81 AutoData | Fevereiro 2026 a ANP, Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, tinha autorizado apenas 23 a vender o produto. Com o aumento do consumo a perspectiva é de que este número avance para mais de duzentas unidades em operação após a virada desta década. UM GÁS PUXA O OUTRO A capacidade de oferta de biometano no mercado brasileiro vem dando saltos largos nos últimos anos. Saiu em 2025 de 1,8 milhão de m3 por dia para 4,5 milhões este ano – o equivalente à substituição de consumo de pouco mais de 4,5 milhões de litros de diesel. Mas a demanda real é, por enquanto, muito menor, talvez menos de um sexto, pois a infraestrutura de abastecimento ainda é incipiente e, segundo dados preliminares do mercado, representam menos de 0,4% da frota com cerca de 10 mil caminhões e ônibus a gás em circulação – equipados com motorização otto que pode consumir biometano ou gás natural fóssil em qualquer proporção, pois os dois combustíveis gasosos têm composição molecular idêntica, não faz diferença alguma usar um ou outro. Na verdade o potencial do biometano começou a ser puxado pelo seu congênere fóssil, o GNV, gás natural veicular, que já há mais de duas décadas é utilizado no País, especialmente por taxistas. Com o aumento da demanda por soluções de menor impacto ambiental alguns fabricantes de caminhões e ônibus desenvolveram motores ciclo otto a gás na Europa e nos Estados Unidos, como alternativa de baixa emissão de poluentes e CO2, trazendo a tecnologia também ao Brasil. Assim o uso da versão biológica e renovável do metano surgiu como extensão à alternativa do gás natural, porém mais ambientalmente amigável, pois elimina emissões de carbono fóssil do transporte rodoviário na atmosfera. Para cada megajoule de energia gerada o biometano emite 8,35 gramas de CO2 equivalente enquanto o diesel emite oito vezes mais, cerca de 80 gCO2e. No ciclo de vida do berço ao túmulo, que considera todas as emissões de gases de efeito estufa de a produção dos veículos e seus combustíveis, passando pelo uso até o descarte, um estudo encomendado pela Copersucar aponta que um veículo abastecido com biometano emite apenas 168 gramas de CO2e por m3 consumido, em comparação com 2,9 quilos por m3 de gás natural fóssil e 2,7 kg por litro de diesel B14, misturado com 14% de biodiesel – 1 litro de diesel é equivalente próximo a 1 m3 de gás. O GÁS NA OFERTA DE VEÍCULOS A Scania, que já apostava na solução na Europa, foi pioneira em começar a produzir no Brasil motores a gás para seus veículos pesados em 2019. Desde então já vendeu perto de 3 mil unidades – metade do volume só em 2025 – e vem ampliando a oferta de modelos, seguindo a expansão dos pontos de abastecimento no País – por enquanto muito mais de GNV do que de biometamo, mas um puxa o outro pois têm preços parecidos e podem ser utilizados misturados e distribuídos na mesma rede de gasodutos em operação. Está no horizonte o crescimento da oferta de caminhões e ônibus a gás/biometano no País com mais fabricantes entrando neste mercado. Além da Scania no ano passado o Grupo Iveco começou a produzir motores a GNV para seus veículos na fábrica de Córdoba, Argentina, e pretende vender estes modelos também no Brasil. Distribuição de biometano por gasoduto: passo essencial para ampliar o uso no País. Reprodução Internet
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