Ano 34 | Junho 2026 | Edição 433 From the Top Thomas Owsianski, da GM SONIC Chega com a missão de levar a GM além dos 10% de mercado Veículo nacional mais produzido na história da indústria supera Fusca, Gol e Uno somados HONDA CG 50 ANOS ESPECIAIS
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» ÍNDICE Junho 2026 | AutoData 8 76 FROM THE TOP OS INVESTIMENTOS Thomas Owsianski, presidente da General Motors, fala sobre nova fase da centenária fabricante na América do Sul Tabelas atualizadas mostram onde estão sendo aplicados os ciclos bilionários dos fabricantes de veículos GENTE & NEGÓCIOS Notícias da indústria automotiva e movimentações de executivos pela cobertura da Agência AutoData 86 92 FIM DE PAPO As frases e os números mais relevantes e irrelevantes do mês, escolhidos a dedo pela nossa redação Inventário Nacional de Emissões mostra avanços, mas pode contribuir mais com a melhoria da poluição Mesmo com a competição das peças importadas mercado de reposição pode dobrar de tamanho até 2040 CG acompanhou as transformações do País e ajudou milhões de brasileiros a conquistar mobilidade Com motor a combustão 1.5 flex, tem ótimo espaço e acabamento e preço muito menor do que a concorrência Deveria ser Eu e a marca de origem chinesa mas tenho receio de ser novamente processado pela BYD SUV compacto é a aposta da Chevrolet para aumentar sua fatia na pizza do mercado brasileiro Novo plano define quatro marcas globais, que receberão 70% do investimento de 60 bilhões de euros Bonito, espaçoso e custa menos de R$ 100 mil. Conheça o novo Hyundai global feito primeiro no Brasil. GWM sai na frente e tem o primeiro SUV híbrido plug in com motor flexfuel produzido no Brasil Fabricantes reconheceram seus melhores parceiros em um momento de transformação LANÇAMENTO 3 CHANGAN CS75 ESPECIAL HONDA CG 50 ANOS PESQUISA SINDIPEÇAS ESTUDO EMISSÕES ESPAÇO ABERTO BORIS FELDMAN ESPECIAL SONIC LANÇAMENTO 2 HAVAL H6 LANÇAMENTO 1 HYUNDAI I20 INVESTIMENTO STELLANTIS PREMIAÇÃO GM, HPE E TOYOTA 74 54 40 32 84 16 70 66 48 80 30 AUTONEUM 52 VOLTAVA 46 BORGWARNER 68 BRASPAR Divulgação/Honda Divulgação/GM
» EDITORIAL AutoData | Junho 2026 Diretor de Redação Leandro Alves Conselho Editorial Isidore Nahoum, Leandro Alves, Márcio Stéfani, Pedro Stéfani, Vicente Alessi, filho Redação Pedro Kutney, Leandro Alves e Vicente Alessi, filho, editores Colaboraram nesta edição André Barros, Lucia Camargo Nunes, Natasha Werneck e Soraia Abreu Pedrozo Projeto gráfico/arte Romeu Bassi Neto Fotografia DR/Divulgação Capa Fotos: GM e Honda Comercial e publicidade tel. PABX 11 3202 2727: André Martins, Luiz Giadas, Renato Vieira, Rosa Damiano, Valdir Vieira e Vanessa Vianna Atendimento ao cliente tel. PABX 11 3202 2727 Departamento administrativo e financeiro Isidore Nahoum, conselheiro, Thelma Melkunas, Hidelbrando C de Oliveira, ISN 1415-7756 AutoData é publicação da AutoData Editora e Eventos Ltda., Av. Guido Caloi, 1000, bloco 5, 4º andar, sala 434, 05802-140, Jardim São Luís, São Paulo, SP, Brasil. É proibida a reprodução sem prévia autorização mas permitida a citação desde que identificada a fonte. Jornalista responsável Leandro Alves, MTb 30 411/SP autodata.com.br AutoDataEditora autodata-editora autodataseminarios autodataseminarios Por Leandro Alves, diretor de redação O presente e o futuro A transformação que o mercado automotivo nacional está testemunhando nos últimos anos chegou com ainda mais força este mês. Mas não apenas na forma de produtos eletrificados importados. O que ocorre agora é o início de uma esperada contraofensiva. O lançamento do Chevrolet Sonic, projeto global liderado pela engenharia nacional, retratado em uma série de reportagens especiais, pode ser um dos representantes deste movimento. Suas duas versões, ainda com propulsão exclusiva a combustão, foram desenvolvidas para levar a marca da gravata a recuperar parte da participação perdida para novos entrantes e para preparar o terreno para as próximas atualizações, aí sim, eletrificadas. Mas não só o Sonic. A Hyundai do Brasil também liderou um projeto global que resultou no lançamento do i20, um compacto que se posiciona como a ponte dos hatches para os SUVs de entrada, segmento de grande potencial. Produzido inicialmente apenas aqui tem preço competitivo, visual moderno, também foi pensado para a próxima fase dos veículos nacionais e será eletrificado. Pode até ser tratado como uma ironia do destino, mas coube a uma marca de origem chinesa fazer história no Brasil e produzir aqui o primeiro veículo híbrido plug in flex. A GWM tem em seu líder de vendas, o Haval H6, o primeiro representante deste momento, que muito em breve povoará o portfólio de quase todos os fabricantes nacionais. Aparentemente a velocidade da transformação está aumentando. Outra novata chinesa, em parceria com um grupo genuinamente brasileiro, foi capaz de, em menos de seis meses de presença no Brasil, lançar um modelo que já chega bicombustível: a Changan monta na fábrica da Caoa em Goiás o espaçoso e luxuoso CS75 com motor flex. Esta edição não trata apenas do futuro e reverencia o passado em uma série mais do que especial que começa na Revista AutoData e pode ganhar outras plataformas muito em breve: a Honda CG completa 50 anos de produção ininterrupta no País. Pioneira e com mais de 15 milhões de unidades produzidas mostramos neste especial que a CG ajudou a desenvolver a mobilidade no País, compreendeu as necessidades do brasileiro e superou a produção de ícones da indústria como o Fusca, o Gol e o Uno. Somados. Produzindo um conteúdo tão rico e analítico esta AutoData também dá sua contribuição para o presente e para o futuro da indústria automotiva nacional em transformação.
8 FROM THE TOP » THOMAS OWSIANSKI, GM Junho 2026 | AutoData Experiência em liderança Com uma carreira consolidada ao longo de mais de três décadas no setor automotivo, o economista Thomas Owsianski assumiu a presidência da General Motors América do Sul há cinco meses. Velho conhecido da indústria no Brasil e na Argentina, sua trajetória é marcada por passagens em quatro continentes, acumulando liderança em mercados altamente competitivos como o europeu e o asiático. Owsianski iniciou sua jornada profissional em 1992 na Ford, na Alemanha, atuando nas áreas de negócios e marketing. Após 11 anos na companhia, período que incluiu uma passagem pela Hungria, ingressou na Opel — marca que pertencia à General Motors na época —, assumindo posições de liderança em vendas, marketing e pós-vendas no mercado alemão. Em 2012, migrou para o Grupo Volkswagen como diretor de marketing da Skoda, na República Tcheca. O desempenho na Europa o credenciou a ser um dos primeiros executivos enviados pelo grupo para a China, em 2014, onde atuou como diretor de vendas e marketing da Skoda na joint venture entre a Volkswagen e a SAIC. O primeiro contato com o mercado sul-americano ocorreu em 2016, quando se estabeleceu em São Paulo como vice-presidente da Volkswagen. Ele foi um dos principais arquitetos da reestruturação da montadora na região. Em 2017, tornou-se o primeiro vice- -presidente executivo da marca para a América do Sul. Depois disso voltou à China para comandar a Audi e retornou à América do Sul em 2019, baseado na Argentina, acumulando a vice-presidência de Vendas e Marketing. Nessa fase, liderou o projeto Tarek e coordenou a modernização da fábrica de General Pacheco, gerenciando os desafios logísticos durante a pandemia para lançar o SUV Taos, em 2021. Antes de retornar à GM, Owsianski atingiu o topo da estrutura comercial europeia como vice- -presidente sênior de Vendas da Volkswagen na Europa. Owsianski aborda nesta entrevista sua ampla vivência global, combinada ao conhecimento dos mercados brasileiro e argentino e sua liderança neste novo ciclo da Chevrolet na América do Sul. Como você se sente ao retornar à América do Sul e ao Brasil para liderar a operação centenária da General Motors? Como foi essa mudança na sua carreira? É uma excelente experiência pessoal e familiar retornar ao Brasil pela terceira vez — e a quarta na América do Sul. Liderar uma operação com mais de 100 anos de história na região é uma grande oportunidade. Estou entusiasmado para construir, junto com nossa equipe e rede de concessionários, um caminho de crescimento lucrativo para a marca daqui para frente. Quando você aceitou essa nova posição, que missão lhe foi confiada? A missão principal é estabelecer um caEntrevista a Pedro Kutney Clique aqui para assistir à versão em videocast desta entrevista
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10 FROM THE TOP » THOMAS OWSIANSKI, GM Junho 2026 | AutoData pulsão flexíveis, que incluem motores a combustão interna, híbridos e veículos elétricos. Além disso, nossas maiores vantagens competitivas continuam sendo a força e a confiabilidade da marca Chevrolet, aliadas a uma rede com mil concessionárias e 1 mil e 500 pontos de serviço na América do Sul. Até que ponto a posição da GM dentre as três principais montadoras do Brasil está ameaçada por esses novos concorrentes? Em vez de focar exclusivamente em um concorrente ou grupo de concorrentes, priorizamos nossos pontos fortes e diferenciais únicos. Temos produtos locais muito consolidados, desenvolvidos e produzidos na América do Sul. Simultaneamente, aproveitamos a escala global da General Motors e a colaboração com nossas joint ventures na China para complementar o portfólio. Também vamos enriquecer nossa presença no mercado com a introdução da Cadillac no segmento premium. A combinação de engenharia local, manufatura forte, marca e rede nos dá total confiança para manter o protagonismo na região. minho de crescimento lucrativo para a Chevrolet na América do Sul, que é um dos mercados globais mais importantes para a General Motors. Nosso objetivo, mesmo em um ambiente desafiador, é garantir resultados sustentáveis para a empresa, parceiros e concessionários. Temos bases sólidas para isto: 13 mil funcionários no Brasil e 15 mil na região, uma engenharia forte, capacidade robusta de manufatura, cadeia de suprimentos consolidada e uma rede de distribuição capilarizada, fundamental para a atender as experiências do cliente e a disponibilidade de peças. Diante da concorrência das marcas chinesas, que já representam cerca de 18% das vendas no Brasil com produtos de alta tecnologia, qual é a estratégia da GM para recuperar participação de mercado? Este é o ambiente mais competitivo que já vi em 33 anos de atuação no setor automotivo, em quatro continentes. Para enfrentar essa dinâmica, apostamos em um pacote completo. Primeiro, continuaremos atualizando nosso portfólio de produtos com tecnologias de pro- “ A missão principal é estabelecer um caminho de crescimento lucrativo para a Chevrolet na América do Sul, que é um dos mercados globais mais importantes para a General Motors. Nosso objetivo, mesmo em um ambiente desafiador, é garantir resultados sustentáveis para a empresa, parceiros e concessionários”.
11 AutoData | Junho 2026 Como você avalia a expansão das chinesas nos mercados vizinhos ao Brasil? Para consolidar uma grande marca na América do Sul, é preciso ter protagonismo em todo o continente, e não apenas no Brasil. A concorrência é forte em todos os países, mas nossa estratégia se baseia em um portfólio modular e flexível. Combinamos veículos fabricados localmente no Brasil e na Argentina com produtos globais importados da nossa joint venture na China, especialmente para os mercados do lado do Oceano Pacífico, como o Chile, e utilitários da América Norte, além de parcerias estratégicas como a que temos com a Isuzu. Essa flexibilidade, somada à solidez da marca Chevrolet e à nossa rede de distribuição na região, garante nossa competitividade, acredito que em todos esses mercados. Qual é a lógica comercial de contratar um operador independente, a Comexport no Ceará, para montar veículos elétricos vindos da China no Brasil, em vez de nacionalizar a produção nas três fábricas próprias já estabelecidas no País? Os custos e padrões atendem aos critérios globais da GM? A parceria com a Comexport provou ser uma plataforma ágil e eficiente para iniciarmos a ofensiva de veículos elétricos na América do Sul. Coincidentemente, eu estava justamente no PACE [Planta Automotiva do Ceará] antes dessa entrevista para o início da produção do nosso segundo modelo lá. Começamos com o Spark EV e avançamos com o Captiva EV. Inclusive, o Brasil é o primeiro país fora da China onde a GM adota esse modelo de produção para esses veículos. Essa Como está avançando a modernização da fábrica de São Caetano do Sul, SP? Foi uma das primeiras instalações que visitei ao assumir a presidência da GM. Acho que foi no segundo ou terceiro dia de trabalho aqui no Brasil. Apesar de ser a planta mais antiga em operação na América do Sul, com 96 anos, ela se consolidou como uma fábrica extremamente moderna. Investimos pesadamente em digitalização, inteligência artificial e o conceito de smart factory, com o uso intenso de digitalização e Inteligência Artificial. A área de estamparia e prensa, por exemplo, é uma referência global dentro do grupo. São Caetano continuará sendo um pilar absoluto da nossa rede de manufatura, e teremos novidades sobre ela ainda este ano. Como está o ciclo de investimentos na planta de Gravataí, RS, e qual é o cronograma para o novo modelo lançado? A fábrica de Gravataí é uma das unidades mais eficientes da rede global da GM e também opera sob o conceito de fábrica inteligente, com uso intensivo de IA e processos digitais avançados. O recente lançamento do Sonic, o novo modelo global marca o início de um ciclo de investimentos, com mais novidades planejadas para o futuro. O veículo tem demonstrado excelente aceitação mercadológica por seu design, tecnologia e competitividade de preço, somando cerca de 14 mil pedidos iniciais. Atualmente, a linha de produção opera no ritmo de 63 veículos por hora. Por tudo isto que acontece em Gravataí diria que mais está por vir no futuro.
12 FROM THE TOP » THOMAS OWSIANSKI, GM Junho 2026 | AutoData flexibilidade permitiu uma entrada rápida no mercado, e o sucesso comercial valida a estratégia: já comercializamos mais de 5 mil unidades dessas linhas no País, tornando-as líderes em seus respectivos segmentos. No final do ano, lançaremos um terceiro veículo a partir dessa estrutura. Sobre os critérios técnicos, a operação atende 100% aos padrões globais de qualidade e manufatura da General Motors. Até 2028, a meta da GM é introduzir pelo menos 10 modelos eletrificados no mercado brasileiro. Como esse cronograma será cumprido? O plano de expansão é robusto diante do avanço da eletrificação na região. Além dos dois modelos elétricos já disponíveis, introduziremos um terceiro modelo com propulsão alternativa até o fim do ano. Paralelamente, estamos muito próximos de lançar o nosso primeiro veículo híbrido flex desenvolvido e produzido localmente no Brasil. Estamos rigorosamente dentro daquele cronograma que foi estabelecido. O Sr. Pode dizer quais modelos fabricados pela GM no Brasil receberão a tecnologia híbrida flex? Ainda não podemos abrir os modelos específicos, pois os anúncios oficiais ocorrerão em um futuro muito próximo. O desenvolvimento de engenharia local e a validação dos sistemas híbridos flex estão na fase de conclusão em nossa organização. Então, fiquem ligados, pois continuaremos com novidades. Quando você refere-se a um futuro muito próximo, estamos falando de lançamentos ainda este ano ou no próximo? Vou manter a precisão do alinhamento institucional: os detalhes serão revelados no momento oportuno do planejamento para os próximos lançamentos. O portfólio local da Chevrolet concentra grande volume de participação nos segmentos de compactos de entrada. Há espaço para expandir a presença em picapes e SUVs de médio porte, que oferecem maior margem de rentabilidade? “ A parceria com a Comexport provou ser uma plataforma ágil e eficiente para iniciarmos a ofensiva de veículos elétricos na América do Sul. Inclusive, o Brasil é o primeiro país fora da China onde a GM adota esse modelo de produção. Essa flexibilidade permitiu uma entrada rápida no mercado, e o sucesso comercial valida a estratégia”.
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14 FROM THE TOP » THOMAS OWSIANSKI, GM Junho 2026 | AutoData A América do Sul é historicamente um mercado voltado para picapes e utilitários, e a Chevrolet possui uma forte herança global e regional nesses segmentos. Atualmente, contamos com produtos de grande sucesso feitos na região, como as picapes S10 e a Montana, além de modelos importados da América do Norte que atendem mercados específicos. Continuaremos investindo no fortalecimento dessa linha, pois o sucesso na região depende diretamente de uma oferta robusta de picapes. Identificamos grandes oportunidades de crescimento explorando a força da nossa marca nesses segmentos certamente de maior valor agregado. Como funcionará a estratégia comercial para a chegada da marca Cadillac no Brasil? A operação utilizará a rede de concessionárias Chevrolet existente? A introdução da Cadillac na América do Sul exige uma abordagem dedicada para garantir uma experiência legítima de alto luxo. Por essa razão, iniciaremos a operação comercial com três parceiros selecionados. A rede será composta por uma combinação de concessionários atuais do grupo que já possuem estrutura qualificada e novos parceiros que “ Além dos dois modelos elétricos já disponíveis, introduziremos um terceiro modelo com propulsão alternativa até o fim do ano. Paralelamente, estamos muito próximos de lançar o nosso primeiro veículo híbrido flex desenvolvido e produzido localmente no Brasil”. chegam para agregar ampla experiência no segmento automotivo premium. O lançamento oficial ocorrerá lá no quarto trimestre, inicialmente com os modelos elétricos Lyriq e Vistiq, seguidos posteriormente pelo Optic. A estratégia global da GM focada na visão de “Zero Emissão, Zero Acidente e Zero Congestionamento” previa a transição direta dos motores a combustão para os elétricos e autônomos. Esse plano foi redefinido para incluir híbridos? A transição energética global e regional mostrou-se um processo complexo que exige flexibilidade. A experiência prática em diferentes continentes evidencia que o consumidor precisa de um leque amplo de escolhas. Como uma marca de grande volume, a Chevrolet deve disponibilizar todo o espectro de tecnologias de propulsão de acordo com a maturidade da infraestrutura local. Isso engloba desde motores a combustão interna altamente eficientes até opções híbridas leves, híbridas flex, híbridas plug-in e veículos 100% elétricos. Essa abordagem flexível garante que a GM possa promover uma transição de forma sustentável nas próximas décadas no Brasil e na América do Sul.
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16 Junho 2026 | AutoData Para uma marca que já ostentou gravatinha dourada na dianteira dos seus carros nos anos em que liderou o mercado brasileiro obter 10,5% das vendas de veículos leves em maio é pouco. Ainda mais olhando para baixo na lista dos mais vendidos e visualizando fabricantes novatas tão próximas. Não é um desempenho que agrade à diretoria da General Motors do Brasil, tampouco a rede Chevrolet formada por cerca de seiscentas concessionárias. O próprio presidente da operação local, Thomas Owsianski, admite: “Dez por cento não é o suficiente para a marca e para a sua rede de concessionárias. Precisamos crescer. Queremos e podemos crescer de forma sustentável Por André Barros Para além dos 10% SUV compacto Sonic é a aposta da Chevrolet para aumentar sua fatia na pizza do mercado brasileiro, atualmente flutuando em 10% para nós e para a nossa rede de concessionários. Claramente precisamos de um market share maior”. Trata-se de desafio e tanto para marca com presença centenária no País, que tem seu portfólio estagnado por causa de decisões globais que interromperam um ciclo natural de evolução e investimentos mas, sobretudo, frente a uma concorrência com origem na China que importa e começa a produzir veículos muito mais modernos por aqui. Completando pouco mais de cem dias no cargo, e retornando à companhia agora como presidente da GM América do Sul, após longa passagem pelo Grupo Volkswagen, Owsianski tem a missão de Fotos: Divulgação/Chevrolet ESPECIAL » CHEVROLET SONIC
17 AutoData | Junho 2026 colocar a operação nos trilhos e de dar clareza à direção dos negócios nos próximos anos. Mas, para isto, precisa de novidades. Mais do que isto, precisa de produtos que agradem ao público brasileiro e tirem o foco da clientela das atrações eletrificadas das marcas chinesas. Uma das grandes apostas nesta retomada já pode ser encontrada na rede de concessionários, que esteve nos últimos anos ansiosa por produtos inéditos. O SUV compacto – pela empresa considerado um SUV cupê – Sonic chega para concorrer em um segmento com alto potencial de crescimento e muita concorrência. Com sua proposta de desing alinhado a alguns produtos globais tem todas as credenciais para ajudar a Chevrolet a brigar por uma fatia maior do mercado. PERDENDO ESPAÇO PARA CHINESES É inegável que a marca que mais perdeu espaço para as empresas de origem chinesa que chegaram nos últimos anos foi a Chevrolet. Em 2020, último ano em que liderou as vendas no Brasil e teve o Onix como modelo mais vendido, foram registrados 338,5 mil veículos da marca, ou 17,5% do total do mercado. No ano passado a participação chegou a 10,8%, com 275,9 mil unidades. Em cinco anos as vendas da GM caíram 17,5% e a Chevrolet passou de líder a terceira marca mais vendida, superada por Fiat e Volkswagen, ameaçada pela quarta, Hyundai, e agora pela chinesa que mais cresce no mercado, a BYD. Porque enquanto seus concorrentes inundaram o mercado de novidades, do BYD Dolphin Mini ao GWM Haval H6, passando pelos Volkswagen Tera e Fiat Strada – que roubou do Onix a liderança – a Chevrolet pouco avançou em seu portfólio. Lançou o SUV Tracker, é verdade, assim como a picape Montana, mas foi pouco e o resultado não veio em forma de aumento de market share, embora estivessem justamente nos dois segmentos que mais cresceram em vendas no período. Seus passos rumo à eletrificação também não acompanharam o mercado: trouxe o Bolt, parou de vender o Bolt, lançou o Bolt EUV dias antes de interromper a produção nos Estados Unidos… só voltou a acertar a direção recentemente, com a nova linha de elétricos iniciada com o Blazer e Equinox e agora com a montagem em território nacional do compacto Spark e do Captiva – ambos kits desses veículos importados da China. Para piorar o campeão de vendas, Onix, precisou ter sua produção interrompida no meio da pandemia por causa da crise dos semicondutores. À época a GM direcionou os chips para seus veículos da América do Norte, preferencialmente – por causa de suas margens de lucro mais generosas –, e a fábrica de Gravataí chegou a ficar meses sem produzir o hatch e o sedã. A difícil decisão fortaleceu seus concorrentes diretos, como Hyundai HB20, Fiat Argo e Volkswagen Polo. Depois o Onix ainda sofreu com rejeição por causa da polêmica criada por ter a correia do motor banhada a óleo, em uma onda de desinformação que a GM não soube enfrentar deixando as redes sociais criarem um estigma que agora é difícil de combater. Foram poucos os problemas relatados, é verdade, e a maioria por mau uso do cliente – óleo sem a especificação sugerida – e a extensão da garantia, colocada como solução pela companhia, não teve o mesmo alcance dos boatos. Esta conjunção de fatores derrubou
18 Junho 2026 | AutoData C M Y CM MY CY CMY K a participação da GM pouco a pouco até chegar na situação atual, de pouco mais de 10% do mercado. No ano passado, mesmo com a tardia reestilização do Onix e do Onix Plus, caíram 12,4%. A VIRADA DE PÁGINA Para retomar o mercado perdido a GM não pretende reinventar a roda, mas investiu forte: R$ 1 bilhão do ciclo de R$ 7 bilhões anunciado em 2024 até 2028. Mirou o segmento com alto potencial de crescimento, o de SUVs compactos, e posicionou um modelo com bastante tecnologia e preço atrativo. Foi a mesma coisa que fez com o Onix no passado, modelo que chegou a liderar as vendas e colocar a marca no topo do pódio. Mas o mercado agora já não é o mesmo. Embora seja generoso o pacote de itens de tecnologia e conforto oferecido nas duas versões, RS e Premier, o Sonic não traz nenhuma inovação ao segmento. Melhorou, é verdade, o que já é encontrado em rivais, como os faróis full led com projetor que traz peças mais leves e mais eficiência, o sistema Adas com maior cobertura graças à câmara com mais definição, e um visual mais moderno inspirados em seus elétricos produzidos na América do Norte. São exemplos que não devem pesar decisivamente em um crescimento robusto, embora ajudem a diferenciar o Sonic da concorrência. Ele foi posicionado dentro do portfólio em um patamar mais elevado em termos de preços, com as duas versões equipadas com transmissão automática de série. Para este primeiro momento de lançamento a Chevrolet definiu preços promocionais, de R$ 129 mil 990 na Premier e de R$ 135 mil 990 para a RS, que serão mantidos ainda por tempo indeterminado. Desta forma o Sonic não brigará na faixa mais competitiva e atraente do segmento, entre R$ 110 mil a R$ 120 mil com versões de Tera, Kardian e Pulse, missão deixada na mão do Onix Activ, a versão suavizada do hatch produzido na mesma Gravataí. O vice-presidente de vendas Rafael Santos diz que o grande chamariz do Sonic é seu design imponente, com a parte dianteira elevada, diversos vincos que criam o que os designers chamam de musculatura. “Ele não sairá da cabeça do consumidor”, afirmou, citando o mote da campanha de marketing que é veiculada na mídia desde o começo de junho. PRIMEIROS RESULTADOS Em pouco mais de duas semanas de Sonic nas concessionárias a GM diz ter vendido 14 mil unidades. Foi a melhor estreia de um modelo Chevrolet no mercado brasileiro na história, resultado que reforça a aposta da empresa no SUV cupê. “Desde sua apresentação o Sonic vem despertando forte interesse do público e traduzindo essa conexão em vendas”, diz um confiante presidente Owsianski. “O resultado alcançado reforça o potencial do produto e a força da marca Chevrolet no mercado brasileiro.” Segundo a Fenabrave foram emplacadas 2,8 mil unidades do Sonic em maio, com menos de trinta dias de vendas. A GM não divulgou projeções de volume, mas admite que a ideia é posicionar o novo carro dentre os mais vendidos do País. O Brasil foi só o primeiro mercado a vender o modelo, que já começa a chegar à Argentina, Colômbia, Equador, Uruguai e Paraguai. A intenção da GM, aos poucos, é expandir as exportações, inclusive para além da América Latina. ESPECIAL » CHEVROLET SONIC
19 AutoData | Junho 2026 A Toyota reconheceu a Autoliv Brasil com o Outstanding Performance Award 2025, concedido a fornecedores que se destacam pela excelência operacional, consistência de desempenho e competitividade sustentada, com disciplina na execução e foco absoluto na qualidade. Para a Autoliv, esse reconhecimento reflete uma operação baseada em padronização, disciplina e execução consistente, onde tecnologia, engenharia e pessoas garantem robustez e previsibilidade na entrega. Em sistemas de segurança, milissegundos fazem a diferença. E essa mesma precisão orienta nossos processos produtivos: execução disciplinada, baixa variabilidade e consistência na entrega. Seguimos avançando com foco em excelência operacional e competitividade, fortalecendo nossa capacidade de entrega e a confiança dos nossos clientes. autoliv.com Acesse nosso LinkedIn: Saving More Lives
20 Junho 2026 | AutoData Ampliar os volumes e ganhar participação de mercado. Embora não revele os números de sua [grande] expectativa a General Motors tem visão clara sobre a missão do SUV cupê compacto Sonic no mercado brasileiro. O vice-presidente de relações institucionais, comunicação e ESG, Fábio Rua, diz que a meta é colocá-lo junto com os carros mais Por André Barros A missão do Sonic no mercado brasileiro Modelo global desenvolvido no Brasil chega para recuperar participação de mercado e a expectativa é de que pode vir a ser o Chevrolet mais vendido vendidos do mercado brasileiro. Pode, inclusive, tornar-se o Chevrolet líder de vendas considerando o portfólio nacional. Para fazer o barulho necessário a GM direcionou o maior orçamento de marketing de sua história para esta missão, segundo o CMO, chefe executivo de marketing, Gustavo Aguiar. O título da música- -tema da campanha, Can’t Get You Out Fotos: Divulgação/Chevrolet ESPECIAL » CHEVROLET SONIC
21 AutoData | Junho 2026 of My Head, da cantora australiana Kylie Minogue, resume a proposta: a Chevrolet não quer tirar o Sonic da nossa cabeça. “Hoje competimos com diversos ladrões de atenção do consumidor”, afirmou o executivo em entrevista a AutoData. “Existe muita coisa acontecendo em muitos meios, as coisas estão bem pulverizadas. Nossa proposta é que você fique com o Sonic na cabeça, venha conhecer, olhar de perto. E trabalhar isto em todas as camadas.” Quando Aguiar cita todas as camadas está se referindo às mais diversas mídias. Desde os tradicionais anúncios em TV e jornais até publicidades novas, como a Netflix. “A ideia é repetir o que fizemos com a Tracker no filme Caramelo”, afirma, lembrando da ação que ajudou a divulgar o filme com a criação de um veículo na cor do cachorro, que posteriormente foi doado a instituto que resgata animais. A Chevrolet também pretende voltar aos grandes eventos, como no passado, quando patrocinou o Big Brother Brasil e o festival Lollapalooza: “Somos os patrocinadores da Fórmula 1 na Globo. E não é só porque temos a Cadillac de volta à competição mas porque eventos culturais relevantes estão no nosso alvo”. POSICIONAMENTO DE MERCADO Quase um terço das vendas de SUVs, o segmento que já responde por mais de 40% dos emplacamentos de veículos leves no País, são de modelos compactos. Neste universo compacto, de entrada no segmento, avaliando somente as opções com preços abaixo de R$ 150 mil, chega a 27%. É nessa faixa de mercado, com grande potencial, que o Chevrolet Sonic quer e precisa se destacar. As opções para o consumidor são diversas: Volkswagen Tera, Renault Kardian e Fiat Pulse são os concorrentes diretos, mas a disputa pega também modelos maiores, como Nissan Kait, Volkswagen Nivus e até a Chevrolet Tracker. E há mais opções chegando no mercado, como o Jeep Avenger – afora todos os chineses eletrificados e de preço competitivo. Para compreender como a GM quer ocupar o segmento de SUVs nada melhor do que a própria companhia fazer o raciocínio: é que, na sua interpretação, SUVs e crossovers, no portfólio Chevrolet, são nada menos do que dez opções. A escada começa no Onix Activ, para a GM a versão suavizada do hatch compacto. Ele abre o portfólio, que tem o Sonic no Classificado como SUV de entrada o Onix Activ pode ocupar espaço que seria do Sonic
22 Junho 2026 | AutoData segundo degrau. Acima do Sonic vêm, na ordem, Tracker, Spin, Equinox e Trailblazer. Em paralelo aparecem os elétricos: Spark, Captiva, Equinox EV e Blazer. Nem todos desta lista podem ser considerados SUVs, mas é assim que a empresa quer se posicionar no mercado. E a escada é por tamanho, desde os 4m163 do Onix Activ até os 4m867 da Trailblazer. O Sonic tem 4m228: é bem maior do que o Tera e Kardian, 4m120, e Pulse, 4m09. Nesta comparação disputa com os 4m260 do Nivus. Ele não tem versões com a opção de transmissão manual por ora, o que ajuda a justificar o preço inicial mais elevado, R$ 129 mil 990 – os três citados partem de R$ 100 mil. Ao menos neste início de jornada a General Motors decidiu manter os preços promocionais anunciados no lançamento. São apenas duas versões: a Premier, pelos já citados R$ 129 mil 990, e a com apelo mais esportivo por dentro e por fora, a RS, oferecida a R$ 135 mil 990. Os excelentes resultados de vendas, com mais de 14 mil unidades encomendadas em apenas duas semanas, deram um sinal para a organização. Foi a melhor estreia de um veículo na história da Chevrolet no mercado brasileiro. Agora os valores estão sendo mantidos: “Cresceremos em volume, market share e em lucratividade com o Sonic em nosso portfólio”, comemorou o VP Fábio Rua. No entanto a GM não confirmou se estes serão os preços sugeridos de referência daqui em diante ou se fará uma nova alteração na tabela em breve. Mas considerando a maioria dos seus concorrentes, cujos valores podem variar de R$ 1 mil a R$ 5 mil para mais ou para menos, pode ser que este seja o posicionamento definitivo para as duas versões. Mesmo assim, sem que um reajuste ocorra em um futuro não tão distante, a missão do Sonic não é das mais fáceis. Contra sua receita de um visual atraente, um padrão de qualidade e de equipamentos que atendem às necessidades do consumidor desse segmento, e da sua dinâmica elogiada no primeiro contato da reportagem de AutoData, está o número reduzido de versões e, sobretudo, a ausência de uma opção com transmissão manual para disputar a porta de entrada dos modelos compactos. Por não estar nessa faixa mais próxima dos R$ 100 mil, que a Chevrolet deixa para o Onix Activ, possivelmente os volumes do Sonic não serão tão elevados e não superará os do Onix. Mas tem condições de brigar no Top 10. ESPECIAL » CHEVROLET SONIC Pulse, Kardian e Tera, os principais concorrentes do Sonic
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24 Junho 2026 | AutoData Na aparência o Sonic pode ser apenas o SUV compacto do Onix. Mas a julgar pelo desenvolvimento e os diversos processos, tanto de engenharia quanto de métodos de produção, que consumiram R$ 1 bilhão, este novo modelo Chevrolet é muito mais do que uma simples adaptação da carroceria hatch e sedã fabricados em Gravataí, RS. Quase metade do valor investido foi utilizada em novas ferramentas de engenharia como design generativo, simuPor Leandro Alves, de Brumadinho, MG SUV global feito pelo Brasil A engenharia brasileira da GM cuidou deste projeto e trouxe algumas novidades além do design inédito lações virtuais e inteligência artificial para criar este projeto global que teve a idealização, liderança, desenvolvimento e as validações feitas no Brasil. Estiveram envolvidos diretamente no projeto do Sonic 336 engenheiros brasileiros, que trabalharam 792 mil horas neste novo veículo, segundo a General Motors, sendo 55 mil horas de desenvolvimento virtual e 1 mil 27 horas em análises e validações no campo de provas e também no ambiente virtual. Fotos: Divulgação/Chevrolet ESPECIAL » CHEVROLET SONIC
25 AutoData | Junho 2026 No campo de provas de Indaiatuba, SP, foram mais de 500 mil quilômetros rodados com 27 protótipos e outros 6,8 mil quilômetros de testes em laboratórios de emissões. O resultado é um SUV que trouxe algumas novidades técnicas interessantes, como um melhor ajuste da suspensão, e a melhoria em diversos pontos, como ruídos na carroceria. MOTORIZAÇÃO A nova geração do motor 1.0 turbo de injeção direta evoluiu e agora dispõe de vinte módulos e milhares de microchips que trabalham em tempo real coordenando o desempenho, a eficiência e a dirigibilidade, segundo a GM. O turboflex 1.0 de 115 cv e 18,9 kgfm de torque foi submetido a condições severas por estradas movimentadas, sinuosas e em péssimas condições durante a viagem inaugural do Sonic feita pela reportagem de AutoData de Belo Horizonte até Brumadinho, em Minas Gerais. E seu desempenho não deixou o motorista frustrado nem em ultrapassagens pela rodovia Fernão Dias nem na sinuosa estrada pela Serra do Rola Moça, cheia de caminhões utilizados na mineração, quando o Sonic foi mais exigido. A aceleração linear e previsível com trocas suaves e progressivas da transmissão de seis marchas permitem um comportamento que não compromete seu desempenho. Na leitura do computador de bordo, com duas pessoas no veículo e abastecido com gasolina, o Sonic fez 12,5 km/l nestes pouco mais de 100 quilômetros. Uma das razões para este bom resultado, de acordo com Fábio Morgan, engenheiro chefe do projeto que concebeu o Sonic, é que ele tem, em média 200 kg a menos do que alguns concorrentes do segmento dos compactos, melhorando sua relação peso/potência e, consequentemente, o desempenho e o consumo. CONJUNTO Este novo SUV tem no seu conjunto um dos pontos que pode atender às expectativas dos consumidores brasileiros. Há muito a GM não trazia novidades para seus produtos e no Sonic, já no contato com o volante, percebe-se uma das melhorias. A calibração da direção é um dos elementos que definem a ótima condução do Sonic. Sua assistência elétrica progressiva oferece resposta mais natural e confortável. Outro destaque é o diâmetro de giro da direação, de 10m60. A maior precisão na montagem, com processos automatizados, e o trabalho nos pormenores, como na eliminação dos micro ruídos, deixaram a cabine mais Fábio Morgan conta sobre a ideia do amortecedor com ajuste múltiplo
26 Junho 2026 | AutoData ESPECIAL » CHEVROLET SONIC confortável. O nível de ruídos é, segundo estudo comparativo da GM, o melhor da categoria dos SUV compactos. Mas a principal novidade é o novo conjunto de amortecedores pressurizados multiválvulas flexível, que que se adapta às diferentes condições de piso. No primeiro contato durante o percurso até Brumadinho o Sonic mostrou muita pouca vibração por causa da sua suspensão multiválvula. Esta dinâmica é muito diferente das suspensões tradicionais, de acordo com Fábio Morgan, e na prática percebeu-se a carroceria estável e os pneus trabalhando nas estradas com piso bastante irregular. Outra vantagem destacada pelo engenheiro é a altura livre do solo, de 201 milímetros, que facilita superar obstáculos como lombadas e até trechos alagados. Mas, também, em percurso com muitos buracos e pedregulhos, como o enfrentado na reta final do trajeto até o parque Inhotim, em Brumadinho, as vibrações tiveram absorção surpreendente para um SUV da categoria compacto. Morgan conta que nesta situação está o melhor exemplo do trabalho de desenvolvimento dos novos amortecedores no qual “o conjunto vai se adaptando conforme a compressão e a exigência”. CONFORTO E CONVENIÊNCIA O interior do Sonic replica praticamente toda a disposição de instrumentos do Onix. É aqui que ele denuncia que sua produção compartilha a mesma linha de montagem no Rio Grande do Sul. O Sonic, contudo, inaugura a nova estrutura de serviços OnStar na linha 2027. Todos os veículos equipados com este sistema saem de fábrica com o plano Basics incluído por oito anos, que dá acesso ao aplicativo myChevrolet fazer diagnósticos remotos, monitorar a localização do veículo e os comandos à distância, como travar e destravar portas ou ligar o motor para pré-climatizar a cabine. Android Auto e Apple Car Play, conexão bluetooth para dois celulares, Wi-Fi nativo e capacidade de receber atualizações remotas de software fazem parte do pacote de tecnologia que também está presente na concorrência. Desta forma a utilização é uma atribuição que leva em conta as preferências do usuário. No campo da segurança ativa o Sonic estreia a nova geração do Chevrolet Intelligent Driving, que usa uma câmara frontal de alta definição com cerca de 40% mais área de cobertura para ler o cenário à frente. Por causa deste item a frenagem automática de emergência passa a atuar em uma faixa mais ampla de velocidades, de 8 a 130 km/h, e habilita um recurso que reconhece diferenças de textura entre o pavimento e as áreas laterais à pista de rolagem para auxiliar a permanência do veículo dentro da faixa. A partir daí entram em ação sistemas como a própria frenagem automática de emergência, assistente de permanência em faixa com correção ativa, função de manutenção de faixa em situações de perigo e alerta de ponto cego, todos apoiados por controles eletrônicos de estabilidade e tração e ainda com a adoção de seis airbags de série nas duas versõesS. Este pacote coloca o Sonic como uma opção interessante para o concorrido segmento dos compactos. Sua construção, calibração do powertrain e suspensão podem estabelecer um novo parâmetro neste que é o segmento com maior potencial de crescimento dentre os SUVs.
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28 Junho 2026 | AutoData Por André Barros O terceiro modelo de Gravataí Fábrica recebeu R$ 1,2 bilhão em investimento para produzir o SUV cupê, que usa a base do Onix e Onix Plus e nasce com mais de 80% de nacionalização A fábrica mais eficiente da General Motors na América do Sul, e uma das principais da companhia no mundo, finalmente passou a fabricar um terceiro veículo. Desde que o Chevrolet Celta foi descontinuado, em 2015, apenas o Onix e Onix Plus foram produzidos nas linhas de Gravataí, RS. “Tivemos a felicidade de receber o Sonic em nossas linhas”, afirma Ricardo Urbano, diretor do complexo da GM em Gravataí, que completou 26 anos. Ele conta que R$ 1,2 bilhão foi investido na unidade, dentro do ciclo de R$ 7 bilhões aplicados pela companhia no Brasil de 2024 a 2028. Parte para a produção do SUV cupê. Todas as áreas, segundo Urbano, tiveram melhorias, que deixaram Gravataí ainda mais eficiente. Ele revela que desde 29 de abril, dias antes do lançamento oficial do Sonic, 63 veículos passaram a ser produzidos por hora na fábrica, que opera em dois turnos. Fotos: Divulgação/Chevrolet ESPECIAL » CHEVROLET SONIC Sonic trouxe melhorias em todas as áreas de uma das fábricas mais eficientes da GM
29 AutoData | Junho 2026 “Contratamos cerca de trezentas pessoas nos últimos meses. Como trabalhamos em sistema de condomínio industrial tivemos impacto também de novas contratações nos fornecedores ao redor”. Somadas todas as operações do complexo a produção da GM em Gravataí emprega mais de 7 mil trabalhadores. NOVIDADES EM TODAS AS ÁREAS Urbano diz que as áreas de estamparia e armação de carroceria ganharam cerca de cinquenta novos robôs, automatizando ainda mais a produção. A fábrica da GM de Gravataí conta com mais de setecentos robôs e aplicação de inteligência artificial em diversos processos, o que garante maior assertividade na qualidade. Como o Sonic tem portas diferentes do Onix novas células produtivas foram criadas para atender às novas demandas, contou o diretor: “Gerou uma complexidade adicional, porque em algumas células montamos só o Sonic, em outras só o Onix. Então tivemos investimentos aí também”. Novas cores demandaram também mudanças na linha de pintura, inclusive com novo processo de calafetação. E a montagem final precisou ser adaptada para que três diferentes modelos pudessem passar pela mesma linha. O diretor da fábrica destaca a instalação de uma tecnologia inédita, o Bin Picking. É um robô que consegue identificar em uma cesta de peças qual é a que ele precisa para aquele momento, orientado apenas por um sistema de câmaras que funciona como olhos. Desta forma não é preciso ordenar as peças: basta deixar no cesto que o robô faz o trabalho. NACIONALIZAÇÃO ELEVADA Por ter como base o Onix o Sonic já nasce com mais de 80% de conteúdo local, segundo Fábio Rua, vice-presidente de relações governamentais, comunicação e ESG da GM América do Sul. São 46 fornecedores de peças e componentes para o Sonic, espalhados em sete Estados brasileiros: “Tivemos novos fornecedores homologados, mas boa parte já está com a GM há algum tempo”. O executivo disse que um dos objetivos é reduzir os cerca de 20% que ainda dependem de importação: “Nosso objetivo é sempre localizar. Tão logo entendermos que existem fornecedores com qualidade e preço competitivo, atendendo a nossas especificações técnicas, passaremos a comprar aqui. Nossa preferência é comprar no Brasil em vez de trazer de fora”. GRAVATAÍ PRODUZIU OUTROS ÍCONES Inaugurada em 2000, como condomínio industrial, e agregando fornecedores ao seu redor, a fábrica gaúcha da General Motors produziu dois dos principais ícones Chevrolet da história: o Celta e o Onix. Foi para produzir o Celta que foi construída, com investimento de R$ 1 bilhão na época. Depois recebeu outros R$ 240 milhões para expansão e para receber o Prisma, o sedã do Celta, em suas linhas. De 2010 a 2012 R$ 1,4 bilhão, para produzir o Onix. A nova geração do Onix e Onix Plus, sobre a plataforma GEM, consumiu mais R$ 1,9 bilhão em 2019. Cinco anos depois o ciclo mais recente de investimento, de R$ 1,2 bilhão, resultou nestas modernizações e na entrada do SUV cupê Sonic nas linhas. Gravataí recicla 100% de seus resíduos e ostenta a certificação Zero Aterro e tem toda a sua energia consumida proveniente de fontes renováveis. Linha do tempo 2000 Inauguração com produção do Celta 2006 Ampliação para produção do sedã Prisma 2010 a 2012 Expansão para chegada do Onix 2019 Modernização da linha para dos novos Onix e Onix Plus 2024 R$ 1,2 bilhão para modernização do complexo para receber o Sonic
30 De origem suíça, a Autoneum produz revestimentos termoacústicos fornecidos para diversas montadoras no país. Prêmio concedido pela Toyota, além de atributos relacionados à qualidade e à inovação, deve ser atribuído ao time de colaboradores Autoneum recebe prêmio da Toyota Em uma fábrica, os números contam parte da história. Indicadores de qualidade, produtividade, eficiência e entregas são fundamentais para medir resultados. Mas existem conquistas que revelam algo ainda mais importante: a força das pessoas que tornam esses resultados possíveis todos os dias. Foi exatamente isso que a Autoneum celebrou ao receber da Toyota o prêmio “Desempenho Excepcional”, reconhecimento concedido às unidades de São Paulo e Taubaté após um ano inteiro sem reclamações relacionadas ao fornecimento e marcado pelos mais elevados padrões de qualidade. Mais do que uma distinção corporativa, a premiação simboliza o compromisso coletivo de centenas de profissionais que compartilham um mesmo propósito: entregar excelência em cada detalhe. Com raízes que remontam a 1901 e presença em 25 países, a Autoneum é referência global em soluções de gerenciamento acústico e térmico para veículos. Seus componentes estão presentes em diferentes partes dos automóveis, contribuindo para tornar a experiência a bordo mais
31 Cerimônia de premiação da Autoneum com executivos da Toyota revestimentos e componentes multifuncionais desenvolvidos pela companhia ajudam a reduzir ruídos e controlar a temperatura dos veículos, além de contribuir para a diminuição do peso total, favorecendo a eficiência energética e a redução das emissões de CO₂. O compromisso com a sustentabilidade também está presente nos processos produtivos, com iniciativas voltadas ao uso responsável de matérias-primas, à reciclabilidade dos produtos e ao reaproveitamento de resíduos industriais. É uma visão que combina inovação tecnológica, responsabilidade ambiental e geração de valor para os clientes. A premiação recebida da Toyota reforça que excelência não é resultado de um único projeto ou de um momento específico. Ela é construída diariamente, por equipes que acreditam no poder da colaboração, da melhoria contínua e da dedicação ao cliente. Em um setor onde a confiança é conquistada entrega após entrega, a Autoneum demonstra que os melhores resultados surgem quando tecnologia e talento humano caminham juntos. O prêmio reconhece a qualidade dos produtos, mas também celebra algo ainda mais valioso: as pessoas que, todos os dias, transformam compromisso em excelência. silenciosa, confortável, eficiente e sustentável. Mas, por trás de toda essa tecnologia, existe uma história construída diariamente por pessoas. O reconhecimento da Toyota evidenciou justamente esse aspecto. Ao longo das comemorações realizadas nas unidades brasileiras, colaboradores de diferentes áreas compartilharam suas experiências e mostraram como a busca pela qualidade vai além dos processos industriais. Ela está presente na atenção dedicada a cada etapa da produção, na responsabilidade assumida por cada profissional e no orgulho de saber que seu trabalho faz parte de algo maior. Essa cultura de excelência é sustentada pelo APS – Autoneum Production System –, programa que orienta as operações da Autoneum em todo o mundo. A iniciativa promove a troca constante de conhecimento entre unidades, o aperfeiçoamento contínuo dos processos e a busca permanente por inovação e eficiência. O resultado é uma organização preparada para responder aos desafios de uma indústria automotiva em rápida transformação. Hoje, montadoras de todo o mundo enfrentam demandas cada vez maiores por veículos mais eficientes, sustentáveis e tecnologicamente avançados. Nesse cenário, as soluções da Autoneum desempenham um papel estratégico. Os
32 Junho 2026 | AutoData ESTUDO » INVENTÁRIO DE EMISSÕES Por Lucia Camargo Nunes Brasil ainda falha na redução de emissões veiculares Inventário Nacional de Emissões mostra avanços, mas especialistas apontam problemas com a metodologia e tendências ignoradas Em dezembro de 2025, o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima e o Ministério dos Transportes publicaram o Inventário Nacional de Emissões Atmosféricas por Veículos Automotores Rodoviários com dados consolidados até 2024. Naquele ano o Brasil tinha mais de 71 milhões de veículos registrados e emissões totais de gases de efeito estufa deste segmento sobre rodas de 204 milhões de toneladas de CO2 equivalente, CO2e. Esses dados confirmam avanços concretos na redução de poluentes regulamentados ao longo de 40 anos. Mas se o documento elaborado pelo Iema, Instituto de Energia e Meio Ambiente, contabilizando uma série histórica de 45 anos, que vão de 1980 a 2024, merece elogios pela visualização de período longevo, de acordo com especialistas da área, por outro lado, apresenta desatualiações metodológicas e ignora tendências que deveriam estar no centro do debate. Esta é a avaliação de Gabriel Murgel Branco, um dos criadores do Proconve, o Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores, instituído pela Resolução Conama nº 18/1986. Hoje ele atua como consultor independente ao Arte Gemini
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