AutoData | Junho 2026 55 passo rumo à liberdade de ir e vir e à autonomia para milhões de brasileiros. “O conceito foi criar uma moto realmente utilizável nas estradas brasileiras, baseada no modelo japonês mas preparada para pisos ruins e altas temperaturas. E que não quebrasse, mesmo com uma estrutura limitada de manutenção. Para isto foram feitas mudanças significativas no projeto”, relembra Momiyama San, engenheiro japonês que atuou no Brasil de 2005 a 2009 e que costuma citar a adaptação da CG original como exemplo da filosofia da marca no País. Em vez de priorizar desempenho a fabricante apostou em robustez. O motor monocilíndrico de 124 cm³ de cilindrada com comando de válvulas no bloco, a construção simples e a fama de consumir pouco combustível faziam sentido onde o automóvel ainda estava distante da realidade da maior parte da população. TRANSFORMAÇÕES O sucesso da CG nunca esteve apenas no produto mas na capacidade de acompanhar um País em transformação. Ao longo das décadas seguintes o Brasil viveria a redemocratização, trocaria de moeda, enfrentaria crises econômicas e veria suas cidades crescerem em ritmo acelerado. Surgiriam novas profissões e novas formas de trabalhar e se deslocar. Quando chegou ao mercado a CG oferecia algo raro para a época: autonomia. Encurtava distâncias, ampliava horizontes e permitia aceitar empregos mais distantes ou simplesmente reduzir a dependência do transporte público. Mais do que oferecer mobilidade a CG passou a oferecer tempo. E, para quem passa horas em deslocamentos diários, tempo significa oportunidade. O SONHO POSSÍVEL A trajetória da CG ajuda a entender algumas particularidades do próprio consumidor brasileiro: “Aqui vende-se muita moto porque as pessoas não têm dinheiro para comprar um carro”, analisa Roberto Iquejiri, ex-diretor de Relações Institucionais e Assuntos Governamentais da Honda e presidente da Abraciclo de 1999 a 2003, em entrevista concedida anos atrás a este repórter. A afirmação ajuda a entender por que a motocicleta ocupa um espaço tão relevante no mercado brasileiro. Em muitos outros países o automóvel representa o primeiro passo da mobilidade individual. No Brasil, para milhões de pessoas, este papel coube à moto. A importância da CG talvez seja melhor compreendida observando outros dados Em 1982 a motocicleta dava acesso à mobilidade para todas as classes de brasileiros Campanha destacando a economia de combustível e outras qualidades da moto popular brasileira
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