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40 Maio 2026 | AutoData ANFAVEA 70 ANOS » ARTIGO Assumir a presidência da Anfavea na segunda metade da década de 1970 significava estar diante de um dos períodos mais delicados da história da indústria automotiva brasileira. O setor vinha de um forte ciclo de expansão, impulsionado pelo crescimento econômico do País e pela consolidação da produção local. Mas, ao mesmo tempo, começavam a surgir desafios estruturais que exigiam equilíbrio, diálogo e capacidade de articulação. O Brasil ainda vivia sob o regime militar, em um ambiente de forte intervenção do Estado na economia. A indústria automotiva ocupava posição estratégica naquele modelo de desenvolvimento e a Anfavea exercia um papel central como elo do governo com montadoras, fornecedores e toda a cadeia produtiva. Naquele período a indústria crescia rapidamente. O automóvel deixava de ser um bem restrito e passava a integrar de forma mais ampla o cotidiano da sociedade brasileira. As montadoras ampliavam investimentos, novos fabricantes chegavam Os anos em que a Anfavea precisou reinventar a indústria ao País e o setor consolidava sua posição como um dos pilares da economia nacional. Mas os desafios cresciam na mesma velocidade. A crise internacional do petróleo, por exemplo, expôs de forma dramática a dependência brasileira dos combustíveis fósseis. Pela primeira vez a questão energética passou a ocupar posição central dentro da estratégia da indústria automobilística. Foi nesse contexto que nasceu o Pró-Álcool, na minha opinião uma das iniciativas mais ousadas do mundo para substituição de combustíveis fósseis. Sua construção exigiu um grande esforço de coordenação de governo, montadoras, fabricantes de componentes e setor sucroenergético. A Anfavea participou ativamente deste processo, ajudando a construir consensos e caminhos para tornar viável uma alternativa energética genuinamente brasileira. Ao mesmo tempo o fim da década de 1970 trouxe outro enorme desafio: a transformação das relações trabalhistas no setor automotivo. O fortalecimento do movimento sindical, especialmente no ABC paulista, alterou profundamente a dinâmica das empresas com os trabalhadores. As greves lideradas por Luiz Inácio da Silva, então presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo e Região, marcaram não apenas a indústria automobilística mas a própria história política e social do Brasil. Foram momentos difíceis e de negociações extremamente delicadas. Mas também importantes para o amadurecimento institucional do setor. A indústria precisou aprender a dialogar de forma diferente com os trabalhadores, compreendendo que o desenvolvimento do setor dependia também da construção de relações mais modernas e equilibradas. Presidir a Anfavea naquele período exigia serenidade, capacidade de negociação e visão de longo prazo. Olhando agora para aquele memorável período tenho a convicção de que aquela nossa geração ajudou não apenas a consolidar a indústria automotiva brasileira mas, também, a preparar todo o setor para enfrentar as profundas transformações que moldariam as décadas seguintes. Mário Bernardo Garnero foi presidente da Anfavea de 1974 a 1981 quando era diretor Jurídico e, depois, de Relações Industriais da Volkswagen do Brasil

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