{"id":102474,"date":"2026-04-23T12:16:55","date_gmt":"2026-04-23T15:16:55","guid":{"rendered":"https:\/\/www.autodata.com.br\/noticias\/noticias-preview\/102474\/"},"modified":"2026-04-23T13:36:08","modified_gmt":"2026-04-23T16:36:08","slug":"incentivos-chineses-uma-ova","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.autodata.com.br\/wordpress\/2026\/04\/23\/incentivos-chineses-uma-ova\/102474\/","title":{"rendered":"Incentivos chineses uma ova!"},"content":{"rendered":"\n<p>S\u00e3o Paulo \u2013 O ambiente para o desenvolvimento da atividade automotiva global, n\u00e3o \u00e9 de hoje, tem se diversificado. A transi\u00e7\u00e3o para a eletrifica\u00e7\u00e3o e a oferta de servi\u00e7os conectados baseados em tecnologia est\u00e1 mudando radicalmente os ve\u00edculos e o comportamento do consumidor de Leste a Oeste. Isto se materializou com a ascens\u00e3o da China no universo automotivo, um protagonismo que tem causado arrepios pela velocidade com que ganha terreno. Muitos executivos e executivas l\u00edderes da cadeia automotiva ocidental reclamam da desigualdade de condi\u00e7\u00f5es para a competi\u00e7\u00e3o alegando um suposto &#8220;incentivo deslavado do Estado chin\u00eas \u00e0 sua ind\u00fastria&#8221;. Mas convenientemente esses mesmos l\u00edderes engolem a saliva e deixam de dizer que suas empresas tamb\u00e9m j\u00e1 receberam algum impulso estatal em v\u00e1rias regi\u00f5es ao longo das suas trajet\u00f3rias. E, ironicamente, que estas mesmas empresas j\u00e1 engordaram seus caixas \u00e0s custas do consumidor chin\u00eas, que tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 de hoje melhora seu poder aquisitivo ao mesmo tempo em que marcas locais atendem seus anseios, e v\u00e3o al\u00e9m.<\/p>\n\n\n\n<p>Em s\u00edntese: seus carros ocidentais est\u00e3o defasados desde o tempo e seu custo para a concep\u00e7\u00e3o da oferta de solu\u00e7\u00f5es acess\u00edveis \u00e0 maioria dos consumidores. E parece que n\u00e3o h\u00e1 dinheiro que sustente uma transi\u00e7\u00e3o \u00e0 eletrifica\u00e7\u00e3o mesmo sem ter certeza se os mercados ocidentais realmente desejam isto.<\/p>\n\n\n\n<p>Estes dilemas da atualidade, e alguns outros, foram colocados \u00e0 mesa por Rogelio Golfarb, ex-vice-presidente da Ford na Am\u00e9rica do Sul que agora labuta como consultor, analista e conselheiro de diversas empresas.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cDo ponto de vista dos investimentos as fabricantes tradicionais n\u00e3o est\u00e3o tirando o p\u00e9 dos BEVs [el\u00e9tricos puros] ao mesmo tempo em que h\u00e1 uma depend\u00eancia de componentes cr\u00edticos para a eletrifica\u00e7\u00e3o. A Tesla \u00e9 a mais eficiente das ocidentais, enquanto as marcas tradicionais t\u00eam um custo adicional, na melhor das hip\u00f3teses, de mais de US$ 4 mil para produzir produtos similares.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Golfarb afirmou que o setor automotivo global est\u00e1 sob press\u00e3o e as perdas estimadas da ind\u00fastria nos Estados Unidos e na Europa chegam a US$ 75 bilh\u00f5es. Uma s\u00e9rie de fatores se alinharam para este diagn\u00f3stico. O primeiro foi o erro na defini\u00e7\u00e3o de produtos, com os h\u00edbridos sendo colocados no portf\u00f3lio ap\u00f3s uma aposta inicial e maci\u00e7a nos BEVs, que n\u00e3o se converteu em resultado, como j\u00e1 observado. Aliado a este c\u00e1lculo malfeito h\u00e1 a necessidade de retomar investimentos no desenvolvimento dos ICE, os motores a combust\u00e3o interna, que ainda n\u00e3o desaparecer\u00e3o nesta d\u00e9cada e muito provavelmente na pr\u00f3xima como sentenciaram l\u00edderes h\u00e1 alguns anos, muitos deles que hoje aproveitam suas aposentadorias sem serem responsabilizados por tamanho deslize.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>O diagn\u00f3stico n\u00e3o se encerra por a\u00ed. Golfarb acredita que h\u00e1 a necessidade de um realinhamento da capacidade produtiva para se tornar eficiente o suficiente para competir com a ind\u00fastria chinesa e da redu\u00e7\u00e3o da depend\u00eancia da sua cadeia de componentes cr\u00edticos para a eletrifica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A perda de volumes, margens, e o que \u00e9 pior, participa\u00e7\u00e3o no maior mercado do mundo, \u00e9 apontado como outro fator crucial. Em 2020 65% das vendas na China foram vinculadas a marcas ocidentais. No ano passado esta participa\u00e7\u00e3o caiu para 35%, segundo Golfarb. O aumento da concorr\u00eancia com marcas chinesas em seu mercado, que este ano ter\u00e1 pela primeira vez 50% das vendas totais de 23 milh\u00f5es de unidades em modelos eletrificados, \u00e9 outro ponto que joga contra as marcas tradicionais.<\/p>\n\n\n\n<p>No Ocidente a redu\u00e7\u00e3o de subs\u00eddios para os ve\u00edculos el\u00e9tricos j\u00e1 demonstrou a perda do apetite do consumidor na Europa e, sobretudo, nos Estados Unidos. As tarifas impostas pelo governo de Donald Trump tamb\u00e9m pressionam as exporta\u00e7\u00f5es e os volumes da ind\u00fastria ocidental para l\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img data-opt-id=405714663  fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1200\" height=\"675\" src=\"https:\/\/mlqt0se4pk9p.i.optimole.com\/w:1200\/h:675\/q:mauto\/f:best\/ig:avif\/https:\/\/www.autodata.com.br\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Rogelio-Golfarb.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-102475\" srcset=\"https:\/\/mlqt0se4pk9p.i.optimole.com\/w:1200\/h:675\/q:mauto\/f:best\/ig:avif\/https:\/\/www.autodata.com.br\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Rogelio-Golfarb.jpeg 1200w, https:\/\/mlqt0se4pk9p.i.optimole.com\/w:300\/h:169\/q:mauto\/f:best\/ig:avif\/https:\/\/www.autodata.com.br\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Rogelio-Golfarb.jpeg 300w, https:\/\/mlqt0se4pk9p.i.optimole.com\/w:768\/h:432\/q:mauto\/f:best\/ig:avif\/https:\/\/www.autodata.com.br\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Rogelio-Golfarb.jpeg 768w, https:\/\/mlqt0se4pk9p.i.optimole.com\/w:1536\/h:864\/q:mauto\/f:best\/ig:avif\/https:\/\/www.autodata.com.br\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Rogelio-Golfarb.jpeg 1536w, https:\/\/mlqt0se4pk9p.i.optimole.com\/w:1568\/h:882\/q:mauto\/f:best\/ig:avif\/https:\/\/www.autodata.com.br\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Rogelio-Golfarb.jpeg 1568w, https:\/\/mlqt0se4pk9p.i.optimole.com\/w:1600\/h:900\/q:mauto\/f:best\/ig:avif\/https:\/\/www.autodata.com.br\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Rogelio-Golfarb.jpeg 1600w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Rogelio Golfarb<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Na pr\u00e1tica o consultor faz um exerc\u00edcio para demonstrar que a vantagem da ind\u00fastria chinesa n\u00e3o est\u00e1 no incentivo oferecido pelo Estado. Numa compara\u00e7\u00e3o de custo produtivo do Tesla Modelo 3 com um autom\u00f3vel similar de marca chinesa, Golfarb apontou dois fatores essenciais. Primeiro a economia proporcionada pela verticaliza\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o chinesa que agrega US$ 2 mil 369 ao custo do Tesla. E a escala produtiva maior aliada \u00e0 menor depend\u00eancia de m\u00e3o de obra humana nesta cadeia, considerando a for\u00e7a de vendas, o administrativo e os setores de pesquisa e desenvolvimento, que adicionam outros US$ 1 mil 766 ao custo do modelo estadunidense, tamb\u00e9m produzido na China.<\/p>\n\n\n\n<p>Os subs\u00eddios concedidos pelo governo da Rep\u00fablica Popular da China aos produtos nacionais agregam apenas US$ 292 \u00e0 produ\u00e7\u00e3o do Modelo 3, que ainda carrega outros US$ 214 de diferimento do pagamento a fornecedores, US$ 50 de licen\u00e7as de conectividade e US$ 12 de cr\u00e9dito preferencial, de acordo com os c\u00e1lculos de Golfarb.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEnquanto um ve\u00edculo chin\u00eas tem um custo total de produ\u00e7\u00e3o de US$ 24 mil 190, o Tesla Model 3 custa US$ 28 mil 893 para ser produzido na China.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>O Brasil tamb\u00e9m \u00e9 influenciado por esta matem\u00e1tica, mas n\u00e3o tanto quanto resmungam executivos que atacam os subs\u00eddios do governo chin\u00eas: \u201cQuando eles falam que o carro feito no Brasil perde a competitividade n\u00e3o \u00e9 verdade porque os custos mais pesados que todos os outros t\u00eam continuam sendo absorvidos pelas vantagens industriais na China\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O buraco da ind\u00fastria automotiva nacional \u00e9 mais fundo e o resultado \u00e9 que \u201cdo ponto de vista industrial o Brasil fabricar\u00e1 o inv\u00f3lucro do autom\u00f3vel porque a inova\u00e7\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 aqui\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Falta algo que sobra na ind\u00fastria chinesa, que \u00e9 um planejamento estruturado para impulsionar os setores que fazem a diferen\u00e7a hoje no jogo global: a eletrifica\u00e7\u00e3o e as mat\u00e9rias-primas e sistemas avan\u00e7ados: \u201cA quest\u00e3o \u00e9 que n\u00e3o estamos potencializando o que temos aqui no Brasil\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>E isto se reflete na pr\u00f3pria ascens\u00e3o dos produtos com origem na China no mercado brasileiro. Ve\u00edculos el\u00e9tricos e h\u00edbridos e at\u00e9 agora apenas uma marca oferecendo um h\u00edbrido flex, justamente aproveitando a matriz energ\u00e9tica mais limpa dos biocombust\u00edveis.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO desafio \u00e9 que com o mercado que n\u00e3o cresce enquanto as chinesas aumentam a participa\u00e7\u00e3o pela vantagem competitiva haver\u00e1 um problema de escala das tradicionais para justificar investimentos.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Golfarb observou: \u201cNovas marcas, novos vencedores, novos perdedores, e a quest\u00e3o da escala. Esta \u00e9 a din\u00e2mica que alguns insistem em n\u00e3o acreditar\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A China atropelou a ind\u00fastria tradicional, enraizada em sua pr\u00f3pria opul\u00eancia e soberba. Analista aponta o roteiro que levou a perdas de US$ 75 bilh\u00f5es para empresas na Europa e nos Estados Unidos<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":102476,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[1918],"class_list":["post-102474","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-analise"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.autodata.com.br\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/102474","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.autodata.com.br\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.autodata.com.br\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.autodata.com.br\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.autodata.com.br\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=102474"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/www.autodata.com.br\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/102474\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":102488,"href":"https:\/\/www.autodata.com.br\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/102474\/revisions\/102488"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.autodata.com.br\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media\/102476"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.autodata.com.br\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=102474"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.autodata.com.br\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=102474"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.autodata.com.br\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=102474"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}