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18 Março 2026 | AutoData POLÍTICA INDUSTRIAL » EFICIÊNCIA ENERGÉTICA adianta aumentar o flex e o consumidor focar na gasolina. Tem que haver uma mudança cultural”. O especialista também ressalta que há regiões no Brasil onde o etanol é mais caro, o que torna o comportamento do consumidor ainda mais imprevisível. A equação não é apenas tecnológica: é econômica e comportamental. INCENTIVO QUE SE DESMONTA Para incentivar a adoção de tecnologias de baixíssima emissão a portaria estabelece fatores de ponderação que multiplicam os emplacamentos na apuração da meta da frota de cada fabricante. Os veículos elétricos a bateria representam três a cada um em 2027, 2,5 em 2028, dois em 2029 e um a partir de 2030. Os veículos com célula de combustível a hidrogênio partem de quatro em 2027 e chegam a dois a partir de 2030. Para híbridos plug-in flex fuel com paridade energética igual ou superior a 1 o fator de multiplicação é dois em 2027 e um a partir de 2030. O benefício dos fatores de ponderação por fabricante ou importador é limitado a 0,033 MJ/km. Kalume Neto interpreta a rápida deflação desses fatores como uma aposta do governo na maturidade tecnológica e de custos em poucos anos, uma expectativa que ele considera precipitada: “O governo pretende conceder uma ajuda na implementação de novas tecnologias, mas força uma rápida adoção, o que é um erro. Em três ou quatro anos é muito pouco provável que as novidades tecnológicas conquistadas pela vantagem regulatória causem uma migração em massa”. Para veículos superesportivos de alto desempenho – definidos conforme critérios do decreto 12 435 — a portaria admite a aplicação de um fator de correção de 0,75 sobre o valor de consumo energético após os créditos de tecnologia. Para modelos de alto desempenho com relação potência/peso acima de 160 esse fator pode ser reduzido a 0,55, desde que os emplacamentos anuais do fabricante não ultrapassem duzentas unidades dessa categoria. Kalume Neto entende que o regulador reconhece a importância desse segmento como vetor de inovação, mas o limite de volume impede que a regra se torne um atalho de conformidade. DESAFIO: EQUILIBRAR PORTFÓLIO. Na perspectiva das empresas Roa identifica o equilíbrio de portfólio como o maior desafio imposto pela Portaria 19. Não é apenas dominar fórmulas: trata-se de decidir quais modelos manter, quais adaptar e quais descontinuar em função do peso que cada um tem na equação de metas, sem abrir mão da receita que geram. “O maior desafio para as montadoras é equilibrar seu portfólio de projetos para atender às novas métricas, considerando a receita gerada por modelos menos eficientes”, avalia. A variável tempo agrava o problema: ciclos de desenvolvimento de veículos são longos e as metas já estão em vigor, e os fabricantes, endossa Roa, não conseguem mudar ou ajustar o portfólio tão rapidamente. Adicionar tecnologias off-cycle ou pré- -elegíveis melhora a pontuação de eficiência, mas também encarece o veículo – o que por sua vez afeta volume de vendas e, novamente, o desempenho no cálculo de frota. É uma equação com múltiplas variáveis interdependentes para ocupar muitas horas de trabalho de matemáticos. Kalume Neto aponta que o sistema de auditoria intensifica esse risco: o MDIC ou uma entidade credenciada pode coletar José Cruz/Agência Brasil Vantagem: veículos elétricos ganham créditos para ajudar empresas a cumprirem metas de eficiência energética de sua frota à venda.

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