430-2026-03

54 Março 2026 | AutoData CADEIA PRODUTIVA » RECICLAGEM em Igarapé. Estas carretas, no entanto, voltam à cidade vazias. A ideia é que os veículos a serem reciclados cheguem à Igar a bordo delas. Medioli aponta que ao utilizar o largo e diversificado alcance dos caminhões do grupo em busca de veículos antigos, normalmente em localidades mais distantes dos grandes centros urbanos, aumenta-se a capacidade de prover logística reversa, com o transporte de diversos pontos de carros a serem desmontados e reciclados para uma só base recicladora, a Igar. Daniela Medioli conta que ainda será preciso desburocratizar o processo de coleta dos veículos: “Existem alguns entraves com os Detran, mas o MDIC está tentando endereçar questões para destravar carros em fim de ciclo de vida dos pátios públicos. Há vários aspectos regulatórios que ainda impedem isto hoje, por isto carcaças abandonadas ficam empilhadas e entulhadas por anos, sem gerar valor, apenas ocupando espaço e oferecendo riscos ambientais e de segurança. Aqui eles geram valor voltando para a cadeia produtiva.” Enquanto este capítulo não evolui a vice-presidente do Grupo Sada exemplificou formas de se obter carros em fim de vida por meio de leilões, de seguradoras e das próprias montadoras, o que é incentivado a partir de política pública: “Hoje este veículo é visto como matéria-prima. Com o Mover passa a se tornar incentivo fiscal pois, a cada carro reciclado, o programa prevê redução de IPI na produção de carros novos. Isto traz mais sustentabilidade financeira e fomenta esta cadeia de reciclagem”. Segundo Medioli diversos fabricantes de veículos já procuraram a empresa mas ainda estão aguardando a portaria que regulamentará as metas e benefícios de reciclagem do Mover. Ela cita que o Brasil tem cerca de 49 milhões de veículos em sua frota circulante, sendo aproximadamente 10 milhões de unidades com mais de quinze anos de uso, o que eleva a idade média, enquanto a taxa de reciclagem é muito baixa, de apenas 1,5%. Realidade que a Igar pretende mudar. “Produzir peças e componentes com itens reciclados traz diferencial que será valorizado pelo Mover”, aponta a executiva. “Acreditamos que este será o início de um caminho que não tem mais volta. O Brasil será país de destaque em frotas verdes.” O PROCESSO REVERSO A recicladora do Grupo Sada tem capacidade de processar 120 toneladas de metal por hora, o equivalente a quinhentos carros por dia. Após a descontaminação dos veículos as baterias são entregues às recicladoras, o gás do ar- -condicionado é reutilizado por empresas especializadas, as rodas são trituradas na Igar e os pneus vão para cooperativas de reciclagem de borracha. Na segunda fase do processo todos os fluidos são drenados. Os vidros laterais são removidos, quebrados e seguem para associações de reciclagem. Por fim o catalisador, que contém metais preciosos como platina, é retirado e enviado para reaproveitamento. Depois destas etapas o carro está pronto para ser triturado. Segundo Daniela Medioli o processo dá origem a sete subprodutos, sendo que de 70% a 80% do peso de um veículo é de material metálico, que já tem destino acertado: a ArcelorMittal comprará todos os metais para uso em suas usinas siderúrgicas. “Para o restante dos materiais já identificamos parceiros em Minas Gerais. E estamos mapeando outros pelo País”, diz a executiva. Daniela Medioli, vicepresidente executiva do Grupo Sada: reciclagem de veículos é “caminho sem volta”.

RkJQdWJsaXNoZXIy NjI0NzM=