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87 AutoData | Fevereiro 2026 Se já são indiscutíveis o grande potencial de produção, os atributos ambientais e a competitividade econômica do biometano – até mesmo diante do quase sempre imbatível diesel fóssil –, também estão sobre a mesa desafios a superar, como manter o aumento da oferta alinhada com a expansão da demanda pelo biocombustível, expandir a ainda incipiente infraestrutura de distribuição e abastecimento, que limitada o crescimento da frota de caminhões e ônibus a gás e desvaloriza os veículos na revenda, além de ampliar a propagação de informações sobre os benefícios ambientais do biogás em um setor em que esses atributos ainda não são valorizados por todas as empresas. O estudo da LCA sugere uma série de medidas para expandir a produção, distribuição e uso de biometano no País, que deverão ser adotadas por agentes públicos, como MME, ANP e BNDES, e empresas privadas concessionárias. Um passo essencial são os investimentos em novos gasodutos e na integração da rede atual para transportar o biogás, bem como criar tarifas de acesso e transporte diferenciadas para dar vantagem ao biocombustível. Para manter os preços do biometano iguais ou inferiores ao do gás natural fóssil é essencial a extensão da política de créditos de carbono, como já faz o RenovaBio com o etanol, em que os produtores de biocombustível vendem esses títulos aos distribuidores de combustível fóssil, promovendo equacionamento de custos. Na ponta do consumo a carência de infraestrutura de abastecimento pode ser superada com a criação dos chamados corredores verdes nas principais rodovias do País e corredores urbanos, que podem combinar pontos de recarga elétrica com pontos de reabastecimento de gás. Para incentivar a ampliação da frota de baixa emissão a sugestão é combinar a redução de IPVA e de tarifas de pedágio para veículos a gás, isenção de rodízio para caminhões a biometano na cidade de São Paulo, prioridade para esses veículos nas operações de carregamento e descarregamento nos portos, além, claro, da adoção de linhas de financiamento subsidiadas do BNDES, com juros reduzidos, para renovação de frotas por caminhões e ônibus a biometano. Por fim, mas não menos importante, é preciso fomentar pesquisa e desenvolvimento para a produção de biometano, com novas fontes e maior eficiência, e de seus subprodutos de valor, incluindo biofertilizantes e biocarvão/biochar com a biomassa residual dos biodigestores, hidrogênio de baixo carbono e o CO2 biogênico – produzido durante a purificação do biogás para biometano, que pode ser capturado e utilizado na produção de bebidas carbonatadas, fluido refrigerante em sistemas de refrigeração e insumo para a produção de combustíveis sintéticos, como o metanol. A estratégia de PD&I para o biometano deve envolver, também, formação de mão-de-obra especializada e o desenvolvimento de veículos mais potentes, carretas maiores e compressores para ampliar o alcance do transporte do biogás comprimido para mais pontos do País. José Eduardo Luzzi, presidente do Instituto MBCBrasil, resume o cenário do promissor biocombustível gasoso: “O biometano é exemplo de como transformar passivo em ativo ambiental, transformando resíduos poluentes em combustível para substituir o diesel com vantagem econômica. O Brasil está pronto para avançar com o biogás, o que falta é escala”. Divulgação/Reiter Log Economia circular: Grupo Reiter vai produzir biometano para seus caminhões com resíduos de sua empresa de agropecuária.

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