62 Maio 2026 | AutoData ANFAVEA 70 ANOS » ARTIGO Muito já se escreveu sobre os ciclos econômicos do Brasil, que historicamente alterna períodos de recessão, depressão, recuperação e prosperidade. Mas não posso deixar de voltar ao tema da contração e da expansão da economia ao olhar pelo retrovisor e fazer um balanço do período em que tive o privilégio de presidir a Anfavea, de 2010 a 2013. Aqueles foram anos desafiadores para o Brasil e para o mundo devido ao esforço para superar o impacto da crise financeira de 2008 – uma recessão global desencadeada pelo colapso do mercado imobiliário nos Estados Unidos e pela falência de grandes instituições financeiras. No Brasil apostamos em um movimento anticíclico, estimulando investimentos para manter o nível de atividade econômica. Articulamos medidas de apoio ao consumo que trouxeram resultados muito positivos e, também, trabalhamos para estruturar um programa que mudou efetivamente o padrão dos veículos nacionais. Como resultado alcançamos recordes de produção. Foram 3 milhões 640 mil veículos produzidos em 2010 e 3,4 milhões nos dois anos seguintes. Isto representa, na prática, 1 milhão de veículos acima do volume produzido em 2025. Por outro lado nosso esforço para constituir uma política setorial coerente Lições aprendidas ajudam a planejar melhor e duradoura resultou na criação do programa Inovar-Auto em 2012. O programa trazia metas específicas ousadas de investimentos mínimos em P&D para inovação e investimentos em engenharia, TIB, de tecnologia industrial básica, e capacitação de fornecedores. Além disso estabelecia padrões elevados de eficiência energética e segurança veicular. Este breve balanço tem por objetivo recordar lições aprendidas a fim de ajudar a projetar o futuro da indústria automotiva e da economia brasileira. O que vivemos naquele período reforça a necessidade de concentrarmos esforços no planejamento de médio e longo prazo, para buscar desenvolver o mercado conforme sua potencialidade e contribuir para um cenário econômico mais previsível e estável. Precisamos incentivar o debate e influenciar a esfera pública sobre a necessidade de maior equilíbrio macroeconômico e de um compromisso de todos os níveis de poder com um projeto de desenvolvimento nacional. O Brasil tem muito a crescer. Analisando apenas o setor automotivo observamos que os mais de 200 milhões de brasileiros operam uma frota circulante de 50 milhões de veículos. Isso representa um veículo para cada quatro habitantes. Este é indicador de que há espaço para duplicar nossa frota, expandindo a produção com consequente aumento de emprego, renda e arrecadação. O desafio é atenuar ou eliminar o comportamento cíclico da economia brasileira, para que o País cresça de modo estável, aproveitando as muitas janelas de oportunidade que a inovação pode abrir. Um dos caminhos é concentrar investimentos em infraestrutura – o crescimento exige energia, sistema viário de qualidade, portos, aeroportos, terminais etc. Tal investimento cria a base necessária para a economia se expandir e, além disso, é em si um vetor de desenvolvimento. Aprendi, ao longo dos anos, que o Brasil é um país cuja economia é marcada por alta volatilidade mas, também, por comprovada resiliência e capacidade de recuperação. Cledorvino Belini foi presidente da Anfavea de 2010 a 2013 e também presidente da Fiat e da Fiat Chrysler na América Latina
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