{"id":59168,"date":"2023-07-19T22:39:51","date_gmt":"2023-07-20T01:39:51","guid":{"rendered":"https:\/\/www.autodata.com.br\/noticias\/noticias-preview\/59168\/"},"modified":"2023-07-19T23:54:17","modified_gmt":"2023-07-20T02:54:17","slug":"a-argentina-continua-distante-do-fim-da-sua-pior-crise","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.autodata.com.br\/wordpress\/2023\/07\/19\/a-argentina-continua-distante-do-fim-da-sua-pior-crise\/59168\/","title":{"rendered":"Argentina continua distante do fim da sua pior crise"},"content":{"rendered":"\n<p>S\u00e3o Paulo &#8211; A Argentina tradicionalmente \u00e9 o principal parceiro comercial do Brasil na Am\u00e9rica do Sul e a ind\u00fastria automotiva um dos pilares desta importante rela\u00e7\u00e3o comercial. Mas o mercado argentino tem perdido seu protagonismo nos \u00faltimos anos. No ano passado, por exemplo, o Chile, com menos da metade da popula\u00e7\u00e3o argentina, tornou-se mercado automotivo mais relevante que o dos Hermanos. A grave crise que persiste h\u00e1 alguns anos \u00e9 a raz\u00e3o para a perda do papel desempenhado por nossos vizinhos, n\u00e3o apenas no cen\u00e1rio automotivo mas em diversos outros aspectos da economia.<\/p>\n\n\n\n<p>Para compreender melhor o que se passa por l\u00e1 e olhar para o futuro n\u00e3o apenas sob o aspecto da macroeconomia mas, tamb\u00e9m, para o da ind\u00fastria automotiva, conversamos com exclusividade com o economista Dante Sica, s\u00f3cio fundador da consultoria Abeceb e ex-ministro da Produ\u00e7\u00e3o e Trabalho da Argentina de 2018 a 2019.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma das principais refer\u00eancias na \u00e1rea econ\u00f4mica na Argentina Dante Sica tamb\u00e9m \u00e9 reconhecido pelos seus trabalhos tanto no setor p\u00fablico quanto na iniciativa privada. Tem expertise no desenvolvimento de pol\u00edticas industriais e em negocia\u00e7\u00f5es internacionais. Em 2019 foi condecorado pelo governo brasileiro com a Gr\u00e3-Cruz da Ordem de Rio Branco, a maior distin\u00e7\u00e3o para aqueles que contribuem para estreitar as rela\u00e7\u00f5es com o Brasil. \u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Nesta conversa online na quarta-feira, 19, Sica apresentou uma s\u00e9rie de argumentos que interpretam a atual situa\u00e7\u00e3o da Argentina e quais podem ser os acontecimentos que tirar\u00e3o o pa\u00eds do que ele chama de \u201cfundo do po\u00e7o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Qual o panorama macroecon\u00f4mico atual da Argentina e o que podemos esperar para o futuro?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A verdade \u00e9 que a Argentina tem uma curva crescente de infla\u00e7\u00e3o aliada a uma baixa atividade econ\u00f4mica. Em maio a atividade econ\u00f4mica caiu quase 5% sobre igual momento do ano passado com a forte desacelera\u00e7\u00e3o do consumo e o grave problema da seca que derrubou mais de 30% a produ\u00e7\u00e3o agropecu\u00e1ria. Por outro lado o governo n\u00e3o est\u00e1 promovendo nenhuma a\u00e7\u00e3o para corrigir esses desequil\u00edbrios. Trata-se de um pa\u00eds totalmente desequilibrado macroeconomicamente.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O que poderia ter sido feito pelos governantes na Argentina?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o h\u00e1 \u00e2ncora fiscal, a arrecada\u00e7\u00e3o continua caindo muito mais r\u00e1pido do que a capacidade de reduzir os gastos. A infla\u00e7\u00e3o tem afetado os programas sociais de forma a reduzir os recursos para este fim. Todos os gastos n\u00e3o indexados, como obras p\u00fablicas, previd\u00eancia social e os programas sociais n\u00e3o est\u00e3o sendo geridos de forma eficiente. H\u00e1 falta de uma \u00e2ncora monet\u00e1ria capaz de contribuir para financiar o d\u00e9ficit diretamente e pagar os juros do Banco Central, que seguem muitos altos. A \u00fanica pol\u00edtica anti-inflacion\u00e1ria do governo \u00e9 o controle de pre\u00e7os que n\u00e3o serve para nada. Por tudo isto h\u00e1 tr\u00eas meses houve um stand by no cumprimento do acordo com o Fundo Monet\u00e1rio Internacional porque n\u00e3o tivemos ingresso de d\u00f3lares por causa da seca no campo. Assim os pre\u00e7os relativos de quase tudo est\u00e3o totalmente desequilibrados com a realidade do poder aquisitivo do consumidor.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>E o que mais pode acontecer de negativo na economia daqui em diante?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Hoje o que se faz para evitar um processo hiperinflacion\u00e1rio? Controle do c\u00e2mbio, por exemplo. O problema \u00e9 que agora temos mais de quinze tipos de c\u00e2mbio na Argentina. H\u00e1 cada vez mais dificuldades para as empresas poderem importar e quando autorizam a importa\u00e7\u00e3o as regras para usar os d\u00f3lares tornam os neg\u00f3cios invi\u00e1veis. H\u00e1 todo tipo de controle da economia por parte do governo e \u00e9 assim que seguiremos este ano, sem perspectivas de qualquer mudan\u00e7a at\u00e9 porque estamos em ano eleitoral para a Presid\u00eancia da Rep\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Qual o cen\u00e1rio pol\u00edtico nessa transi\u00e7\u00e3o que acontecer\u00e1 este ano?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O Ministro da Economia \u00e9 candidato a presidente. Neste momento ele trabalha em um novo acordo com o FMI para receber d\u00f3lares, mas para isto precisa cumprir uma s\u00e9rie de metas fiscais dif\u00edceis que como candidato n\u00e3o pode fazer sob o risco de n\u00e3o se eleger. Ent\u00e3o ele n\u00e3o aumenta os gastos sociais, por exemplo, e coloca a culpa da economia d\u00e9bil no FMI. Nos pr\u00f3ximos meses veremos as atividades econ\u00f4micas desacelerando ainda mais e os trabalhadores fazendo greves, o que ir\u00e1 reduzir os ingressos de dinheiro na economia como um todo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Mesmo assim h\u00e1 possibilidades de o governo atual seguir no poder?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 uma certeza de que o pr\u00f3ximo governo ter\u00e1 que fazer reformas para sair desta crise. O n\u00edvel de pobreza da popula\u00e7\u00e3o \u00e9 profundo, assim como \u00e9 clara a deteriora\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica da classe m\u00e9dia. O que todos querem s\u00e3o mudan\u00e7as radicais para podermos sair do fundo do po\u00e7o. As pessoas n\u00e3o se levantam pela manh\u00e3 gritando que desejam um super\u00e1vit prim\u00e1rio fiscal. E n\u00e3o sonham \u00e0 noite que conseguiremos privatizar todas as empresas p\u00fablicas. Sabem, no entanto, que se seguirmos fazendo o mesmo a sua situa\u00e7\u00e3o ficar\u00e1 cada vez pior. Ent\u00e3o h\u00e1 uma percep\u00e7\u00e3o de que n\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o para manter o que est\u00e1 a\u00ed. Todos os candidatos, tanto os de extrema-direita quanto os mais \u00e0 esquerda, s\u00e3o pr\u00f3-mercado. Desta forma quem chegar ao poder poder\u00e1 tentar fazer reformas dif\u00edceis para promover uma mudan\u00e7a radical ou primeiramente conter a infla\u00e7\u00e3o para equilibrar minimamente a economia antes de trabalhar em reformas profundas. S\u00e3o essas as op\u00e7\u00f5es do Pa\u00eds neste momento pr\u00e9-eleitoral.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>E o que acontecer\u00e1 com a economia argentina este ano?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 mais vi\u00e1vel que a economia tenha uma queda. O primeiro trimestre teve um crescimento muito baixo, menos de 1%. H\u00e1 uma clara redu\u00e7\u00e3o do PIB per capita nos \u00faltimos dez anos que impacta no resultado que lograremos este ano. Poderemos ter uma queda de 3% a 3,2% do PIB em 2023. E no ano que vem dependeremos da velocidade das reformas e da resposta que essas mudan\u00e7as causar\u00e3o em toda a economia formal. Com um contexto diferente a expectativa \u00e9 que voltaremos a crescer. Sabemos que haver\u00e1 a possibilidade de equilibrar a economia argentina muito mais por causa dos investimentos do que por parte da contribui\u00e7\u00e3o do consumo das pessoas. Em resumo 2024 ser\u00e1 um ano de transi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Qual a expectativa com a presid\u00eancia rotativa do Mercosul, que est\u00e1 com o Brasil?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A \u00fanica expectativa que podemos ter \u00e9 que o Brasil trate de estar cada vez mais pr\u00f3ximo da assinatura do acordo comercial com a Uni\u00e3o Europeia. Na Argentina temos um presidente quase sem fun\u00e7\u00f5es executivas e a\u00e7\u00f5es concretas, um ministro da economia que \u00e9 candidato a presidente. Ent\u00e3o, n\u00e3o vejo condi\u00e7\u00f5es para uma conversa mais propositiva no n\u00edvel do Mercosul que possa fazer surgir uma pauta com outros temas importantes para todos os s\u00f3cios. N\u00e3o h\u00e1 uma agenda propositiva e din\u00e2mica para um processo de maior integra\u00e7\u00e3odos s\u00f3cios.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Quais ser\u00e3o os benef\u00edcios para Argentina do acordo com a Uni\u00e3o Europeia?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Temos que olhar para este acordo n\u00e3o apenas com a possibilidade de ganho comercial. Trata-se de um acordo que trar\u00e1 credibilidade e investimentos. Outro benef\u00edcio muito importante \u00e9 que a Europa \u00e9 reconhecida como benchmarking global em termos de regula\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o, se cumprimos as exig\u00eancias das regula\u00e7\u00f5es do Mercado Comum Europeu, estaremos aptos a fazer neg\u00f3cios em qualquer parte do mundo. Outra oportunidade \u00e9 que a Europa est\u00e1 buscando fornecedores de energia alternativas, energia verde mais competitiva. Na Alemanha as sider\u00fargicas pagam US$ 25 por 1 milh\u00e3o de BTU de g\u00e1s, enquanto no Brasil e na Argentina esta mesma quantidade custa de US$ 3 a US$ 5. Podemos ser uma fonte de investimentos para atender a Europa com o g\u00e1s natural que \u00e9 abundante aqui.<\/p>\n\n\n\n<p>As vendas de ve\u00edculos ca\u00edram quase a metade em dez anos na Argentina. E assim como no Brasil apenas os ve\u00edculos mais caros s\u00e3o vendidos. Os ve\u00edculos de entrada quase desapareceram das estat\u00edsticas. Qual o reflexo dessa mudan\u00e7a de perfil de venda para as marcas que operam na Argentina?<\/p>\n\n\n\n<p>O problema do mercado automotivo na Argentina est\u00e1 associado \u00e0 falta de d\u00f3lares. H\u00e1 uma restri\u00e7\u00e3o muito forte na utiliza\u00e7\u00e3o dos d\u00f3lares para importa\u00e7\u00e3o de ve\u00edculos. O mercado interno deveria ser abastecido com carros importados, sobretudo os pequenos feitos no Brasil. Como n\u00e3o temos d\u00f3lares precisamos abastecer o mercado interno com o que \u00e9 produzido aqui. Somos o quarto produtor mundial de picapes. Ent\u00e3o, \u00e0 medida que s\u00f3 temos esses modelos para oferecer, exclu\u00edmos boa parte dos consumidores que n\u00e3o podem pagar t\u00e3o caro para ter um ve\u00edculo novo. Para piorar: como n\u00e3o h\u00e1 cr\u00e9dito para financiamento os pagamentos s\u00e3o feitos \u00e0 vista, o que reduz ainda mais o volume de vendas. 60% das vendas foram feitas \u00e0 vista, isto \u00e9 muito grave. E impacta o futuro de toda uma cadeia automotiva<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Mesmo assim o senhor acredita que possa haver investimentos na ind\u00fastria automotiva no curto prazo?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Claramente a Argentina perdeu este ciclo de investimentos da ind\u00fastria automotiva. Tivemos apenas o projeto da Ford para modernizar sua produ\u00e7\u00e3o de picapes, o que nos faz pensar que em alguns anos eles possam ter uma nova atualiza\u00e7\u00e3o e passar a fazer modelos h\u00edbridos aqui. O outro grande projeto \u00e9 o investimento da Toyota para que em 2025 inicie a produ\u00e7\u00e3o de uma picape h\u00edbrida na Argentina. As outras fabricantes fazem uma cortina de fuma\u00e7a sobre suas estrat\u00e9gias no pa\u00eds. N\u00e3o h\u00e1 nenhuma inten\u00e7\u00e3o de investimento especialmente pensando nessa transi\u00e7\u00e3o. Este ciclo de investimentos que perdemos deveriam j\u00e1 contemplar os modelos h\u00edbridos. E isto ainda n\u00e3o ocorreu.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Sobre a descarboniza\u00e7\u00e3o, um tema que est\u00e1 muito forte no Brasil: quais as discuss\u00f5es que ocorrem agora na Argentina?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Primeiro que estamos muito atrasados. Precisamos de uma legisla\u00e7\u00e3o para a eletromobilidade e isto nem est\u00e1 na mesa de negocia\u00e7\u00f5es. Neste tema acredito que \u00e9 preciso olhar para todos os setores industriais do pa\u00eds. A Argentina \u00e9 um produtor de ve\u00edculos, mas tamb\u00e9m produz energia. Somos um grande produtor e exportador de g\u00e1s natural. Desta forma somos credores ambientais do mundo, n\u00e3o devedores. \u00c9 preciso legislar levando em considera\u00e7\u00e3o esses potenciais. Claro que temos que reduzir a emiss\u00e3o de carbono, mas este balan\u00e7o com a matriz energ\u00e9tica precisa ser levado em considera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Mas o senhor acredita que teremos uma mudan\u00e7a radical a ponto de os el\u00e9tricos tomarem conta do mercado algum dia?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 muito trabalho a ser feito antes de dar como morto o motor a combust\u00e3o interna. Ainda estamos engatinhando quando o assunto \u00e9 a infraestrutura para abastecimento de ve\u00edculos el\u00e9tricos. \u00c9 preciso reconhecer que os pre\u00e7os dos el\u00e9tricos est\u00e3o muito distantes das possibilidades da maioria da popula\u00e7\u00e3o. Precisamos ter em conta todos estes fatores. No entanto o setor privado, mais do que as regulamenta\u00e7\u00f5es do Estado, pode acelerar todo esse processo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entrevistamos o ex-ministro e economista Dante Sica para conhecer um pouco mais dessa profunda crise que tem reflexos na rela\u00e7\u00e3o comercial entre Brasil e Argentina. \u201cApenas uma reforma radical poder\u00e1 tirar este pa\u00eds do fundo do po\u00e7o\u201d.<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":59169,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[3476,28],"class_list":["post-59168","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","tag-clube-autodata","tag-especial"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.autodata.com.br\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/59168","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.autodata.com.br\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.autodata.com.br\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.autodata.com.br\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.autodata.com.br\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=59168"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/www.autodata.com.br\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/59168\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":59175,"href":"https:\/\/www.autodata.com.br\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/59168\/revisions\/59175"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.autodata.com.br\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media\/59169"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.autodata.com.br\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=59168"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.autodata.com.br\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=59168"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.autodata.com.br\/wordpress\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=59168"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}