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20 Março 2026 | AutoData POLÍTICA INDUSTRIAL » EFICIÊNCIA ENERGÉTICA amostras de lotes a qualquer momento, com custos pagos pelo fabricante auditado. Em caso de divergência nos dados declarados e os auditados, prevalecem os do órgão, com consequências diretas sobre créditos, débitos e exposição a multas. A chegada das montadoras da China no Brasil muda parte dessa equação. Elas operam com ciclos de lançamento mais curtos e maior capacidade de adaptação de portfólio em menor tempo. Roa aponta: “As chinesas são rápidas em lançar”. Para as fabricantes tradicionais a janela para reorganizar o mix é mais estreita, o que tende a antecipar decisões de eletrificação já presentes nos planos de médio prazo. A regulação quanto à origem – nacional ou importada – é tratada de forma análoga, mas Kalume Neto aponta que as exigências de homologação pelo Ibama e a necessidade de lastro em engenharia local tendem a favorecer quem já tem processos estabelecidos no País. TENDÊNCIAS TECNOLÓGICAS A leitura do conjunto regulatório – créditos, deflatores, fatores de ponderação e transição de ciclos – permite antecipar as tendências que definirão o portfólio automotivo brasileiro nos próximos anos. Roa é direto: “O nosso mercado será muito voltado ao híbrido e cada vez mais em busca do híbrido flex”. Ele lembra que até os fabricantes que entraram no Brasil com híbridos a gasolina estão acelerando a adaptação para incluir motorização bicombustível nos seus produtos, de modo a capturar os créditos previstos na portaria e se adequar à legislação. O especialista descreve o processo como “gradativo mas acelerado” – gradativo porque a velocidade física de adaptação de portfólio tem limites técnicos e financeiros, e acelerado porque a pressão regulatória e a competição de mercado não permitem espera. Kalume Neto complementa com uma perspectiva de engenharia: o que antes era um diferencial de série – alternadores inteligentes, sistemas de gestão térmica, iluminação led de alta eficiência, grades frontais ativas – passa a ser praticamente obrigatório para que um veículo contribua positivamente na equação de metas do fabricante. A portaria não impõe esses itens diretamente mas cria incentivos financeiros suficientemente expressivos para torná- -los parte do padrão de desenvolvimento. No longo prazo a migração para o ciclo poço à roda deverá reduzir ainda mais o espaço para otimizações de motores a combustão desvinculadas da cadeia energética mais ampla. Isto favorecerá a Reprodução Internet Livre escolha de gasolina ou etanol: créditos a veículos flex não garantem abastecimento com biocombustível.

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