89 AutoData | Fevereiro 2026 níveis para veículos comerciais leves e pesados o biodiesel é, até o momento, a solução mais imediata, disponível e de menor custo para substituir as emissões de CO2 fóssil pelo biogênico. Isto porque este agrocombustível, produzido a partir de óleos vegetais e gordura animal, atrás do etanol é o segundo biocombustível mais utilizado no Brasil em larga escala, desde 2008 é adicionado em proporção obrigatória crescente ao diesel mineral. Assim já abastece todos os veículos da frota diesel em circulação no País sem que para isto seja necessária a adoção de uma nova tecnologia de propulsão. VOLTA À ORIGEM DE BAIXO CARBONO O biodiesel não é propriamente uma novidade tecnológica. O motor inventado pelo engenheiro alemão Rudolf Diesel funcionou pela primeira vez, em 1893, consumindo óleo de amendoim. Mas logo o óleo derivado de petróleo mostrou ser uma solução muito mais barata e eficiente para produção em larga escala, enquanto a questão ambiental nem sequer era vislumbrada no horizonte. Pois foi justamente esta questão, mais de um século depois da sua invenção, que fez o motor diesel voltar à sua origem energética. Quando usado puro – o que já acontece com alguns caminhões no Brasil – o biodiesel reduz de 70% a 80% a emissão de gases de efeito estufa, porque é produzido a partir de base biológica renovável, por meio da transesterificação de óleos vegetais e gordura animal, por meio da aplicação de cerca de 10% de metanol por volume produzido, em ciclo que reabsorve o CO2 biogênico emitido pela própria matéria-prima. Nas emissões do poço à roda, considerando o ciclo desde a produção até o uso do combustível no veículo, a intensidade de carbono do biodiesel varia de 17 a 27 gramas de CO2 equivalente por megajoule [gCO2e/MJ] de energia gerada, índice significativamente menor que o do diesel mineral, aferido em 86 a 95 gCO2e/MJ. A emissão por litro consumido de biodiesel está estimada em de 264 a 405 gCO2e/km, contra 1,3 kg de CO2e/ km do diesel fóssil. Contudo, se por um lado o biocombustível tem comprovados benefícios ambientais, também tem suas desvantagens. O biodiesel é instável, deteriora em curto espaço de tempo, tem vida curta. Além disso motores mais antigos da envelhecida frota de caminhões no Brasil não estão preparados para utilizar misturas maiores de biodiesel. Outra questão é que sua produção gera glicerina bruta com resíduos de metanol tóxico, um subproduto do processo de transesterificação de óleos vegetais que corresponde a cerca de 10% do volume produzido de biodiesel. A glicerina pode contaminar o combustível se não for retirada adequadamente e também pode causar passivos ambientais se não for corretamente destinada e purificada. SOLUÇÃO SOCIOECONÔMICA As desvantagens do biocombustível, contudo, podem ser mitigadas por meio de desenvolvimento tecnológico – com aplicação de aditivos químicos, por exemplo –, em um balanço que pende mais para o lado dos seus amplos benefícios. Segundo dados do MME, Ministério das Minas e Energia, a produção acumulada de biodiesel no País nos últimos vinte anos, de 77 bilhões de litros, evitou com sua utilização nos veículos a emissão de 240 milhões de toneladas de CO2 fóssil, além de garantir impacto positivo relevante Caminhões são carregados na usina de biodiesel da Be8 em Passo Fundo: produção crescente. Divulgação/Be8
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