90 Fevereiro 2026 | AutoData na balança comercial, com economia de US$ 38 bilhões ao substituir a importação de diesel. “A produção de biodiesel no Brasil agrega vinte vezes mais riqueza ao PIB do que o diesel importado, que não contribui em quase nada”, calcula o empresário Erasmo Carlos Battistella, fundador e presidente da Be8, uma das maiores produtoras de biodiesel do Brasil. Ele se refere à cadeia do biocombustível, desde as plantações até a produção, que gera renda e milhares de empregos. “Com o etanol o País já encaminhou a solução para redução de emissões dos veículos leves, agora precisa acelerar esforços para fazer o mesmo com a área de transportes pesados, em que o biodiesel pode evoluir bem mais.” O crescimento do uso de biodiesel no País é reflexo exclusivo de uma política de Estado, o PNPB, Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel, que a partir de 2005 adotou mandatos de mistura obrigatória crescente do biocombustível ao diesel mineral, começando em 2008 com 2%, o B2, subiu ao B5 no ano seguinte, B10 em 2019 e chegou a B15 no segundo semestre do ano passado, com meta estipulada pela Lei do Combustível do Futuro de aumentar para B20 até 2030 e B25 depois disso. A formação da cadeia produtiva do biodiesel também registra impacto socioeconômico relevante. Quando foi lançado o PNPB criou o Selo Biocombustível Social, uma certificação que obriga a indústria a comprar o mínimo de 20% das matérias-primas utilizadas na produção de pequenos produtores rurais. Estima-se que este mecanismo deu sustento a 5 mil famílias e gerou incremento de R$ 600 milhões na renda familiar dos participantes do programa. BRASIL JÁ É GRANDE PRODUTOR Com os mandatos de mistura, em apenas duas décadas, o País tornou-se o terceiro maior produtor de biodiesel do mundo, hoje atrás da Indonésia – que com sua vasta produção de óleo de palma já utiliza o B35 e testa o B50 – e dos Estados Unidos, que assim como o Brasil produz a maior parte do biocombustível a partir de óleo de soja e gordura animal. A política de estímulo fez os volumes saltarem de incipientes 700 mil litros no ano de lançamento do PNPB, em 2005, para quase 1,2 bilhão de litros em 2008, ano da mistura inicial obrigatória de 2%, e em 2025 a produção superou pela primeira vez a marca de 10 bilhões de litros, com a transição para o B15. Segundo dados da Embrapa, no Brasil, a maior parte do biodiesel, 74%, é produzido a partir de óleo de soja, que ao longo dos últimos vinte anos tornou viável a produção em larga escala do biocombustível, pois o País é o maior produtor mundial do grão, com safra que deve chegar ao recorde de 172 milhões de toneladas neste 2026. O segundo maior fornecedor de matéria-prima para biodiesel é a pecuária: a gordura animal, principalmente sebo bovino, tem 15% de participação. Outras fontes, como óleo de algodão e óleo de fritura usado, compõem os 11% restantes. Ao contrário do que acontece no Sudeste Asiático, onde as plantações de palma, o nosso dendê, devastaram florestas para aumentar a produção de biodiesel, no Brasil a soja só pode avançar para vastas áreas degradadas de pastos que o País tem de sobra – segundo a Embrapa são 28 milhões de hectares são de terras recuperáveis com alto potencial para cultivo de matérias-primas para Produção de biodiesel: processo de transesterificação com adição de metanol. Divulgação/Aprobio BIOTRANSIÇÃO ENERGÉTICA » BIODIESEL/HVO
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