62 Fevereiro 2026 | AutoData POTENCIAL TRAVADO O cenário de hoje se mostra contrário ao crescimento: a participação do etanol no abastecimento dos veículos no ano passado, no Brasil, ficou 1 ponto porcentual abaixo do registrado em 2024 e a fatia dos carros flex nas vendas de 2025 foi a menor em vinte anos, alcançando 74%, contra 79% um ano antes. É evidente a perda de mercado dos modelos flex para elétricos e híbridos – ainda que parte relevante destes, não contabilizada, seja de híbridos flex já produzidos no País. A principal barreira para o crescimento do uso do E100 no Brasil está no preço. Fora dos polos de maior produção, nos estados do Centro-Sul, é mais barato abastecer com gasolina, considerando a menor autonomia conferida pelo biocombustível, de 70% do fóssil – conta ultrapassada, pois não considera avanços tecnológicos dos motores flex nem o aumento do teor de etanol anidro na gasolina, mas é o cálculo que o consumidor ainda faz. “É preciso separar preço e valor: o biocombustível sempre será mais caro, mas tem o valor de seus benefícios socioambientais, com redução de emissões, recuperação de solos degradados e geração de emprego e renda”, repensa Gonçalo Pereira, professor da Unicamp especialista pesquisador em culturas agrícolas de bioenergia. “Precisamos urgentemente explicar isto ao consumidor.” O manicômio tributário brasileiro contribui em muito para distorções de preços. Nos estados o ICMS cobrado da gasolina C, E30, é homogêneo no Brasil inteiro, foi fixado em R$ 1,57 por litro em janeiro de 2026. Já para o etanol cada Estado cobra seu preço baseado em estratégia arrecadatória e incentivos a setores de interesse. Em São Paulo, maior produtor nacional de etanol, o imposto estadual é de R$ 0,505 por litro. O Mato Grosso, que sedia a maioria das usinas de etanol de milho, é o que cobra menos: R$ 0,373/l. Amazonas, Roraima e Amapá têm o maior custo tributário para o etanol, acima de R$ 1,00/l, e no Rio Grande do Sul é de R$ 0,793/l – não à toa estes estados têm cidades com postos que sequer têm bombas de etanol e a participação do E100 no abastecimento é ínfima, de apenas 2,3% no Rio Grande do Sul e de 0,7% no Amapá, que ostenta o índice mais baixo do País. Para piorar o ICMS sobre o etanol é cobrado no Estado de origem e, ainda que seja repassado ao destino, o mecanismo incentiva estados não produtores a consumir mais gasolina, pois assim arrecadam mais. A reforma tributária, com a substituição do ICMS pelo IBS e a cobrança no mercado estadual de destino, contribuirá para eliminar esta distorção, mas a nova legislação só entra em vigor parcialmente a partir de 2029 e estará totalmente estabelecida apenas em 2033. BIOTRANSIÇÃO ENERGÉTICA » ETANOL Usina de cana: produção de etanol em alta escala com bioenergia extra do bagaço e biometano da vinhaça. Usina de etanol de milho: expansão acelerada. Freepik Reprodução Internet
RkJQdWJsaXNoZXIy NjI0NzM=