{"id":101453,"date":"2026-03-30T14:57:40","date_gmt":"2026-03-30T17:57:40","guid":{"rendered":"https:\/\/www.autodata.com.br\/noticias\/noticias-preview\/101453\/"},"modified":"2026-03-30T17:04:59","modified_gmt":"2026-03-30T20:04:59","slug":"scania-ve-aumento-no-interesse-de-cidades-por-onibus-a-biometano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.autodata.com.br\/wordpress\/2026\/03\/30\/scania-ve-aumento-no-interesse-de-cidades-por-onibus-a-biometano\/101453\/","title":{"rendered":"Scania v\u00ea aumento no interesse de cidades por \u00f4nibus a biometano"},"content":{"rendered":"\n<p>Goi\u00e2nia, GO \u2013 A chegada dos \u00f4nibus movidos a biometano \u00e0s opera\u00e7\u00f5es do transporte urbano de Goi\u00e2nia, GO, colocou outras cidades no radar da tecnologia. Segundo Alex Nucci, diretor de vendas da Scania, o projeto despertou o interesse de algumas capitais que avaliam adotar o combust\u00edvel como alternativa para descarboniza\u00e7\u00e3o do transporte p\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com o executivo al\u00e9m de Goi\u00e2nia, capitais e polos regionais como S\u00e3o Paulo, Curitiba, PR, Ribeir\u00e3o Preto, SP, e Rio de Janeiro, RJ, j\u00e1 iniciaram negocia\u00e7\u00f5es com a empresa visando a projetos semelhantes: &#8220;S\u00e3o Paulo est\u00e1 avan\u00e7ando bastante na discuss\u00e3o e buscando viabilidade econ\u00f4mica. Curitiba tamb\u00e9m j\u00e1 nos procura, assim como Ribeir\u00e3o Preto, que tem forte voca\u00e7\u00e3o na regi\u00e3o da cana. No Rio de Janeiro h\u00e1 interesse principalmente por causa da disponibilidade de biometano em Serop\u00e9dica\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora ainda sem volumes definidos Nucci avaliou que o movimento \u00e9 consistente e tende a ganhar escala nos pr\u00f3ximos anos: \u201cEste ano ainda deve ser de matura\u00e7\u00e3o, com projetos sendo estruturados. Mas a partir de 2027 vemos o g\u00e1s despontando como uma segunda alternativa relevante ao el\u00e9trico\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Trajet\u00f3ria<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O avan\u00e7o atual do biometano no transporte p\u00fablico \u00e9 resultado de jornada iniciada em 2014, quando a Scania trouxe ao Brasil o primeiro \u00f4nibus movido a g\u00e1s natural e biometano para demonstra\u00e7\u00f5es. Desde ent\u00e3o a companhia acumulou experi\u00eancias com testes, lan\u00e7amentos e opera\u00e7\u00f5es reais em diferentes regi\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2016 lan\u00e7ou o primeiro \u00f4nibus nacional a g\u00e1s e, em 2018, introduziu a linha de caminh\u00f5es movidos ao combust\u00edvel no mercado brasileiro. A comercializa\u00e7\u00e3o ganhou escala a partir de 2019, enquanto os testes com \u00f4nibus urbanos e rodovi\u00e1rios se intensificaram de 2023 a 2025, incluindo opera\u00e7\u00f5es reais com biometano em cidades como Curitiba e Londrina, PR.<\/p>\n\n\n\n<p>A entrega dos articulados em Goi\u00e2nia representa, segundo Nucci, a consolida\u00e7\u00e3o deste processo: \u201cO mercado come\u00e7ou a entender que aqui \u00e9 poss\u00edvel evoluir com o g\u00e1s. Agora estamos vendo isso se transformar em projetos concretos\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Escala mais r\u00e1pida do que o el\u00e9trico<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o do executivo o g\u00e1s, e em especial o biometano, tem potencial de expans\u00e3o mais acelerado do que a eletrifica\u00e7\u00e3o, principalmente por exigir menor complexidade de infraestrutura:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO el\u00e9trico \u00e9 extremamente eficiente no custo operacional, mas demanda investimento inicial alto e infraestrutura mais complexa. O g\u00e1s, por ter capex menor e estabelecimento mais simples, permite uma ado\u00e7\u00e3o mais r\u00e1pida\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele ressaltou que, em cen\u00e1rios onde j\u00e1 existe rede de g\u00e1s ou produ\u00e7\u00e3o de biometano, a implementa\u00e7\u00e3o tende a ser ainda mais \u00e1gil: \u201cSe voc\u00ea j\u00e1 tem gasoduto ou oferta de biometano a equa\u00e7\u00e3o fica muito mais simples\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Goi\u00e2nia, por exemplo, n\u00e3o possui produ\u00e7\u00e3o local estruturada e, neste primeiro momento, depende do fornecimento de biometano vindo de outros estados, enquanto avan\u00e7a na cria\u00e7\u00e3o da infraestrutura necess\u00e1ria para produzir o pr\u00f3prio combust\u00edvel.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Modelo segue curva dos caminh\u00f5es<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Nucci comparou o momento atual dos \u00f4nibus a g\u00e1s com o in\u00edcio da trajet\u00f3ria dos caminh\u00f5es movidos ao combust\u00edvel no Brasil, lan\u00e7ados pela Scania em 2018: \u201cDemoramos de tr\u00eas a quatro anos para estruturar corredores verdes, parcerias com distribuidores e criar um ecossistema vi\u00e1vel. Nos primeiros quatro anos vendemos cerca de quinhentos caminh\u00f5es. Nos dois anos seguintes o n\u00famero saltou para 1,5 mil. A escala vem depois da matura\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Dados da pr\u00f3pria companhia mostram que mais de 2 mil caminh\u00f5es a g\u00e1s j\u00e1 foram vendidos no Brasil desde 2019, com expectativa de acr\u00e9scimo de cerca de quinhentas unidades em 2026. A expectativa \u00e9 que o mesmo comportamento se repita no transporte urbano: \u201cAgora estamos come\u00e7ando com os \u00f4nibus, mas j\u00e1 com uma base mais estruturada. Isso deve acelerar a curva\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Investimentos<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Alex Nucci o plano da Scania n\u00e3o exige aportes adicionais fora do planejamento global da companhia. Os investimentos em novas tecnologias j\u00e1 est\u00e3o inclu\u00eddos nos ciclos industriais: \u201cO \u00faltimo ciclo, de 2025 a 2028, prev\u00ea cerca de R$ 2 bilh\u00f5es e contempla, dentre outras coisas, a evolu\u00e7\u00e3o do portf\u00f3lio sustent\u00e1vel\u201d. Nos ciclos anteriores a empresa investiu R$ 2,6 bilh\u00f5es de 2016 e 2020 e mais R$ 1,4 bilh\u00e3o de 2021 a 2024, direcionados \u00e0 moderniza\u00e7\u00e3o industrial, linha de produtos e sustentabilidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Com isto a opera\u00e7\u00e3o brasileira passou a assumir papel fundamental dentro da companhia: \u201cHoje o Brasil \u00e9 o hub de produ\u00e7\u00e3o de motores a g\u00e1s da Scania\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ganhos operacionais e evolu\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O avan\u00e7o da tecnologia tamb\u00e9m passa por melhorias operacionais. Um exemplo citado por Nucci foi a amplia\u00e7\u00e3o da capacidade do eixo dianteiro dos caminh\u00f5es, que permitiu aumento de autonomia: \u201cSa\u00edmos de 450 quil\u00f4metros para cerca de 650 quil\u00f4metros, o que representa uma jornada completa sem necessidade de parada para abastecimento\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos \u00f4nibus urbanos a configura\u00e7\u00e3o com cilindros de fibra de carbono no teto j\u00e1 permite autonomia superior \u00e0 demanda di\u00e1ria: \u201cUm ve\u00edculo que roda de 250 a 300 quil\u00f4metros por dia pode atingir mais de 400 quil\u00f4metros de autonomia, o que garante viabilidade operacional\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar dos avan\u00e7os h\u00e1 restri\u00e7\u00f5es importantes no uso do g\u00e1s, principalmente relacionadas \u00e0 capacidade de armazenamento: \u201cExiste um limite regulat\u00f3rio. Assim como no diesel h\u00e1 um teto antes de ser considerado carga perigosa, no g\u00e1s tamb\u00e9m h\u00e1 um limite equivalente em volume. Isto impede simplesmente aumentar a quantidade de cilindros indefinidamente\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo ele a ind\u00fastria avalia alternativas como o uso de cilindros mais leves e eficientes, mas sempre equilibrando custo e legisla\u00e7\u00e3o: \u201cOs cilindros de fibra de carbono s\u00e3o mais leves, mas tamb\u00e9m mais caros. \u00c9 uma equa\u00e7\u00e3o que precisa fechar\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Viabilidade econ\u00f4mica no transporte urbano<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Para Nucci o biometano se posiciona como uma solu\u00e7\u00e3o intermedi\u00e1ria do diesel ao el\u00e9trico, tanto em custo quanto em complexidade: \u201cSe colocarmos numa base 100 para o diesel o el\u00e9trico pode chegar a duas vezes e meia este valor, enquanto o g\u00e1s fica cerca de 40% a 50% acima. Ele ocupa um meio do caminho\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disto a infraestrutura de abastecimento \u00e9 mais simples: \u201c\u00c9 muito mais f\u00e1cil estruturar um ponto de abastecimento dentro da garagem do que adotar uma rede de recarga el\u00e9trica\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O executivo destacou que o avan\u00e7o do g\u00e1s tamb\u00e9m depende da articula\u00e7\u00e3o de diferentes agentes, incluindo poder p\u00fablico, operadores e fornecedores: \u201cN\u00e3o pode ficar tudo na conta da Prefeitura, nem na do fabricante, nem na do fornecedor de energia. Cada parte precisa assumir um papel para tirar o projeto da prancheta&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele citou o modelo de financiamento como um dos pontos-chave: \u201cHoje se discute muito o financiamento do projeto, que permite estruturar garantias e reduzir o risco para os financiadores, tornando-o mais vi\u00e1vel\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>TCO pr\u00f3ximo ao diesel \u00e9 decisivo<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Na an\u00e1lise da Scania a viabilidade do g\u00e1s passa por manter o custo total de opera\u00e7\u00e3o pr\u00f3ximo ao diesel, refer\u00eancia do setor: \u201cO TCO varia muito conforme opera\u00e7\u00e3o, topografia e gest\u00e3o, mas o importante \u00e9 que ele esteja pr\u00f3ximo ao diesel. Quanto mais pr\u00f3ximo mais f\u00e1cil tornar vi\u00e1vel\u201d. Isto porque alguns fatores, como manuten\u00e7\u00e3o e investimento inicial, tendem a ser superiores: \u201cSe o combust\u00edvel n\u00e3o compensar esta diferen\u00e7a a conta n\u00e3o fecha\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Nucci afirmou ainda que os custos de manuten\u00e7\u00e3o do g\u00e1s j\u00e1 s\u00e3o mais conhecidos, enquanto o el\u00e9trico ainda est\u00e1 em fase inicial de avalia\u00e7\u00e3o: \u201cO g\u00e1s tem custo de manuten\u00e7\u00e3o cerca de 10% a 15% maior que o do diesel. J\u00e1 o el\u00e9trico tende a ser mais barato, mas ainda n\u00e3o temos um ciclo completo para afirmar com precis\u00e3o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Proje\u00e7\u00e3o de mercado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A Scania projeta crescimento gradual das vendas de ve\u00edculos a g\u00e1s no Brasil, somando caminh\u00f5es e \u00f4nibus: \u201cA expectativa \u00e9 chegar pr\u00f3ximo ou at\u00e9 superar 3 mil unidades em 2026\u201d. Para ele o potencial \u00e9 significativo: \u201cO g\u00e1s tem capacidade de escalar mais rapidamente. O el\u00e9trico tamb\u00e9m vai crescer, mas em ritmos diferentes, dependendo da infraestrutura dispon\u00edvel\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Nucci destacou que o principal obst\u00e1culo para a expans\u00e3o da tecnologia no Brasil n\u00e3o foi t\u00e9cnico, mas de mercado: \u201cA Scania j\u00e1 tinha essa tecnologia h\u00e1 mais de quinze anos na Europa. O desafio aqui foi a demanda. Quando o mercado come\u00e7ou a enxergar viabilidade passamos a investir mais fortemente e depois nacionalizamos o motor\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fabricante aposta em crescimento do g\u00e1s no transporte de passageiros a partir de 2027, em escala mais r\u00e1pida do que a de caminh\u00f5es<\/p>\n","protected":false},"author":25,"featured_media":101454,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[320],"class_list":["post-101453","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-descarbonizacao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.autodata.com.br\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/101453","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.autodata.com.br\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.autodata.com.br\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.autodata.com.br\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/users\/25"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.autodata.com.br\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=101453"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www.autodata.com.br\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/101453\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":101502,"href":"https:\/\/www.autodata.com.br\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/101453\/revisions\/101502"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.autodata.com.br\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media\/101454"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.autodata.com.br\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=101453"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.autodata.com.br\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=101453"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.autodata.com.br\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=101453"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}