91 AutoData | Fevereiro 2026 biocombustíveis. E assim como acontece com os produtores de etanol para emitir CBios – créditos de descarbonização que trazem renda extra pois são obrigatoriamente comprados por distribuidores de combustíveis fósseis – precisam comprovar que não houve desmate de áreas para produção. Também existem no horizonte outras matérias-primas com potencial muito superior ao da soja para produção de biodiesel. A macaúba é o melhor exemplo: a palmeira produz de três a quatro vezes mais óleo do que os 500 litros da soja por hectare plantado, é uma espécie nativa do Cerrado brasileiro, cultivada sem desmatamento, inclusive no Semiárido do Nordeste, com pouca irrigação, em locais secos que não produzem nada, e também pode ser combinada com outras culturas para biocombustíveis, como o agave e o licuri nativo do sertão. PRODUTIVIDADE ACIMA DA DEMANDA Como potência agrícola o País poderia usar muito mais biodiesel do que consome hoje tendo em vista que as 350 usinas em operação têm capacidade para produzir 14,7 bilhões de litros, o dobro da demanda real que, em 2025, chegou a 7,2 bilhões de litros por imposição do mandato obrigatório de mistura ao diesel. Levando em conta crescimento da frota e a evolução da legislação, nos próximos quinze anos a capacidade instalada no Brasil deverá crescer 15,6%, para 17 bilhões de litros/ano de biodiesel em 2040, mas a produção fica abaixo, em 13,7 bilhões de litros, para uma demanda real de abastecimento de veículos calculada em 12 bilhões de litros caso a mistura obrigatória fique estacionada em 20%, e sobe para 15 bilhões de litros se for adotado o B25. As projeções constam do estudo Iniciativas e Desafios Estruturantes para Impulsionar a Mobilidade de Baixo Carbono no Brasil até 2040, elaborado pela LCA Consultoria Econômica, por encomendado do Instituto MBCBrasil, organização multissetorial focada em promover a redução das emissões de carbono fóssil dos veículos no País. Apesar do seu alto potencial produtivo no Brasil, com investimento relativamente baixo, o estudo da LCA aponta que o principal gargalo para aumentar o uso do biodiesel está justamente em suas características: por ser um éster o biocombustível absorve umidade, se ficar parado por muito tempo no tanque pode gerar fungos que criam borra e entopem filtros e bicos injetores, o que cria problemas de qualidade e reduz a capacidade de armazenagem do produto por períodos mais longos, tornando difícil a formação de estoques reguladores de oferta e preço. PROBLEMA, CONTESTAÇÃO E EVOLUÇÃO Após muitas reclamações de fabricantes de veículos e transportadores sobre os problemas causados nos motores pelo biodiesel no diesel, que chegaram a solicitar ao governo a interrupção do aumento da mistura, há cerca de dois anos a ANP, Volvo já fabrica versão flex do FH: pode usar diesel ou B100. Divulgação/Volvo
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