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66 Fevereiro 2026 | AutoData BIOTRANSIÇÃO ENERGÉTICA » ETANOL Natural e Biocombustíveis, até outubro de 2025 havia 22 empreendimentos em andamento, sendo cinco ampliações de usinas já em funcionamento e dezessete novas plantas em construção. Há apenas dez anos a exploração do milho para produção de etanol era praticamente inexistente no Brasil, mas o enorme potencial bioenergético desta biomassa se consolidou rapidamente e está em ritmo acelerado de expansão porque oferece muitas vantagens. Nas regiões de maior cultivo a soja se alterna no mesmo terreno com o milho, em uma rotação de culturas que favorece a produtividade. Apenas uma pequena porção da segunda safra brasileira de milho, que representa a maior parte da produção nacional – plantada após a soja e colhida de junho a setembro –, é utilizada para fazer etanol, com grande produtividade: no ano passado 6,5 milhões de toneladas de milho, menos de 5% da colheita do grão, produziram 8,2 bilhões de litros de etanol e 5 milhões de toneladas de DDG, sigla em inglês para grãos secos de destilaria, um coproduto nobre rico em proteínas, gordura e fibra, amplamente utilizado como ração animal de alto valor energético e proteico para a criação de bovinos. A produção de etanol utiliza apenas o amido do milho, o que sobra é o DDG, que gera receita extra com o fornecimento de matéria-prima de rações para pecuária. Apesar desta vantagem, no entanto, o processo produtivo é mais complexo que o da cana e não sobra bagaço para produzir energia elétrica para as usinas, que precisam comprar eucalipto ou outra biomassa para gerar eletricidade livre de carbono fóssil. PARA DESTRAVAR O POTENCIAL Segundo a análise do estudo da LCA, para destravar todo o potencial futuro do etanol alguns pontos precisam ter encaminhamento nos próximos anos: • melhorar o poder calorífico para aumentar a autonomia e reduzir a diferença de preço com relação à gasolina, o que pode ser feito com redução do teor de água e aplicação de tecnologias para aumentar a eficiência dos motores, como a eletrificação; • assegurar a expansão de áreas de cultivo de biomassa sem desmatamento nem competição com alimentos; • superar preconceitos, como a crença de parte da população de que etanol prejudica o veículo; • intensificar a fiscalização para garantir a qualidade do etanol vendido nos postos; • criar estoques reguladores de etanol para mitigar variações de preços desfavoráveis ao biocombustível; • adoção de políticas públicas e de financiamento subsidiado para estimular o uso de motores a etanol ou biometano nas máquinas agrícolas e caminhões de distribuição de etanol, retirando emissões de CO2 fóssil do ciclo de produção do biocombustível; e • promover investimentos públicos e privados no desenvolvimento tecnológico para aumentar a produtividade da cana, milho e outras matérias-primas para produção de mais etanol sem aumento de áreas plantadas. Se no passado o etanol foi uma alternativa viável para o Brasil mitigar o problema de escassez e preço alto de um derivado do petróleo no presente é uma solução pronta e eficaz para reduzir as emissões fósseis veiculares, no futuro é a opção de maior potencial que o mundo já tem para descarbonizar os transportes e contribuir para reduzir o aquecimento global. Divulgação/Case IH

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