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75 AutoData | Fevereiro 2026 grama de desenvolvimento do sistema. Engenheiro químico com mais de dez anos de carreira dedicada ao ensino e pesquisa sobre materiais para células de combustível e baterias Doubek trabalha atualmente ao lado de cerca de trinta pesquisadores no BRE que atuam na fronteira do conhecimento para desenvolver, com domínio tecnológico nacional, uma solução de eletromobilidade aliada ao bioetanol que tem alto potencial disruptivo, pois poderá tornar economicamente viável as células a combustível para veículos eletrificados, até agora muito caras. POTENCIAL FINANCIADO O potencial desta pesquisa já foi vislumbrado por treze empresas que patrocinam o projeto – a maioria delas do setor automotivo, como AVL, Bosch, Nissan, Toyota, Scania, Stellantis e Volkswagen. Por meio da Fundep, uma das instituições autorizadas a repassar recursos do Rota 2030/Mover para pesquisas estratégicas do setor automotivo, estas empresas patrocinadoras já realizaram duas tranches de investimento no projeto. A primeira injeção de recursos, de R$ 2,7 milhões, foi aportada em 2022, para desenvolvimento do material cerâmico da célula de combustível, em fase do projeto encerrada em 2025. Mais R$ 9 milhões, também originados na Fundep/Mover, foram recentemente aprovados para financiar o desenvolvimento da primeira linha piloto de manufatura da América Latina de SOFC [Solid Oxide Fuel Cell, ou Célula de Combustível de Óxido Sólido], em processo estimado para levar mais três a quatro anos. O financiamento não reembolsável justifica a importância do projeto e torna viável este tipo de iniciativa no Brasil, que une o setor privado a universidades e institutos de pesquisa por meio de mecanismos de subsídios que driblam o alto custo dos investimentos no País. No caso os fundos atualmente utilizados por instituições como o BRE foram criados pelo Rota 2030, lançado pelo governo em 2018 e sucedido, desde 2023, pelo Mover, Programa Mobilidade Verde e Inovação. Ambos os programas utilizam recursos que antes fabricantes de veículos e de autopeças pagavam de imposto de importação reduzido, o ex-tarifário de 2%, aplicado sobre componentes automotivos sem produção nacional. ESCOLHA ESTRATÉGICA Para Doubek a opção pelo desenvolvimento das SOFC a etanol é estratégica para o desenvolvimento de tecnologia nacional: “Ainda bem que o mundo escolheu a tecnologia de PEM para desenvolver células a combustível para veículos elétricos, porque assim temos baixa competição global para fazer as SOFC no Brasil”. Dois dos patrocinadores do projeto da Unicamp fizeram testes de campo no Brasil com um furgão Nissan elétrico equipado com sistema desenvolvido pela AVL, de célula a combustível de óxido sólido alimentada com etanol. Durante 2016 e 2017 o veículo rodou pelo País sendo abastecido em postos com o E100 brasileiro. Embora os resultados tenham sido considerados promissores não houve evolução da iniciativa para um modelo economicamente viável, enquanto o BRE seguiu desenvolvendo uma rota tecnológica aparentemente mais flexível e barata. A tecnologia da geração de energia com pequenas usinas eletroquímicas, por meio da injeção de hidrogênio puro em células a combustível, já é conhecida há muitas décadas – nos anos 1960 esses O professor Gustavo Dubek: pesquisa avançada com células de combustível alimentadas com etanol recebe recursos do Rota 2030/ Mover.

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