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68 Maio 2026 | AutoData ANFAVEA 70 ANOS » ARTIGO Durante quase 70 anos, a Anfavea foi conduzida por presidentes representantes das fabricantes associadas. Coube a mim a honra e a responsabilidade de ser o último presidente eleito dentro desse modelo de governança. O setor automotivo mundial atravessava — e continua atravessando — uma transformação profunda. Eletrificação, biocombustíveis, digitalização, mudanças regulatórias, avanço das importações e protagonismo da China alteraram rapidamente o ambiente competitivo global. Assumi a presidência em um dos momentos mais delicados da história recente. O mundo ainda sofria os impactos da pandemia, a escassez de semicondutores interrompia linhas de produção e os conflitos internacionais agravavam a instabilidade logística e econômica. Internamente, era hora de modernizar a entidade, fortalecer sua presença institucional em Brasília e aproximar ainda mais a Anfavea das fábricas e das decisões Transformação, diálogo e futuro estratégicas do País. A tradicional sede em São Paulo também já não representava as necessidades de uma indústria em transformação e, por isso, conduzimos a mudança para novas sedes em São Paulo e Brasília. Também avançamos na aproximação institucional com a indústria de autopeças e a rede de concessionárias, no mesmo momento em que, paralelamente, o Brasil enfrentava crescimento expressivo das importações de veículos eletrificados favorecidos pela alíquota zero. A Anfavea atuou de forma decisiva na recomposição gradual dessas tarifas, buscando condições mais equilibradas para a indústria instalada no País e para a preservação dos investimentos locais. Nesse período nasceu o Programa Mover, Mobilidade Verde e Inovação, marco importante para estimular pesquisa, desenvolvimento, produção local e descarbonização. Também avançou o programa Combustível do Futuro, reforçando o protagonismo brasileiro na mobilidade sustentável e valorizando os biocombustíveis. Outro desafio era renovar a frota nacional, envelhecida após a pandemia. A Anfavea trabalhou intensamente na construção do programa do carro verde, voltado aos veículos de entrada, cuja resposta do mercado foi imediata. Esse ambiente de previsibilidade e confiança ajudou a impulsionar o maior ciclo de investimentos da história recente do setor, com mais de US$ 30 bilhões anunciados pelas fabricantes. Também viabilizamos o retorno do Salão do Automóvel e fortalecemos eventos nacionais e internacionais importantes. Ao final da minha gestão, permaneceu a convicção de que a força da Anfavea sempre esteve na capacidade de dialogar com transparência, responsabilidade e ética com trabalhadores, governo, fornecedores, concessionários e toda a sociedade. Mais do que representar uma indústria, a Anfavea continua representando um compromisso permanente com o desenvolvimento do Brasil. Márcio de Lima Leite foi presidente da Anfavea no período de 2022 a 2025. É membro do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social Sustentável do Governo Federal, vice-presidente da FIESP, membro do Conselho Estratégico da FIEMG e presidente da Câmara Automotiva da FIEMG. Também ocupa o cargo de vice-presidente sênior da Stellantis

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