13 AutoData | Março 2026 O que vemos é um ajuste de expectativas. Algumas regiões como a Europa estabeleceram metas muito rígidas para o fim do motor a combustão, o que gerou um entusiasmo artificial. A ABVE sempre defendeu que a transição deve ser guiada pelo desejo do consumidor, não por canetadas proibitivas. Enquanto alguns grupos tradicionais ajustam seu ritmo novos players, especialmente asiáticos, estão acelerando. E o Brasil tem uma dinâmica única: matriz energética limpa e biocombustível como aliado. Aqui a eletrificação não é uma imposição ambiental, é uma oportunidade econômica. O senhor encerra em abril seu atual mandato na presidência da ABVE. Quais foram as maiores conquistas e o que ainda falta fazer? Pretende seguir para um segundo mandato? Assumi em 2023 para completar o mandato do Adalberto Maluf, que assumiu um importante cargo no Ministério do Meio Ambiente, e depois fui eleito para o meu primeiro mandato. Ver o mercado de eletrificados saltar para quase 10% de participação e acompanhar a abertura de fábricas no Brasil foram conquistas da ABVE. Mas ainda temos muito trabalho. Precisamos garantir que o Programa Mover seja implementado com foco real em inovação e que a reforma tributária não prejudique o carro elétrico. Neste ano em a entidade completa 20 anos estou me colocando à disposição dos associados para a reeleição. Quero dar sequência a este trabalho e ver o Brasil se tornar o hub de eletromobilidade do Hemisfério Sul. Temos o lítio, temos a energia limpa e temos a indústria. Só precisamos seguir acelerando no caminho certo. “ As pautas da ABVE para o futuro envolvem consolidar o Brasil como um polo produtor de veículos eletrificados e garantir que a infraestrutura acompanhe o ritmo das vendas.” A infraestrutura de recarga é apontada como o maior gargalo para os carros plug-in. Os 21 mil carregadores instalados no Brasil atualmente são suficientes para atender a frota em circulação? Atualmente temos 19,6 veículos para cada carregador público. O ideal seria algo próximo de dez por carregador. Isso significa que precisamos dobrar nossa infraestrutura para cerca de 42 mil pontos para atender a frota que já está nas ruas. Acredito que chegaremos a este índice, mas o desafio também é a qualidade. E aqui temos uma boa notícia: hoje 30% dos carregadores instalados já são rápidos, os DC. Outra questão é que a maioria dos carregadores está nos estados do Sudeste. Precisamos interiorizar essa rede. A ABVE tem trabalhado com governos estaduais para incentivar corredores elétricos e isenções de impostos que facilitem a instalação. Recentemente alguns dos maiores fabricantes do mundo – nenhum deles é chinês – reduziram ou cancelaram US$ 60 bilhões em investimentos no desenvolvimento e na produção de carros elétricos. Como este movimento pode afetar o mercado global e o brasileiro?
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