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107 “Para a KPMG, a governança deve ser vista como aceleradora da inovação e não como barreira. Empresas que estruturam controles desde o início conseguem avançar com mais segurança e velocidade, enquanto organizações que ignoram essa etapa ficam expostas a riscos relevantes, como vazamento de informações estratégicas e uso inadequado de plataformas públicas de IA”, explica Meylan. A própria KPMG atuou como “cliente zero” do framework antes de oferecê-lo ao mercado. Em uma operação global presente em 143 países e responsável pelo gerenciamento de dados sensíveis de grandes corporações concorrentes entre si, a companhia precisou desenvolver sistemas robustos de proteção e segregação de informações. O resultado foi uma estrutura baseada em monitoramento contínuo, compliance, certificação de risco, contratos específicos e parcerias com provedores globais de nuvem. Na indústria automotiva, os impactos da IA já são visíveis em diferentes frentes. Simulações virtuais aceleram crash tests, reduzem custos de desenvolvimento e encurtam ciclos de engenharia. Ao mesmo tempo, modelos avançados permitem prever rupturas logísticas, otimizar estoques e aumentar a resiliência da cadeia de suprimentos. A transformação também altera o próprio conceito de veículo. O automóvel deixa de ser apenas um produto físico para se consolidar como uma plataforma digital. Nesse novo cenário, software, conectividade e experiência do usuário passam a concentrar parcela crescente do valor agregado da indústria, redefinindo modelos de receita e competitividade. No marketing automotivo, a IA impulsiona estratégias muito mais orientadas por dados. Ferramentas analíticas permitem segmentações sofisticadas, campanhas personalizadas em tempo real e monitoramento completo da jornada do consumidor. Isso torna os investimentos mais precisos e acelera a tomada de decisão comercial. Apesar do enorme potencial, ainda existe um grande desafio entre ambição e execução. Muitas empresas enfrentam dificuldades relacionadas à organização de dados, definição de prioridades e integração entre tecnologia e estratégia de negócios. Em diversos casos, iniciativas de IA permanecem restritas às áreas técnicas e não conseguem gerar transformação organizacional ampla. Por isso, a KPMG defende que o board das empresas deve dar o primeiro passo dessa jornada. “Líderes precisam compreender como a IA impacta processos, cultura corporativa e modelos de negócio. Mais do que eficiência operacional, a tecnologia exige uma revisão profunda da lógica de geração de valor”, destaca o executivo. A tendência é que a IA se torne tão indispensável nas empresas quanto ferramentas básicas de produtividade são hoje. Nesse contexto, empresas capazes de combinar governança sólida, visão estratégica e capacidade de execução estarão mais preparadas para liderar a próxima década da mobilidade.

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