{"id":101096,"date":"2026-03-19T17:01:52","date_gmt":"2026-03-19T20:01:52","guid":{"rendered":"https:\/\/www.autodata.com.br\/noticias\/noticias-preview\/101096\/"},"modified":"2026-03-19T19:11:30","modified_gmt":"2026-03-19T22:11:30","slug":"alta-nos-precos-do-diesel-pressiona-o-transporte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.autodata.com.br\/wordpress\/2026\/03\/19\/alta-nos-precos-do-diesel-pressiona-o-transporte\/101096\/","title":{"rendered":"Alta nos pre\u00e7os do diesel pressiona o transporte"},"content":{"rendered":"\n<p>S\u00e3o Paulo &#8212; A escalada do pre\u00e7o do diesel, provocada pelos ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Ir\u00e3, ganhou intensidade e j\u00e1 anula, na pr\u00e1tica, os efeitos das <a href=\"https:\/\/www.autodata.com.br\/noticias\/2026\/03\/12\/governo-zera-imposto-do-diesel-para-segurar-alta-do-petroleo\/100767\/\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/www.autodata.com.br\/noticias\/2026\/03\/12\/governo-zera-imposto-do-diesel-para-segurar-alta-do-petroleo\/100767\/\">medidas adotadas pelo governo federal para conter a alta<\/a>. Dados do IBPT, Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributa\u00e7\u00e3o, mostram que gasolina acumula aumento superior a 19% no m\u00eas e levantamento da Veloe\/Fipe indicam que o litro j\u00e1 chegou a R$ 7,17.<\/p>\n\n\n\n<p>O movimento ocorre mesmo ap\u00f3s a isen\u00e7\u00e3o de PIS\/Cofins e a cria\u00e7\u00e3o de uma subven\u00e7\u00e3o para produtores e importadores. Segundo o Minist\u00e9rio da Fazenda o pacote poderia reduzir o pre\u00e7o em at\u00e9 R$ 0,64 por litro. Na pr\u00e1tica, por\u00e9m, o efeito foi neutralizado poucos dias depois com o reajuste promovido pela Petrobras para as distribuidoras.<\/p>\n\n\n\n<p>Em entrevista \u00e0 <strong>Ag\u00eancia AutoData<\/strong>, Vin\u00edcios Fernandes, diretor de unidades de neg\u00f3cio da Edenred Mobilidade, avaliou que os dois movimentos tendem a se compensar no curto prazo: \u201cA desonera\u00e7\u00e3o deveria gerar uma redu\u00e7\u00e3o de cerca de 32 centavos, mas o reajuste da Petrobras, mesmo n\u00e3o chegando integralmente \u00e0 bomba, acaba praticamente anulando este efeito\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso h\u00e1 um intervalo que separa os an\u00fancios do impacto efetivo nos postos: \u201cN\u00e3o \u00e9 imediato. Existe o tempo de repasse das distribuidoras, ent\u00e3o esses efeitos acabam se equilibrando ao longo dos dias\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Press\u00e3o internacional<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A alta recente est\u00e1 diretamente ligada ao cen\u00e1rio externo com a escalada da guerra dos Estados Unidos e Israel com o Ir\u00e3. O conflito elevou o pre\u00e7o do petr\u00f3leo e aumentou a volatilidade global, com reflexos imediatos no Brasil. Segundo o IBPT o avan\u00e7o deixou de ser pontual e passou a ganhar tra\u00e7\u00e3o ao longo do m\u00eas, com aumentos mais disseminados, inclusive acima de 20% em regi\u00f5es como Centro-Oeste e Nordeste.<\/p>\n\n\n\n<p>Fernandes refor\u00e7ou que o ambiente externo tem sido determinante: \u201cDesde o come\u00e7o do conflito o diesel j\u00e1 acumula alta pr\u00f3xima de 20%. O Brent subiu muito e o c\u00e2mbio tamb\u00e9m segue pressionado\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro fator \u00e9 a depend\u00eancia de importa\u00e7\u00f5es. De acordo com o analista de 20% a 25% do diesel consumido no Pa\u00eds vem do Exterior, o que amplia a exposi\u00e7\u00e3o \u00e0s oscila\u00e7\u00f5es internacionais.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Medidas perdem for\u00e7a<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Diante da alta o governo federal tentou ampliar o pacote de conten\u00e7\u00e3o e prop\u00f4s que estados e o Distrito Federal zerassem temporariamente o ICMS sobre a importa\u00e7\u00e3o do diesel, com compensa\u00e7\u00e3o de 50% das perdas de arrecada\u00e7\u00e3o pela Uni\u00e3o. A medida surgiu ap\u00f3s resist\u00eancia inicial dos governadores em reduzir o imposto, que representa cerca de 20% do pre\u00e7o final do combust\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo com as iniciativas os pre\u00e7os seguem em alta. Levantamento da ANP aponta que o diesel subiu mais de 11% em apenas uma semana, evidenciando a dificuldade de conter o avan\u00e7o. Na avalia\u00e7\u00e3o de Marcelo Rodrigues, presidente da Setcesp, o efeito das a\u00e7\u00f5es \u00e9 limitado.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cS\u00e3o medidas paliativas. O gesto do governo \u00e9 importante, mas n\u00e3o tem efic\u00e1cia neste momento porque o pre\u00e7o disparou.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Para ele uma solu\u00e7\u00e3o mais efetiva dependeria de atua\u00e7\u00e3o direta sobre o pre\u00e7o: \u201cSe houvesse a possibilidade de subsidiar parte do diesel, principalmente considerando a participa\u00e7\u00e3o da Petrobras, poderia ser uma medida mais eficaz\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Impacto direto no transporte<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Como o diesel \u00e9 o principal custo do transporte rodovi\u00e1rio o movimento j\u00e1 pressiona toda a cadeia log\u00edstica. De acordo com Fernandes, da Edenred, o combust\u00edvel representa de 35% a 45% dos custos operacionais de uma transportadora: \u201cSe o aumento n\u00e3o for repassado ele impacta diretamente a margem, ou pode levar a preju\u00edzo\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 Marcelo Rodrigues pontuou que o impacto \u00e9 imediato na opera\u00e7\u00e3o: \u201cA velocidade de reajuste na bomba \u00e9 muito mais r\u00e1pida do que a atualiza\u00e7\u00e3o dos contratos. Existe um prazo at\u00e9 que o transportador consiga repassar este custo\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele tamb\u00e9m apontou preocupa\u00e7\u00e3o adicional com o abastecimento: \u201cAl\u00e9m do pre\u00e7o o que preocupa \u00e9 uma eventual falta de diesel, que impactaria diretamente a opera\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Na pr\u00e1tica as empresas buscam renegociar contratos com clientes, mas o processo n\u00e3o \u00e9 imediato. Em opera\u00e7\u00f5es sem contratos estruturados, especialmente no mercado spot, h\u00e1 casos em que transportadores optam por n\u00e3o rodar: \u201cHouve relatos de empresas recusando cargas por n\u00e3o conseguirem repassar o custo do frete\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>A volatilidade tamb\u00e9m j\u00e1 levou a ajustes regulat\u00f3rios. A ANTT realizou recentemente uma revis\u00e3o extraordin\u00e1ria do piso m\u00ednimo do frete ap\u00f3s varia\u00e7\u00e3o superior a 5% no diesel.<\/p>\n\n\n\n<p>O impacto, segundo o presidente da Setcesp, \u00e9 imediato para transportadores aut\u00f4nomos e para pequenas empresas, que n\u00e3o contam com contratos atrelados ao diesel nem com estruturas de abastecimento pr\u00f3prias: \u201cEles sentem muito mais r\u00e1pido. T\u00eam menor poder de negocia\u00e7\u00e3o e abastecem diretamente no pre\u00e7o do posto\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 grandes frotistas conseguem amortecer parte da volatilidade com contratos e gest\u00e3o de abastecimento.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Efeito na economia e risco inflacion\u00e1rio<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Com cerca de 65% das cargas transportadas por rodovias no Brasil a alta do diesel tende a se espalhar pela economia. O aumento do frete eleva o custo dos produtos e pode pressionar a infla\u00e7\u00e3o. De acordo com o diretor de unidades de neg\u00f3cio na Edenred Mobilidade o impacto \u00e9 mais intenso em setores de menor valor agregado, como o agroneg\u00f3cio, onde o frete pode representar at\u00e9 25% do custo final. Em segmentos como eletr\u00f4nicos e farmac\u00eauticos esse peso varia de 5% a 10%.<\/p>\n\n\n\n<p>Rodrigues, da Setcesp, afirmou que o repasse ao consumidor \u00e9 inevit\u00e1vel, embora n\u00e3o imediato: \u201cEste aumento chegar\u00e1 ao consumidor final. No setor aliment\u00edcio o impacto tende a aparecer mais r\u00e1pido\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o IBPT o avan\u00e7o dos pre\u00e7os dos combust\u00edveis em mar\u00e7o j\u00e1 deve se refletir no \u00edndice de pre\u00e7os do m\u00eas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Tend\u00eancia incerta<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Apesar das medidas em discuss\u00e3o o cen\u00e1rio segue indefinido. A evolu\u00e7\u00e3o do conflito no Oriente M\u00e9dio, a varia\u00e7\u00e3o do c\u00e2mbio e eventuais mudan\u00e7as tribut\u00e1rias continuam sendo os principais fatores de influ\u00eancia, segundo Fernandes: \u201cAinda \u00e9 muito dif\u00edcil prever. Temos vari\u00e1veis externas muito fortes e poss\u00edveis movimentos internos, como mudan\u00e7as no ICMS\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Do lado das transportadoras o cen\u00e1rio \u00e9 de cautela, apontou Rodrigues: \u201cEstamos aplicando reajustes, mas n\u00e3o vemos uma luz clara no curto prazo\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele tamb\u00e9m apontou que empresas t\u00eam buscado alternativas para reduzir impactos, como diversifica\u00e7\u00e3o de fornecedores de combust\u00edvel, diante de um ambiente de forte volatilidade. Al\u00e9m disso o setor acompanha com preocupa\u00e7\u00e3o o risco de paralisa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cH\u00e1 um risco iminente de mobiliza\u00e7\u00e3o de caminhoneiros aut\u00f4nomos. Qualquer interrup\u00e7\u00e3o pode trazer impactos relevantes para a log\u00edstica.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Press\u00e3o internacional e repasses elevam pre\u00e7os mesmo ap\u00f3s pacote do governo para conter alta<\/p>\n","protected":false},"author":25,"featured_media":85956,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[85],"class_list":["post-101096","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-transporte"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.autodata.com.br\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/101096","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.autodata.com.br\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.autodata.com.br\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.autodata.com.br\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/users\/25"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.autodata.com.br\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=101096"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/www.autodata.com.br\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/101096\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":101127,"href":"https:\/\/www.autodata.com.br\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/101096\/revisions\/101127"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.autodata.com.br\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media\/85956"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.autodata.com.br\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=101096"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.autodata.com.br\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=101096"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.autodata.com.br\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=101096"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}