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95 AutoData | Fevereiro 2026 Devido ao custo pouco competitivo a demanda por HVO no Brasil, até o momento, está limitada pela Lei do Combustível do Futuro, a partir do PNDV, Programa Nacional do Diesel Verde, que estabelece que o CNPE, Conselho Nacional de Política Energética, pode impor um mandato mínimo de adição de HVO ao diesel fóssil de, no máximo, 3%, permitida adição voluntária superior mediante comunicação à ANP. Porcentuais crescentes poderão ser estabelecidos pelo CNPE a cada ano. Com base na projeção de aumento de consumo de diesel no País e sem aumentar a mistura para além dos 3%, a LCA calcula que, a partir de 2027, a demanda por HVO será de 1,7 bilhão de litros, crescendo para 2 bilhões de litros a partir de 2035. COMPETIÇÃO COM A AVIAÇÃO Por seu alto custo e concorrência com alternativas bem mais baratas o HVO puro para uso em veículos a diesel dificilmente decolará em terra, mas deverá alçar voos mais altos. Como o biocombustível tem composição similar à do querosene de aviação quase toda a produção de HVO no Brasil e no mundo será destinada ao SAF, sigla em inglês para combustível sustentável de aviação, tendo em vista que os aviões não têm até o momento a opção da eletrificação para limpar suas emissões de CO2 fóssil e é um setor que já habitualmente paga mais pelo combustível que usa. É principalmente no SAF que estão focados os principais projetos de produção de HVO no Brasil. Espera-se para este ano, por exemplo, o início da produção da primeira biorrefinaria de HVO/SAF da BBF, Brasil BioFuels, na Zona Franca de Manaus, AM, com investimento anunciado de R$ 2 bilhões para produzir 500 milhões de litros de diesel verde por ano, usando óleo de palma cultivada na região amazônica em parceria com a Vibra Energia. O maior projeto de produção de HVO e SAF em curso no Brasil é da Acelen Renováveis, empresa controlada pelo fundo Mubadala Capital, veículo de investimento integralmente pertencente ao governo de Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos. A empresa investe US$ 3 bilhões para desenvolver o HVO e adaptar a refinaria de Mataripe – é a mais antiga do País, inaugurada em 1950 no Recôncavo Baiano, Região Metropolitana de Salvador, BA, para refinar óleo extraído no Estado, e comprada em 2021 pela Acelen. A biorrefinaria deve começar, no segundo trimestre de 2026, a produzir 1 bilhão de litros de SAF por ano na Bahia. A matéria- -prima principal será o óleo de macaúba, em iniciativa que prevê a recuperação de áreas degradadas para o cultivo da palmeira, com ganho ambiental para além da produção do biocombustível. Seja para aviões ou para caminhões, ônibus, vans e picapes o fato é que a rota da biotransição energética acena para os veículos a diesel como uma proposta de redução de emissões muito mais viável e pronta para uso do que a eletrificação. Mercedes-Benz e Be8 fizeram testes com BeVant por 4 mil quilômetros: biodiesel aditivado pode ser usado em qualquer veículo diesel sem necessidade de adaptações no motor. Caminhão Volvo em testes com HVO na Suécia: desempenho idêntico ao diesel fóssil, mas com custo alto. Divulgação/Mercedes-Benz Divulgação/Volvo

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