{"id":101927,"date":"2026-04-07T20:51:41","date_gmt":"2026-04-07T23:51:41","guid":{"rendered":"https:\/\/www.autodata.com.br\/noticias\/noticias-preview\/101927\/"},"modified":"2026-04-07T21:53:56","modified_gmt":"2026-04-08T00:53:56","slug":"concorrencia-com-chineses-leapmotor-e-a-saude-financeira-da-stellantis-o-que-pensa-antonio-filosa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.autodata.com.br\/wordpress\/2026\/04\/07\/concorrencia-com-chineses-leapmotor-e-a-saude-financeira-da-stellantis-o-que-pensa-antonio-filosa\/101927\/","title":{"rendered":"Concorr\u00eancia com chineses, Leapmotor e a sa\u00fade financeira da Stellantis: o que pensa Antonio Filosa."},"content":{"rendered":"\n<p>S\u00e3o Paulo \u2013 Antonio Filosa, CEO global da Stellantis, chegou ao Brasil no in\u00edcio da semana para uma s\u00e9rie de reuni\u00f5es. Na ter\u00e7a-feira, 7, recebeu alguns jornalistas para contar sobre o atual momento do grupo.<\/p>\n\n\n\n<p>Filosa destacou o crescimento na regi\u00e3o, com a lideran\u00e7a no mercado nacional, 29,1% de participa\u00e7\u00e3o das vendas totais no trimestre, e na Argentina, com 28,9%. Mas tamb\u00e9m abordou temas importantes para a Stellantis, como o desempenho global, notadamente na Europa e Estados Unidos, al\u00e9m da diferen\u00e7a competitiva das fabricantes chinesas e as tradicionais.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 21 de maio, em reuni\u00e3o com investidores, Filosa dever\u00e1 apresentar um novo plano global para os pr\u00f3ximos anos. A seguir, alguns pontos importantes da entrevista coletiva: &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>As opera\u00e7\u00f5es da Stellantis na Europa e nos Estados Unidos<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u201c2025, assim como o fim de 2024, foram per\u00edodos de retra\u00e7\u00e3o global para Stellantis, como est\u00e1 publicado em nossos balan\u00e7os. Sobre Estados Unidos e Europa: estamos trabalhando para reverter o desempenho, que ocorre por uma s\u00e9rie de fatores.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos Estados Unidos, mais ou menos em fevereiro do ano passado, anunciamos investimento muito importante de US$ 13 bilh\u00f5es nos pr\u00f3ximos quatro anos em produtos, em tecnologias, em segmentos que ainda n\u00e3o particip\u00e1vamos. E, tamb\u00e9m, na recupera\u00e7\u00e3o de algumas tecnologias que tinham sido temporariamente canceladas. Entendemos que seriam importante retornar ao mercado. Algumas coisas j\u00e1 est\u00e3o acontecendo, como a volta dos motores V8 para alguns dos nossos produtos l\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p>Acredito muito neste mercado por tr\u00eas raz\u00f5es. Primeiro porque a administra\u00e7\u00e3o tomou atitudes contra a competi\u00e7\u00e3o da China para proteger a ind\u00fastria. Entendeu que seria um erro n\u00e3o criar uma forma de proteger a sustentabilidade da ind\u00fastria automobil\u00edstica. E a resposta deles foram as tarifas. Essa \u00e9 uma, no meio de aspas, prote\u00e7\u00e3o que continuar\u00e1 durante anos. Ent\u00e3o permite a quem est\u00e1 l\u00e1 operando investir mais.<\/p>\n\n\n\n<p>A segunda raz\u00e3o \u00e9 que a administra\u00e7\u00e3o Donald Trump decidiu suavizar a regulamenta\u00e7\u00e3o de CO<sub>2<\/sub> para evitar um efeito n\u00e3o desejado de contra\u00e7\u00e3o do mercado, como est\u00e1 acontecendo agora. Suavizar a regulamenta\u00e7\u00e3o sobre as emiss\u00f5es n\u00e3o significa cancelar, mas significa suavizar. N\u00f3s vemos que por isto o mercado, l\u00e1, continuar\u00e1 forte e at\u00e9 crescer\u00e1 levemente.<\/p>\n\n\n\n<p>E a terceira raz\u00e3o: temos marcas muito fortes l\u00e1, que simplesmente estavam sofrendo com oferta limitada de produtos. Ent\u00e3o, investindo em produtos, acreditamos que podemos crescer. A nossa expectativa \u00e9 muito alta no mercado, nas nossas marcas, nas nossas pessoas, e o plano de investimento tem todos os elementos para, em dois, tr\u00eas anos, acelerar novamente as marcas da Stellantis.<\/p>\n\n\n\n<p>Isto j\u00e1 vem acontecendo. O mercado, por raz\u00f5es estruturais, est\u00e1 caindo 5%, e n\u00f3s estamos crescendo 4%. Ent\u00e3o estamos, relativamente, quase em dois d\u00edgitos de desempenho positivo, mesmo sem todos os novos produtos. \u00c9 um bom come\u00e7o. N\u00e3o \u00e9 perfeito mas \u00e9 um bom come\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p>Na Europa temos uma regulamenta\u00e7\u00e3o que n\u00e3o ajuda o mercado, em alguns casos penaliza. Seguramente para os ve\u00edculos comerciais \u00e9 muito penalizante. Ent\u00e3o temos um di\u00e1logo com a Comiss\u00e3o e as institui\u00e7\u00f5es europeias para tentar mudar algo da regulamenta\u00e7\u00e3o, sobretudo referente a ve\u00edculos comerciais. Temos ra\u00edzes na Europa e estamos investindo, e muito. Mas poder\u00edamos investir muito mais se tiv\u00e9ssemos clareza que, pelo menos para ve\u00edculos comerciais, mas n\u00e3o somente, a regulamenta\u00e7\u00e3o capture a realidade de mercado, o que agora n\u00e3o \u00e9 uma abordagem realista.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A competitividade e as marcas chinesas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAcho que o Brasil precisa fazer uma an\u00e1lise profunda sobre competitividade como um todo. Um estudo t\u00e9cnico para mapear os gaps de competitividade e tomar alguma decis\u00e3o. Assim como os Estados Unidos t\u00eam feito, a Europa parece que est\u00e1 discutindo. Existe um gap competitivo das marcas chinesas nesse mercado com o resto do mundo. Esse gap competitivo nasce de duas coisas. Primeiro, uma ociosidade industrial muito forte na China, que precisa de outros mercados para dar vaz\u00e3o a esta produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O governo chin\u00eas e as montadoras chinesas trabalharam durante vinte anos para desenhar e estabelecer um ecossistema de produ\u00e7\u00e3o l\u00e1, que gera uma competitividade estrutural muito elevada. Considerando isso, e considerando que a ind\u00fastria automotiva brasileira mobiliza n\u00e3o somente as plantas j\u00e1 presentes aqui, mas milhares de fornecedores e milh\u00f5es de trabalhos diretos e indiretos, \u00e9 preciso repensar a sustentabilidade no longo prazo dessa ind\u00fastria. Acho que um mecanismo de equaliza\u00e7\u00e3o para esse tipo de guerra competitiva deve ser pensado e deve ser adotado. Se n\u00e3o o que est\u00e1 em jogo \u00e9 a sustentabilidade futura desta cadeia. Por isto o mercado estadunidense, que \u00e9 o segundo maior do mundo, est\u00e1 fechado para os chineses.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Leapmotor<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Nosso plano e nosso modelo de neg\u00f3cios com a Leapmotor s\u00e3o diferentes do modelo tradicional da ind\u00fastria chinesa. Vamos logo de in\u00edcio localizar a produ\u00e7\u00e3o, e fabricar aqui muitos componentes, inclusive o motor.<\/p>\n\n\n\n<p>Temos total consci\u00eancia da import\u00e2ncia desta forma de agir. Por isto vamos introduzir tecnologia Stellantis e uma das solu\u00e7\u00f5es ser\u00e1 um powertrain nacional, uma demonstra\u00e7\u00e3o do quanto nossa engenharia \u00e9 h\u00e1bil e nossa presen\u00e7a de cinquenta anos aqui s\u00e3o relevantes para inovar em produtos t\u00e3o sofisticados quanto os da Leapmotor.<\/p>\n\n\n\n<p>At\u00e9 o fim do ano teremos os primeiros prot\u00f3tipos e no in\u00edcio do ano que vem, no primeiro trimestre, come\u00e7aremos a produzir mesmo.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Mercado brasileiro<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Aqui a efic\u00e1cia n\u00e3o \u00e9 tanto quem est\u00e1 oferecendo o carro mais competitivo, mas qual \u00e9 o consenso de acessibilidade. Um bom exemplo \u00e9 o Fiat Mobi. Quando dirigia a opera\u00e7\u00e3o local o pre\u00e7o estava em torno de R$ 50 mil. E agora \u00e9 R$ 80 mil, mais ou menos. Seria \u00f3bvio pensar que estamos fazendo um monte de dinheiro, n\u00e9? Mas nossa margem n\u00e3o mudou e \u00e9 muito, muito, muito, muito baixa nesse caso. O que significa? A estrutura de custos aumentou.<\/p>\n\n\n\n<p>Voc\u00ea poderia dizer que o pre\u00e7o \u00e9 definido pelo comportamento do mercado, pelo seu competidor, pelo cliente. Mas a pergunta \u00e9: por que a estrutura de custo aumenta tanto? As raz\u00f5es s\u00e3o basicamente tr\u00eas. N\u00f3s temos um efeito regulat\u00f3rio, que depende das regulamenta\u00e7\u00f5es serem atualizadas, o que acarreta custo.<\/p>\n\n\n\n<p>Temos um efeito inflacion\u00e1rio, a infla\u00e7\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 regredindo, ao contr\u00e1rio, est\u00e1 aumentando. Falando do contexto geopol\u00edtico dos \u00faltimos dias, na linguagem dos neg\u00f3cios, geralmente uma forte volatilidade geopol\u00edtica gera infla\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o acredito que a infla\u00e7\u00e3o seja um indicador macroecon\u00f4mico que a gente precisa capturar na nossa equa\u00e7\u00e3o de neg\u00f3cios e se preparar para gerenciar o tempo todo. Acelerando a infla\u00e7\u00e3o gera custo nas commodities, nos componentes dos sistemas, essa \u00e9 a segunda parte.<\/p>\n\n\n\n<p>E depois, claramente, temos o terceiro efeito, que \u00e9 o das inefici\u00eancias do sistema. Aqui no Brasil \u00e9  particularmente forte a inefici\u00eancia log\u00edstica. O peso dos custos log\u00edsticos na estrutura do mercado brasileiro \u00e9 maior quando comparado na Europa, na Am\u00e9rica do Norte. S\u00e3o estas raz\u00f5es, basicamente infraestrutura e a oferta de servi\u00e7o log\u00edstico limitados, que acarretam mais custo. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Toda esta estrutura de custos avan\u00e7ou muito. Obviamente para continuar a vender carro precisamos, n\u00f3s, e os nossos concorrentes, aumentar o pre\u00e7o. E n\u00f3s n\u00e3o estamos lucrando mais ou menos do que h\u00e1  cinco anos. Na verdade \u00e9 quase zero.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>CEO global da Stellantis abordou muitos temas em encontro com a imprensa brasileira: Europa, Estados Unidos, China, Brasil&#8230; e adiantou como ser\u00e1 a implanta\u00e7\u00e3o da Leapmotor em Goiana.<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":101930,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[42],"class_list":["post-101927","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-industria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.autodata.com.br\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/101927","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.autodata.com.br\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.autodata.com.br\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.autodata.com.br\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.autodata.com.br\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=101927"}],"version-history":[{"count":7,"href":"https:\/\/www.autodata.com.br\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/101927\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":101946,"href":"https:\/\/www.autodata.com.br\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/101927\/revisions\/101946"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.autodata.com.br\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media\/101930"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.autodata.com.br\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=101927"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.autodata.com.br\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=101927"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.autodata.com.br\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=101927"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}