícolas podem prosperar – se apenas 3,5% deste território fosse plantado com agave já seria possível produzir 37,8 bilhões de litros de etanol, o equivalente a dobrar a produção nacional. A própria cultura de cana poderia aumentar em 50% sua produtividade por meio do processamento do etanol de segunda geração, ou celulósico, obtido por meio de reações enzimáticas com bagaço e palha que sobram nas usinas – atualmente utilizados só como biomassa para geração própria de energia por meio da queima em caldeiras. Esta alternativa produtiva, embora já dominada e com investimentos anunciados, tem menores possibilidades de prosperar no País pois o etanol celulósico é mais caro e ainda não há demanda suficiente para justificar sua produção. O problema, portanto, não está na oferta, mas na demanda: para quem vender todo o etanol adicional que a indústria sucroalcooleira tem capacidade de produzir? Estima-se que a demanda por etanol precisaria crescer 40% para dar conta de absorver só a oferta adicional projetada do biocombustível de milho que deverá entrar no mercado até 2033, segundo calcula a Unem, União Nacional do Etanol de Milho, com base nos investimentos anunciados em novas usinas. Embora exista no horizonte a probabilidade de aumento do consumo global de etanol – principalmente para produção de combustível marítimo e de SAF, bioquerosene de aviação – não há contratos firmes à vista. Além disto o produto brasileiro enfrenta uma acirrada competição com os Estados Unidos, maior produtor de etanol do mundo, na frente do Brasil, que faz biocombustível de milho com custos mais baixos das usinas movidas a gás natural– e por isto com emissão de CO2 fóssil maior no ciclo de produção, ao contrário do Brasil que usa bioeletricidade da queima do bagaço da cana e outras BIOTRANSIÇÃO ENERGÉTICA » ETANOL Divulgação/Volkswagen Carro flex: opção de abastecer com gasolina ou etanol deu novo fôlego ao biocombustível brasileiro.

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