47 AutoData | Maio 2026 O impacto foi imediato. Em 1990 e 1991 a indústria enfrentou uma das mais severas retrações de sua história. As vendas despencaram, a produção encolheu e toda a cadeia produtiva passou a conviver com um ambiente de forte instabilidade. Era um risco concreto à própria continuidade da indústria automotiva nacional. Diante deste cenário a resposta veio por meio da articulação. Sob a liderança primeiro de Jacy Mendonça e, depois, de Luiz Adelar Scheuer a Anfavea liderou, do final de 1991 ao início de 1992, a criação da Câmara Setorial Automotiva, que acabou por simbolizar um dos movimentos mais relevantes da história industrial brasileira. A iniciativa reuniu, de forma inédita, governo, montadoras, fabricantes de autopeças, reparadores e trabalhadores em torno de um objetivo comum: preservar a capacidade produtiva instalada no País e restabelecer as condições de competitividade do setor. Desta articulação surgiu o chamado carro popular, tornado viável por política tributária praticamente zerada. A iniciativa teve efeito imediato sobre a demanda e foi fundamental para reativar as vendas. Mais do que uma solução emergencial a Câmara Setorial estabeleceu um novo padrão de diálogo e coordenação institucional, criando as condições para que rapidamente o Brasil pudesse ser novamente em um grande produtor de veículos. MODERNIZAÇÃO E CRESCIMENTO ACELERADO Superado o momento mais agudo da crise a indústria avançou para uma nova etapa. Ainda na gestão Scheuer, que foi o presidente responsável pela conclusão do acordo setorial da Câmara Automotiva, teve início um amplo processo de modernização e de ampliação do parque industrial. A abertura de mercado, que inicialmente expôs fragilidades, passou a impulsionar investimentos. As montadoras investiram em modernização e ampliação das suas capacidades produtivas, elevaram seus padrões de qualidade, diversificaram seus portfólios e passaram a operar em linha com as práticas internacionais. Ao mesmo tempo o mercado reagia com vigor, ampliando sua base de consumidores e criando um ambiente propício para novos investimentos. Foi neste contexto que o Brasil voltou a atrair grandes projetos industriais, com a chegada de novas montadoras e sistemistas e o redesenho do mapa automotivo nacional. EXPANSÃO E CONSOLIDAÇÃO Na segunda metade da década, com a Anfavea colocada agora sob a presidência de Silvano Valentino e depois de José Carlos da Silveira Pinheiro Neto, o setor já apresentava uma trajetória consistente de crescimento. Novas montadoras inauguravam suas fábricas e iniciavam operação no País, consolidando o ciclo de investimentos iniciado anos antes. A produção se expandia, o mercado interno ganhava força e a indústria brasileira se tornava mais competitiva e integrada ao cenário global. Mas, como em outros momentos de sua história, novos desafios surgiam. O 1992 – 1995 Luiz Adelar Scheuer 1995 – 1998 Silvano Valentino 1998 – 2001 José Carlos da Silveira Pinheiro Neto Divulgação/Chevrolet A globalização produziu o primeiro carro popular, o Chevrolet Corsa em 1993 Fotos: Divulgação/Anfavea
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