{"id":52645,"date":"2023-03-10T17:33:43","date_gmt":"2023-03-10T20:33:43","guid":{"rendered":"https:\/\/www.autodata.com.br\/noticias\/noticias-preview\/52645\/"},"modified":"2023-03-14T17:09:58","modified_gmt":"2023-03-14T20:09:58","slug":"uso-de-plastico-reciclado-pela-industria-avanca-mas-esbarra-na-reciclagem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.autodata.com.br\/wordpress\/2023\/03\/10\/uso-de-plastico-reciclado-pela-industria-avanca-mas-esbarra-na-reciclagem\/52645\/","title":{"rendered":"Uso de pl\u00e1stico reciclado pela ind\u00fastria avan\u00e7a, mas esbarra na reciclagem"},"content":{"rendered":"\n<p>S\u00e3o Paulo \u2013 Embora a principal pauta da sustentabilidade no setor automotivo nos dias atuais seja encontrar formas de reduzir emiss\u00f5es e descarbonizar o meio ambiente, o que se reflete mais nos biocombust\u00edveis e nas formas alternativas de propuls\u00e3o, o uso de pl\u00e1stico reciclado vem, ano a ano, ganhando espa\u00e7o nessa agenda.<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo que de forma t\u00edmida, e com maior presen\u00e7a no segmento de reposi\u00e7\u00e3o, a ado\u00e7\u00e3o de resina recicl\u00e1vel no processo produtivo \u00e9 uma realidade crescente, mas que ainda esbarra na aus\u00eancia de legisla\u00e7\u00e3o de economia circular e reciclagem e de maior apoio ao setor de coleta seletiva do poder p\u00fablico.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com estimativa da consultoria MaxiQuim at\u00e9 2026 o mercado mundial de pl\u00e1sticos automotivos valer\u00e1 at\u00e9 US$ 68,6 bilh\u00f5es. Para efeito de compara\u00e7\u00e3o, em 2018 a cifra era de US$ 48,7 bilh\u00f5es. Ou seja, dever\u00e1 haver avan\u00e7o de 41% nesse intervalo de oito anos, o equivalente a US$ 19,9 bilh\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>O gestor da \u00e1rea de energia e qu\u00edmica sustent\u00e1vel da MaxiQuim, Maur\u00edcio Jaroski, estima que, do total de pl\u00e1stico reciclado utilizado pela ind\u00fastria automotiva, atualmente, de 4% a 5% tenham origem na reciclagem. \u00c9 poss\u00edvel que at\u00e9 2030 esta participa\u00e7\u00e3o seja duplicada, chegando a at\u00e9 10%.<\/p>\n\n\n\n<p>Jaroski ponderou que esse avan\u00e7o poderia ser ainda maior se houvesse uma padroniza\u00e7\u00e3o da sucata pl\u00e1stica que chega at\u00e9 as recicladoras no Brasil: \u201cNo momento em que isso ocorrer ser\u00e1 poss\u00edvel usar resinas com pureza maior e, consequentemente, obter desempenho melhor para aplica\u00e7\u00f5es de maior valor agregado\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Devido ao fato de muitas das pe\u00e7as do setor automotivo terem quesitos de qualidade que, diversas vezes, uma resina reciclada n\u00e3o consegue atingir, no contexto atual \u00e9 poss\u00edvel incorporar a resina reciclada na cadeia, mas n\u00e3o em aplica\u00e7\u00f5es de alt\u00edssimo desempenho. Por isto tamb\u00e9m \u00e9 mais f\u00e1cil a dissemina\u00e7\u00e3o inicial por meio do setor de reposi\u00e7\u00e3o e em itens que n\u00e3o envolvam a seguran\u00e7a do ve\u00edculo.<\/p>\n\n\n\n<p>Jaroski ponderou que o sistema de sucata no Pa\u00eds \u00e9 manual. Por isto \u00e9 comum que ela esteja contaminada com outros pl\u00e1sticos, contenha carga org\u00e2nica, com metais, umidade, lodo e outros pol\u00edmeros pl\u00e1sticos, o que diminui o desempenho de transforma\u00e7\u00e3o para fazer, por exemplo, uma resina de alto desempenho.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cHoje o reciclador tem de se virar. Falta amadurecer nossos sistemas de coleta, o que depende n\u00e3o s\u00f3 dos sucateiros mas das cooperativas e dos sistemas de coleta municipais. \u00c9 esse elo, que transfere res\u00edduos pl\u00e1sticos do descarte at\u00e9 a recicladora, que precisa melhorar. \u00c9 preciso profissionalizar esse processo, o que j\u00e1 vem acontecendo, mas leva tempo.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Parachoques s\u00e3o os componentes que mais recebem insumo reciclado<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Dentre as aplica\u00e7\u00f5es no ramo h\u00e1 exemplos desde autope\u00e7as at\u00e9 \u00f3leo lubrificante. A garrafa PET, por exemplo, torna-se fibra de poli\u00e9ster e, depois, carpete para autom\u00f3vel. Tamb\u00e9m \u00e9 transformada em cinto de seguran\u00e7a e em fita de arquear, muito utilizada no setor de transportes. O PET j\u00e1 \u00e9 mat\u00e9ria-prima bastante presente na parte t\u00eaxtil dos carros.<\/p>\n\n\n\n<p>Diversas pe\u00e7as de reposi\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m s\u00e3o fabricadas com polipropileno reciclado, que pode ser obtido a partir de potes, bacias, baldes e m\u00f3veis. Esse insumo est\u00e1 presente em parachoques, aerofolios e retrovisores. At\u00e9 os pain\u00e9is dos carros j\u00e1 utilizam em sua composi\u00e7\u00e3o parte de pl\u00e1stico reciclado.<\/p>\n\n\n\n<p>Dados do monitoramento do \u00edndice de reciclagem mec\u00e2nica de pl\u00e1sticos p\u00f3s-consumo no Brasil, realizado pelo PICPlast em parceria com a MaxiQuim, apontam que em 2021 a ind\u00fastria automotiva consumiu 47 mil toneladas de resinas pl\u00e1sticas recicladas. Parachoques responderam por mais da metade desse consumo, com 27 mil toneladas.<\/p>\n\n\n\n<p>Jaroski assinalou que o uso do insumo reciclado no setor ainda gera um efeito de redu\u00e7\u00e3o no pre\u00e7o final, o que n\u00e3o \u00e9 realidade em todas as ind\u00fastrias, como a de fabricantes de bebidas.<\/p>\n\n\n\n<p>Na ponta, para o consumidor, um parachoque de segunda linha com resina reciclada pode ficar de 20% a 30% mais barata do que a original, que utiliza o pl\u00e1stico virgem. Se o comparativo for de duas pe\u00e7as de reposi\u00e7\u00e3o, sendo que uma usa o pl\u00e1stico reciclado e outra n\u00e3o, a diferen\u00e7a do pre\u00e7o pode ficar em torno de 10% a 15%.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201c\u00c9 preciso ponderar apenas que ela n\u00e3o \u00e9 exatamente igual. Ent\u00e3o pode ter diferen\u00e7a de cor e de resist\u00eancia, pode n\u00e3o ser t\u00e3o boa. Mas para o consumidor vale a pena.\u201d<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized\"><img data-opt-id=1174468414  fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/mlqt0se4pk9p.i.optimole.com\/w:767\/h:768\/q:mauto\/f:best\/ig:avif\/https:\/\/www.autodata.com.br\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/mauricio-jaroski-maxiquim.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-52660\" width=\"434\" height=\"434\" srcset=\"https:\/\/mlqt0se4pk9p.i.optimole.com\/w:767\/h:768\/q:mauto\/f:best\/ig:avif\/https:\/\/www.autodata.com.br\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/mauricio-jaroski-maxiquim.jpeg 767w, https:\/\/mlqt0se4pk9p.i.optimole.com\/w:300\/h:300\/q:mauto\/f:best\/ig:avif\/https:\/\/www.autodata.com.br\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/mauricio-jaroski-maxiquim.jpeg 300w, https:\/\/mlqt0se4pk9p.i.optimole.com\/w:768\/h:769\/q:mauto\/f:best\/ig:avif\/https:\/\/www.autodata.com.br\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/mauricio-jaroski-maxiquim.jpeg 768w, https:\/\/mlqt0se4pk9p.i.optimole.com\/w:150\/h:150\/q:mauto\/f:best\/ig:avif\/https:\/\/www.autodata.com.br\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/mauricio-jaroski-maxiquim.jpeg 150w, https:\/\/mlqt0se4pk9p.i.optimole.com\/w:70\/h:70\/q:mauto\/f:best\/ig:avif\/dpr:2\/https:\/\/www.autodata.com.br\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/mauricio-jaroski-maxiquim.jpeg 70w, https:\/\/mlqt0se4pk9p.i.optimole.com\/w:810\/h:811\/q:mauto\/f:best\/ig:avif\/https:\/\/www.autodata.com.br\/wordpress\/wp-content\/uploads\/2023\/03\/mauricio-jaroski-maxiquim.jpeg 810w\" sizes=\"(max-width: 434px) 100vw, 434px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Mauricio Jaroski, especialista da MaxiQuim, acredita que uso de resina reciclada poder\u00e1 dobrar at\u00e9 2030<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Diversos fatores seguram maior ado\u00e7\u00e3o da resina original no segmento original<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Para que haja o avan\u00e7o mais consistente do uso da mat\u00e9ria-prima reciclada, principalmente no segmento original, o especialista da MaxiQuim observou, ainda, que tamb\u00e9m depende das diretrizes das grandes marcas do ramo automotivo, se os esfor\u00e7os ficar\u00e3o para o Brasil ou se contar\u00e3o tamb\u00e9m com o apoio de Europa e Estados Unidos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cE n\u00e3o \u00e9 por falta de qualidade na ind\u00fastria de reciclagem, mas a sucata pl\u00e1stica acaba tendo contaminantes ou outros pl\u00e1sticos que podem comprometer uma reciclagem de alta qualidade. Para que o setor adote o insumo de forma mais recorrente \u00e9 preciso haver testes, homologa\u00e7\u00e3o, o suprimento de mat\u00e9ria-prima precisa ser garantido, al\u00e9m de que todo lote dever\u00e1 vir igual, com as mesmas propriedades. Ent\u00e3o incorporar isso no processo original \u00e9 bem custoso. Acho que demorar\u00e1 para o setor, como um todo, conseguir tornar isto vi\u00e1vel.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 fabricantes da cadeia t\u00eam empenhado investimentos em pesquisa e desenvolvimento para a\u00e7\u00f5es de sustentabilidade. E a\u00e7\u00f5es de log\u00edstica reversa tamb\u00e9m s\u00e3o fundamentais, citou Jaroski, porque os res\u00edduos bons de se trabalhar s\u00e3o limpos, n\u00e3o os dom\u00e9sticos, mas os que s\u00e3o bem triados na fonte que o est\u00e1 gerando, como shoppings centers e redes varejistas. O futuro tamb\u00e9m caminha nesse sentido.<\/p>\n\n\n\n<p>Para citar algumas iniciativas do setor em 2018 a Ford anunciou que cada um de seus ve\u00edculos conteria 250 garrafas de pl\u00e1stico reciclado, o que representa o reaproveitamento de 1,2 bilh\u00e3o de garrafas por ano.<\/p>\n\n\n\n<p>E, no fim do ano passado, a BMW anunciou que seus modelos no Neue Klasse, como \u00e9 chamada sua pr\u00f3xima gera\u00e7\u00e3o de ve\u00edculos, lan\u00e7ada a partir de 2025, ter\u00e3o algumas pe\u00e7as de pl\u00e1stico nos acabamentos interno e externos, com 30% de mat\u00e9ria-prima composta por redes e cordas de pesca recicladas. O impacto esperado \u00e9 de redu\u00e7\u00e3o de 25% na emiss\u00e3o de carbono.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Legisla\u00e7\u00e3o para padronizar sucata que chega \u00e0s recicladoras ampliaria iniciativas<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":52648,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[25,42,2069,559,303,348],"class_list":["post-52645","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-emissoes","tag-industria","tag-plastico","tag-reciclagem","tag-setor-automotivo","tag-sustentabilidade"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.autodata.com.br\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/52645","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.autodata.com.br\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.autodata.com.br\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.autodata.com.br\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.autodata.com.br\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=52645"}],"version-history":[{"count":10,"href":"https:\/\/www.autodata.com.br\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/52645\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":52810,"href":"https:\/\/www.autodata.com.br\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/52645\/revisions\/52810"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.autodata.com.br\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media\/52648"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.autodata.com.br\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=52645"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.autodata.com.br\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=52645"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.autodata.com.br\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=52645"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}