63 AutoData | Fevereiro 2026 Corolla Cross híbrido flex: combinação de etanol com eletrificação tem menos emissão de CO2 do que carros elétricos na Europa ou China. Divulgação/Toyota O custo tributário no Sul e no Norte do País aplicado sobre o etanol é turbinado pelos custos logísticos de transporte das regiões produtoras, concentradas em apenas seis estados, que juntos respondem por mais de 80% do consumo interno de E100, com participação próxima de 45% no abastecimento da frota de veículos otto – porcentual que é quase o dobro da média nacional. Outro fator de influência está na flutuação da cotação do açúcar, que quando sobe incentiva usineiros produzirem menos etanol, o que eleva os preços do biocombustível. A desvalorização do petróleo também afeta o E100 pois aumenta ainda mais sua desvantagem de custo. Os CBios, créditos de descarbonização criados pelo Renovabio, que são vendidos pelos produtores de biocombustíveis e devem ser obrigatoriamente comprados por distribuidores de combustíveis fósseis, em tese deveriam ajudar a reduzir a diferença de preço do etanol para a gasolina. Mas até o momento, na prática, este mecanismo pouco afetou os preços nos postos. PERSPECTIVA POSITIVA Apesar de todos os entraves analistas confiam que a maioria deles será mitigada ou retirada do caminho com o tempo, por força das obrigações legais e iniciativas voluntárias de descarbonização. Ainda que com perda de mercado para veículos elétricos e híbridos os modelos flex continuarão a ser dominantes, com participação na frota nacional que deve cair dos atuais 79% para 62% em 2040, o equivalente a 39 milhões de veículos leves. É o que projeta o estudo Iniciativas e Desafios Estruturantes para Impulsionar a Mobilidade de Baixo Carbono no Brasil até 2040, recentemente elaborado pela LCA Consultoria Econômica, por encomenda do Instituto MBCBrasil, organização multissetorial focada em promover a redução das emissões de carbono fóssil dos veículos no País, sem defender nenhuma tecnologia específica. Em um cenário que prevê o crescimento da participação do E100 nos veículos flex de 36,4%, em 2025, para 45% em 2040, e a expansão da mistura de etanol à gaso-
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