72 Fevereiro 2026 | AutoData de 0,5% a 1% da receita bruta em pesquisa e desenvolvimento. Com o patrocínio da Shell, que destina investimento de R$ 100 milhões no projeto, os horizontes foram ampliados, encampando o objetivo de estruturar toda uma nova cadeia agroindustrial do agave, desde o desenvolvimento de espécies mais produtivas até a mecanização da colheita agrícola e a industrialização de biorrefinarias. Assim nasceu o Programa Brave, oficialmente traduzido pela sigla Brazilian Agave Development – que também serve para identificar a bravura da planta que sobrevive ao clima árido com pouca água e imensa produtividade energética. “O agave é uma planta conservadora, demora de três a cinco anos para chegar à idade produtiva, porque evoluiu em ambiente hostil, esperando a hora certa de crescer para evitar a morte por falta de água”, conta o professor. “O que estamos fazendo é trabalhar com indutores de crescimento, para dizer à planta que ela pode confiar, que o ambiente será protegido, para destravar seu metabolismo e acelerar o ciclo.” A pesquisa biológica, o pilar Brave- -Bio do programa, segue sob liderança BIOTRANSIÇÃO ENERGÉTICA » AGAVE/PROJETO BRAVE do professor Gonçalo Pereira no LGE da Unicamp, que também trouxe para o projeto a colaboração de parceiros acadêmicos: a Esalq/USP para estudos de solos, a Unesp para técnicas de tratamento de biomassa, e a UFRB, Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, como unidade de apoio próxima ao Semiárido. As primeiras quarenta mudas de agave tequilera, importadas do México, chegaram à Unicamp em janeiro de 2022, dando início a experiências com cruzamentos e processos de melhoramento genético. “Quando começamos não sabíamos sequer o desempenho destas plantas no Brasil. Hoje já caracterizamos as espécies, definimos qual será usada na industrialização e desenvolvemos protocolos de cultura”, conta o professor. “Um grande avanço foi desenvolver, em tempo recorde, uma variedade transgênica resistente ao glifosato [herbicida usado para eliminar ervas daninhas e aumentar a produtividade das plantações].” Para estruturar toda a nova cadeia produtiva o Senai Cimatec da Bahia foi associado ao Programa Brave, com injeção de mais R$ 20 milhões da Embrapii, Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial. A instituição é responsável Plantação de agave tequilana no México: lá é para produzir tequila e no Brasil será a mais nova e promissora fonte de biocombustíveis.
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