8 FROM THE TOP » JOSÉ ÉVERTON FERNANDES, FENAUTO Fevereiro 2026 | AutoData O boom dos usados O mercado de veículos usados, no Brasil, nunca foi tão grande: em 2025 foram negociadas nada menos do que 18 milhões de unidades, somando motos, automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus. Os 48 mil revendedores espalhados pelo País giraram a fantástica cifra de R$ 1,5 trilhão em negócios, agregando uma carteira ativa de financiamentos de R$ 541 bilhões. É neste cenário que José Éverton Fernandes assumiu, em janeiro, a presidência da Fenauto, entidade que reúne trinta associações regionais de revendedores independentes de veículos. Economista de formação e bem-sucedido empresário do segmento de auto shoppings em Fortaleza, CE, Fernandes tem mais de quarenta anos de atuação na negociação de veículos usados. Agora à frente da Fenauto ele pretende utilizar toda a sua experiência para continuar a profissionalizar e modernizar as revendas por meio do uso de todas as ferramentas tecnológicas que se têm à mão hoje para avaliar, comprar, vender e financiar veículos. Nesta entrevista que concedeu a AutoData Fernandes afirma que este ponto é fundamental para conquistar a confiança do consumidor na hora de negociar seu carro e trocar por outro. Na conversa Fernandes apontou que o fator primordial para o recorde de vendas de usados em 2025, “muito acima do que nós prevíamos inicialmente”, está intimamente ligado com o preço alto dos carros zero-quilômetro, que “forçou consumidores das classes B e C a migrarem para o mercado de usados e seminovos”. Mas ele pondera que esta não é uma situação confortável para os revendedores: “O mercado de usados é estritamente complementar ao de novos: o carro zero-quilômetro vendido hoje é o estoque de usado de amanhã. Se a venda de novos cai teremos dificuldades futuras de reposição”. Atualmente, no Brasil, está mais fácil ou mais difícil ser um revendedor de veículos usados? Esta é uma pergunta que carrega uma certa complexidade em sua resposta, mas, de modo direto, eu diria que o cenário atual está muito mais desafiador. Se olharmos para o passado o profissional deste setor utilizava um volume muito menor de ferramentas e operava em um ambiente com pouca digitalização. Anos atrás o sucesso do vendedor dependia quase que exclusivamente do conhecimento pessoal e técnico do indivíduo sobre o produto, especialmente na identificação manual de avarias do veículo de segunda-mão. Hoje, embora ainda valorizemos a experiência, necessitamos menos desse conhecimento estritamente manual porque temos à mão uma gama de ferramentas tecnológicas que nos auxiliam com precisão. Por outro lado o mercado tornou-se vastamente mais complexo e concorrido. Entrevista a Leandro Alves e Pedro Kutney Clique aqui para assistir à versão em videocast desta entrevista
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