73 AutoData | Fevereiro 2026 pelo pilar Brave-Mec, que desenvolve a mecanização da colheita do agave, e Brave-Ind, que envolve o projeto industrialização para produção de etanol, biometano e biochar. A primeira biorrefinaria piloto deve entrar em operação até meados de 2026, servindo de exemplo para as futuras usinas de agave. “Eles estão desenvolvendo a primeira colheita mecanizada de agave no mundo”, destaca Pereira. “Até no México eles colhem as folhas manualmente, mas lá é para produzir tequila a US$ 100 o litro. Aqui, com o objetivo de produzir bioetanol por R$ 2,50 o litro o processo não aceita ineficiências.” A Casa dos Ventos, uma das maiores geradoras de energia eólica e solar do País, com diversas usinas instaladas no Nordeste, entrou no Programa Brave como parceiro de campo, cedendo uma área em Jacobina, Sertão da Bahia, para abrigar as primeiras plantações experimentais. A empresa tem interesse estratégico nesta iniciativa com projeto para plantar 10 mil hectares de agave para mesclar a produção de biocombustíveis com sua geração de energia limpa. As biorrefinarias de etanol e biometano precisarão de energia externa para funcionar – porque o agave não produz tanto bagaço quanto a cana para alimentar sua própria geração termoelétrica – e melhor ainda se for de fonte renovável, pois eleva ainda mais os ganhos ambientais do programa. Atualmente cerca de cem pessoas estão envolvidas no Programa Brave, incluindo bolsistas pesquisadores nas universidades e técnicos do Senai-Cimatec. REVOLUÇÃO BIOECONÔMICA O professor Gonçalo está convicto de que, no horizonte de dez anos à frente, o Programa Brave terá engatilhado no Sertão nordestino a maior revolução bioeconômica que se tem conhecimento no mundo. Ele observa que as plantações de agave poderão ser combinadas com outras para aumentar ainda mais a produção de biocombustíveis, como a macaúba – palmeira que oferece a maior produtividade de óleo, três a quatro vezes mais do que a soja, que pode ser utilizado para produção de biodiesel, HVO, óleo vegetal hidrogenado que substitui diesel fóssil sem necessidade de adaptação do motor, ou bioquerozene de aviação, conhecida como SAF, combustível sustentável de aviação. “A macaúba está se adaptando bem ao Sertão mas talvez não produza tanto porque é originária do Cerrado”, pondera Pereira. “Mas também pode se cultivar junto com o agave o licuri, uma palmeira típica do Semiárido que mesmo nas secas mais extremas é a última a morrer. Cada hectare de licuri pode produzir 1,5 mil litros de óleo, três vezes mais do que os 500 litros da soja.” Na visão arguta de um conselheiro científico semeador de bioenergia Gonçalo Pereira vislumbra uma transformação socioeconômica completa em um território dominado pela pobreza extrema: “Primeiro: as plantações de agave e o uso do biochar, carvão vegetal que aplicamos no solo, regeneram a terra, retêm água e criam condições para o plantio de comida onde antes era impossível. Estamos convertendo solo infértil em fértil. Mas não adianta produzir comida se as pessoas não têm dinheiro para comprar. E o projeto também cria este caminho econômico de prosperidade com geração de emprego e renda por meio do cultivo da bioenergia, dando ao sertanejo a condição de comprar o alimento que agora também pode ser produzido ali. É um ciclo virtuoso completo”.
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