76 Fevereiro 2026 | AutoData módulos foram utilizados para gerar eletricidade a bordo das missões espaciais da Nasa. Desde os anos 1990, quando começaram a surgir os primeiros alertas de mudanças climáticas que exigiriam a substituição de combustíveis fósseis, fabricantes de veículos vêm desenvolvendo veículos elétricos com células de hidrogênio. Embora montadoras como Toyota, Hyundai e GWM já tenham modelos à venda, o custo ainda é muito elevado. O problema está no alto custo das células PEM, até agora as únicas utilizadas nos FCEV, Fuel Cell Electric Vehicle. As PEMFC, Proton Exchange Membrane Fuel Cell, geram eletricidade a partir da reação química do hidrogênio com o oxigênio do ar – e por isto o único subproduto é vapor d’água, H2O. Mas estes módulos são produzidas com metais caros, como platina, e membranas poliméricas de fluoropolímero, um tipo de plástico de alta resistência, também de alto custo. Já as células com paredes de óxido sólido, as SOFC, geram a mesma eletricidade mas são produzidas com matérias- -primas cerca de quatro vezes mais baratas. Segundo calcula Doubek o custo dos materiais empregados em uma PEMFC giram em torno de US$ 14 por quilowatt, enquanto na SOFC este valor cai para US$ 3/kW. “Apesar dos materiais mais baratos atualmente o custo de produção de um módulo SOFC é mais caro do que um PEMFC porque esta tecnologia ainda é pouco utilizada”, pondera o pesquisador. “Mas este custo cai com ganhos de escala de produção ao longo do tempo, enquanto o preço dos materiais das PEMFC dificilmente serão reduzidos.” VENENO DE UM, ALIMENTO DE OUTRO Outra limitação das PEMFC é que este tipo de célula a combustível só produz energia com injeção no módulo de hidrogênio de alta pureza, 99,999%, que é produzido por meio de eletrólise da água ou extraído de combustíveis – como o etanol – por meio de reformadores catalíticos, o que encarece ainda mais o sistema. Esta é justamente uma vantagem da SOFC, que não precisa de hidrogênio puro pois produz energia diretamente a partir do hidrogênio contido no combustível injetado na célula. Doubek esclarece o funcionamento diverso das duas tecnologias: “Enquanto o carbono dos combustíveis envenena as PEMFC ele serve de alimento para as SOFC”. Nos testes realizados na Unicamp as SOFC produziram energia com injeção direta de etanol hidratado, E100, em alta temperatura, com eficiência parecida a uma PEMFC: cerca de 1 W por cm3, ou 0,7 V por célula. Doubek conta que a SOFC funciona bem com etanol puro ou mesmo com hidrogênio sem purificação, extraído do biocombustível por meio de um reformador catalítico de baixo desempenho: “Fizemos testes com ambos, com e sem reformador. Não houve diferença no desempenho da BIOTRANSIÇÃO ENERGÉTICA » CÉLULA A BIOCOMBUSTÍVEL SOFC O furgão Nissan elétrico com célula de combustível alimentadas por hidrogênio extraído do etanol: testes no Brasil com abastecimento em postos de combustíveis regulares. Divulgação/Nissan
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