16 Março 2026 | AutoData POLÍTICA INDUSTRIAL » EFICIÊNCIA ENERGÉTICA DO TANQUE À RODA AO POÇO À RODA Uma das mudanças mais estruturantes da portaria está na progressão dos ciclos de medição. Em 2025 e 2026 a referência é o ciclo do tanque à roda, que mede o consumo energético no uso do carro. A partir de 1º de novembro de 2027, até 2031, o sistema amplia o horizonte para o ciclo do poço à roda, que considera a cadeia energética desde a produção e distribuição do combustível até o deslocamento do veículo. Essa transição introduz um novo coeficiente: o de eficiência energético-ambiental. Segundo Roa esse parâmetro ainda não está inteiramente definido no texto regulatório. Kalume Neto aprofunda o ponto: o ciclo poço à roda amplia a responsabilidade da montadora para além do veículo em si, incorporando variáveis externas como a intensidade de carbono da matriz energética – elétrica, fóssil ou de biocombustíveis – que são ponderadas no cálculo regulatório: “Existirá, provavelmente, uma redução no espaço destinado a melhorias incrementais dos motores a combustão sem levar em consideração o processo como um todo”. Dentre os riscos apontados pelo consultor estão o planejamento equivocado do portfólio de produtos, a dependência de parâmetros definidos por órgãos oficiais e a volatilidade regulatória. Para a indústria essa mudança de lógica é mais do que técnica: ela redefine o que significa desenvolver um veículo eficiente. Um motor à combustão otimizado apenas no âmbito do veículo, do tanque à roda, pode deixar de ser competitivo quando a régua se estender à cadeia energética completa, do poço à roda. CRÉDITOS TECNOLÓGICOS O Anexo III da Portaria 19 lista as tecnologias reconhecidas como promotoras de eficiência, para as quais são concedidos créditos predefinidos em megajoules. Constam nesta categoria, por exemplo, sistema de desligamento do motor em marcha lenta start-stop, controle da grade frontal para redução de arrasto aerodinâmico, indicador de troca de marcha, o sistema de iluminação de alta eficiência com faróis e lanternas de led e diversas tecnologias dedicadas ao gerenciamento do ar-condicionado, como compressor variável, trocador de calor interno, condensadores e evaporadores eficientes e sistemas de recirculação automática. A cada um destes sistemas incorporados aos seus veículos o fabricante ganha créditos, frações de megajoule por quilômetro, que são abatidos do resultado da medição convencional de consumo energético em dinamômetro. A lógica por trás dessas tecnologias, diz Roa, é que elas geram impactos reais na eficiência que não são plenamente capturados pelos ciclos de homologação convencionais – o que o regulador denomina como tecnologias off-cycle. “Não é que elas sejam obrigatórias mas é recomendável para melhorar os índices de eficiência, pois elas têm um impacto substancial.” Kalume Neto vai além: o que antes era considerado um diferencial tecnológico interessante passa a ser, na prática, um item necessário para atingir as metas regulatórias: “Isoladamente será pouco provável que um motor a combustão simples consiga atingir a meta [sem as tecnologias acessórias].” A portaria também prevê créditos para tecnologias inovadoras. Nesses casos a montadora precisa apresentar solicitação de inclusão ao MDIC, acompanhada de relatório elaborado por entidade inDivulgação/Toyota Toyota Corolla Cross híbrido flex: tendência tecnológica brasileira mistura eletrificação com etanol.
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