56 Maio 2026 | AutoData ANFAVEA 70 ANOS » ARTIGO Aproveitando a oportunidade que AutoData me deu, gostaria de fazer um paralelo entre o período em que fui presidente da Anfavea, de 2004 a 2007, e o atual cenário de disrupção na indústria automotiva. Quais eram os principais desafios naquela época? Aumentar o volume de vendas e acessar, de forma robusta e sustentável, o mercado de exportação, superando o obstáculo da falta de competitividade do nosso setor. Após duas décadas, os temas continuam muito semelhantes, mas intensificados pela rapidíssima chegada da eletrificação e das inovações tecnológicas. Apesar de atingirmos quase 4 milhões de unidades em 2013, a indústria não repetiu esse nível nem sustentou trajetória consistente de crescimento de vendas. No cenário atual, em que os consumidores demandam alta qualidade com tecnologias globais embarcadas, o caminho para o crescimento passa por adequar a carga tributária e as taxas de juros — ambas entre as mais altas do mundo —, alinhando-as aos níveis praticados pelos países que produzem, comercializam e exportam veículos de forma competitiva. Setor automotivo em disrupção Com relação ao futuro, possuímos uma das maiores reservas mundiais de terras raras e minerais críticos. Contamos com grandes empresas especializadas em mineração e refino, fabricantes de baterias convencionais e um robusto parque industrial automotivo — estrutura presente em poucos países. Neste contexto, o grande desafio do momento é construir uma política industrial de Estado de longo prazo para a industrialização dos minerais e que possibilite ao Brasil acompanhar o ritmo acelerado da inovação tecnológica do setor. Com isto, o País poderá se posicionar como produtor de veículos de alta intensidade tecnológica e exportador global de soluções voltadas à eletrificação. Temos uma vocação industrial centenária e já demonstramos, mais de uma vez, a resiliência e a capacidade inovadora do setor de transformação. Ainda assim, considero que o momento é decisivo para o futuro da indústria automotiva nacional. A alternativa não é continuarmos produzindo apenas o invólucro dos veículos sem a densidade tecnológica e a capacidade de inovação que nosso posicionamento singular em termos de riquezas minerais e industrial nos permite alcançar. Vivemos um momento importante e urgente. Nossas jazidas minerais possuem relevância estratégica comparável à do programa do pré-sal, pois têm potencial geopolítico para posicionar o País como um polo de desenvolvimento e exportação de tecnologia de ponta. Por isto, é fundamental estabelecer um marco regulatório adequado para o setor mineral, conectado à produção local de componentes de alta tecnologia, além de avançar na execução de planos consistentes de curto, médio e longo prazo. Se soubermos transformar nossas riquezas minerais em capacidade industrial e tecnológica, o Brasil deixará de ser apenas um fornecedor de matéria-prima para ocupar um espaço de protagonismo na nova cadeia global da mobilidade, da eletrificação e das tecnologias de alto valor agregado. Rogelio Golfarb foi presidente da Anfavea de 2004 a 2007, quando ocupava a diretoria de assuntos corporativos da Ford para a América do Sul
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