78 Fevereiro 2026 | AutoData célula, mas provavelmente há diferenças na durabilidade da célula”. O problema é o acúmulo de depósitos de carbono no sistema, o que torna recomendável o uso de um reformador, mas mais barato do que o utilizado para produzir hidrogênio puro injetado nas PEMFC. Este processo reduz a quantidade de carbono injetado nas células de óxido sólido, o que em tese prolonga a vida útil do sistema. DESAFIO TÉRMICO Superadas as fases iniciais do projeto na Unicamp, de escolha das matérias- -primas mais eficientes e do desenvolvimento do processo de industrialização das SOFC, Doubek aponta que o grande desafio futuro para tornar esta solução viável em um carro elétrico é o gerenciamento térmico, que agrega bastante complexidade ao sistema. Isto porque a SOFC trabalha com injeção do etanol nas suas células em alta temperatura, acima de 600°C, enquanto a PEMFC funciona a 80°C. O desafio para equipar um carro com a SOFC é projetar um módulo que se mantenha íntegro nos ciclos térmicos, capaz de aquecer o combustível rapidamente e manter a temperatura de funcionamento. Portanto será necessário desenvolver sistemas de vedação e um compartimento com isolamento de alta eficiência, um cofre térmico bastante pesado para abrigar a célula a combustível junto com um possível reformador e o sistema de aquecimento. O estágio atual do projeto da Unicamp ainda não avança até o desenvolvimento do sistema completo de SOFC para uso em um veículo, que precisa incluir o aparato de aquecimento e isolamento térmico: “Esta é a próxima fase do projeto”, pontua Doubek. Ele calcula que serão necessários mais três a quatro anos para desenvolver o primeiro protótipo completo do sistema, que com os periféricos necessários tem custo estimado de R$ 20 milhões a R$ 40 milhões. O pesquisador avalia que, uma vez desenvolvido o módulo SOFC funcional e economicamente viável, que produz eletricidade diretamente a partir do etanol, os fabricantes de veículos têm recursos para desenvolver o sistema completo – talvez até invertendo a mão da pesquisa científica da eletromobilidade, enviando tecnologia daqui para o mundo. Os professores Gustavo Dubek (primeiro à esquerda) e Hudson Zanin (último à direita) coordenam a equipe de pesquisadores do BRE Unicamp: pesquisa avançada com células de combustível alimentadas com etanol e baterias. BIOTRANSIÇÃO ENERGÉTICA » CÉLULA A BIOCOMBUSTÍVEL SOFC
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