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83 AutoData | Fevereiro 2026 vados, pela via da criação do Programa Nacional de Descarbonização do Produtor e Importador de Gás Natural e Incentivo aos Biometano, que estabelece meta de redução de emissões do GNV por meio de mistura crescente de biogás na oferta. Ficou estabelecido que o CNPE, Conselho Nacional de Política Energética, ligado ao MME, Ministério das Minas e Energia, determinará a partir de 2026 o consumo porcentual mínimo de biometano de acordo com o interesse público, que poderá ser adquirido diretamente pelos distribuidores de gás natural ou por meio da compra de CGOB, Certificado de Garantia de Origem de Biometano, um tipo de crédito de carbono para o gás. Para este ano, o primeiro da meta de aumento gradativo da mistura, o CNPE determinou um porcentual iniciado em 0,25%, estipulado com base na capacidade instalada de produção de biometano no País, levando em conta uma larga margem de segurança. Isto cria uma demanda obrigatória de biometano de apenas 200 mil m3 por dia, pouco diante da oferta que já chega a 4,5 milhões de m3/dia, segundo calcula a ABiogás. Conforme projeção do PDE, Plano Decenal de Expansão de Energia, o CNPE deverá elevar o porcentual mínimo de mistura do biometano ao GNV para 1%, em 2027, e a partir daí cresce 1 ponto porcentual por ano, até 2034, quando chegará a 8%. Se não houver nenhuma mudança para cima ou para baixo, motivada por escassez ou excesso de produção e distribuição de biogás, os aumentos sucessivos de mistura apontam para demanda obrigatório de biometano de 3,4 milhões de m3/dia em 2030 e de 8,5 milhões de m3/dia em 2034. Só neste momento a oferta projetada de 8 milhões de m3/dia se descolará da demanda: antes disto as plantas de biogás continuarão a produzir mais do que o exigido pela legislação. Ainda assim a ABiogás estima que a capacidade teórica de produção do biogás continue sendo muito maior, chegando a 35 milhões de m3/dia na virada da década e a 56,3 milhões de m3/dia em 2034. Parte relevante disto deverá ser aproveitada por consumo voluntário de biometano nos caminhões e ônibus a gás. O GÁS DA DEMANDA VOLUNTÁRIA Levando em conta o crescimento do número de caminhões e ônibus a gás em circulação, a LCA Consultoria Econômica calculou a demanda hipotética de biometano no País com base nos mandatos obrigatórios de mistura adicionados do uso voluntário do biocombustível gasoso em 50% ou 100% desta frota. No primeiro cenário, que considera os veículos pesados a gás rodando metade do tempo usando só biometano e a outra metade o GNV misturado, o consumo passaria de 900 mil para 22,6 milhões de m3 por dia até 2040. Caso todos rodassem só com biometano esta demanda saltaria de 1,5 milhão para 34,7 milhões de m3 por dia em vinte anos. E ainda assim a procura estaria abaixo da capacidade de produção. A diferença de um cenário para o outro depende de o quanto as políticas públicas serão rigorosas em seguir estimulando o mercado de biogás por meio de mandatos obrigatórios crescentes de mistura, mas, principalmente, da competitividade econômica do biocombustível gasoso, que já é mais barato que o diesel e tem preço parecido com o do gás natural fóssil. Um estudo da Copersucar, de 2025, aponta boa vantagem econômica do uso em um caminhão do biometano ou gás natural, ao preço estimado de R$ 4,60 Investimento em nova planta de produção de biometano: capacidade instalada para suprir demanda obrigatória deve crescer 4,4 vezes até 2032. Divulgação/Biosul

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